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Sem diploma, fazendeiro chinês juntou chapas de aço, uma bateria e um motor usado, passou dez anos soldando nas madrugadas até lançar no rio da província de Anhui o Big Black Fish, um submarino artesanal de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros a bordo.

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 22/06/2026 às 22:57
Atualizado em 22/06/2026 às 23:00
Assista o vídeoSem diploma e sem planta, fazendeiro chinês juntou chapas de aço, uma bateria e um motor usado, passou dez anos soldando nas madrugadas até lançar no rio da província de Anhui o Big Black Fish, um submarino artesanal de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros a bordo.
Zhang Shengwu and his submarine, “Big Black Fish”. (PHOTO / CCTV NEWS)
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Fazendeiro chinês constrói o submarino Big Black Fish após 10 anos de trabalho noturno e faz teste público com submersível de 5 toneladas.

Fazendeiro chinês constrói submarino artesanal Big Black Fish, um submersível de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros. A cena que chamou atenção na província de Anhui, em julho de 2025, não envolvia um laboratório, uma empresa naval nem um projeto militar. Dentro da estrutura escura que afundou lentamente em um rio local estava Zhang Shengwu, um agricultor na faixa dos 60 anos que decidiu transformar curiosidade em máquina depois de passar uma década construindo quase tudo com as próprias mãos.

Segundo a China Daily, Zhang trabalhou durante anos com carpintaria, soldagem e navegação, acumulando experiência prática até chegar ao projeto que o tornaria conhecido em toda a China. O resultado foi um submarino caseiro batizado de Big Black Fish, com casco de aço, sistema de lastro, vedação reforçada e capacidade de permanecer submerso por cerca de 30 minutos, um feito raro para um inventor sem formação formal em engenharia naval.

Infância entre barcos e rios ajudou a moldar a obsessão de Zhang Shengwu por máquinas que flutuam e mergulham

Zhang Shengwu vive em uma região do leste da China marcada por rios, transporte fluvial e atividade portuária de pequena escala. Em Zhangdu, no município de Maanshan, ele passou boa parte da vida cercado por embarcações, observando o movimento constante de barcos de carga e trabalhando em atividades ligadas ao rio e à construção.

De acordo com a China Daily, Zhang atuou como carpinteiro, soldador e trabalhador da área de navegação antes de voltar à sua terra natal e construir um pequeno cais para vender areia. Esse cotidiano ajudou a formar a base prática do projeto, porque ele já conhecia materiais, estruturas metálicas e o comportamento de embarcações de superfície, mesmo sem domínio acadêmico de engenharia.

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Em relato reproduzido pela China Daily, Zhang disse que via embarcações de ferro e madeira passarem pelo rio, mas sentia que faltava algo.

O que faltava, para ele, era justamente um barco que pudesse desaparecer sob a água, e essa inquietação acabaria se transformando no ponto de partida do submarino artesanal que levaria anos para sair do papel.

Programa de televisão visto em 2014 virou gatilho para o projeto do submarino artesanal

A virada aconteceu em 2014, quando Zhang assistiu a um programa de televisão mostrando a construção de um submarino. Segundo a China Daily, a ideia o atingiu de forma imediata: se outra pessoa havia conseguido montar uma embarcação submersível, ele também poderia tentar. A partir desse momento, o barranco arenoso onde trabalhava começou a virar oficina improvisada e campo de testes.

Nos dias seguintes, Zhang reuniu cerca de 5.000 yuans, algo em torno de US$ 698 à época, e comprou materiais básicos como chapas de aço, baterias e um motor. A construção foi iniciada de forma discreta, impulsionada mais por teimosia e imaginação do que por qualquer apoio técnico ou familiar.

Sem diploma e sem planta, fazendeiro chinês juntou chapas de aço, uma bateria e um motor usado, passou dez anos soldando nas madrugadas até lançar no rio da província de Anhui o Big Black Fish, um submarino artesanal de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros a bordo.
Zhang Shengwu and his submarine, “Big Black Fish”. (PHOTO / CCTV NEWS)

A própria família via a iniciativa com desconfiança. A CD relata que Zhang persistiu apesar da oposição ao projeto, tratado dentro de casa como uma ideia cara, arriscada e sem utilidade prática. Ainda assim, ele continuou desenhando soluções mentalmente, testando peças e soldando cada etapa do submarino com base na experiência acumulada ao longo da vida.

Primeiro protótipo nasceu barato, vazou na água e mesmo assim virou patente na China

Em cerca de seis meses, Zhang concluiu o primeiro submarino. Segundo a China Daily, o protótipo media 6 metros de comprimento, 1,2 metro de altura e pesava cerca de 2 toneladas. Era uma máquina rudimentar, menor e menos estável que o modelo atual, mas suficiente para provar que a ideia podia sair do improviso e virar um veículo real.

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O teste inicial foi marcado por medo e fascínio ao mesmo tempo. Zhang lembrou que sentiu as mãos suadas ao assumir os controles e que temia vazamentos, mas queria ir mais fundo. O medo fazia sentido: o primeiro submarino realmente apresentava infiltrações, mostrando que o projeto ainda estava longe de um nível confiável de desempenho.

Mesmo com as falhas, aquele primeiro passo lhe rendeu um reconhecimento formal. A China Daily informa que Zhang recebeu uma patente nacional de modelo de utilidade pelo desenho do submarino, e que em 2016 obteve uma segunda patente relacionada a um barco de superfície. O recado para ele era claro: a invenção ainda era imperfeita, mas já tinha valor técnico suficiente para seguir evoluindo.

Big Black Fish nasceu como segunda geração muito mais ambiciosa e muito mais pesada

Depois do primeiro experimento, Zhang passou anos acumulando experiência, economizando dinheiro e observando os limites do modelo inicial. Quando voltou ao projeto de forma mais ambiciosa, ele já sabia que precisaria de um casco maior, vedação melhor, estabilidade superior e capacidade real de transporte. Foi nesse contexto que nasceu o Big Black Fish, a segunda geração do submarino.

Sem diploma e sem planta, fazendeiro chinês juntou chapas de aço, uma bateria e um motor usado, passou dez anos soldando nas madrugadas até lançar no rio da província de Anhui o Big Black Fish, um submarino artesanal de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros a bordo.
Zhang Shengwu and his submarine, “Big Black Fish”. (PHOTO / CCTV NEWS)

Segundo a China Daily, o investimento na nova embarcação passou de 40.000 yuans, o equivalente a cerca de US$ 5.570. O novo modelo chegou a 7 metros de comprimento, 1,8 metro de altura e peso total de 5 toneladas, com espaço para duas pessoas lado a lado. A ampliação transformou o projeto de curiosidade artesanal em algo visualmente próximo de um submersível real.

Para resolver o problema da estabilidade, Zhang adotou uma solução simples e pesada. A China Daily relata que ele despejou aproximadamente 2 toneladas de concreto dentro do casco para funcionar como contrapeso permanente. Segundo o próprio inventor, esse peso extra ajuda a manter o submarino equilibrado durante a submersão e reduz o risco de comportamento instável debaixo d’água.

Tanques de lastro, vedação reforçada e motor elétrico deram forma a um submarino funcional

O sistema de mergulho do Big Black Fish segue um princípio clássico de submarinos: o uso de tanques de lastro. Zhang instalou um tanque na parte dianteira e outro na traseira. Quando esses compartimentos recebem água, a embarcação perde flutuabilidade e afunda; quando a água é drenada, o submarino recupera empuxo e volta à superfície.

Para combater o principal problema do primeiro protótipo, Zhang reforçou a vedação em cada etapa do casco. Segundo a China Daily, ele soldou manualmente todas as juntas, usou silicone para reforçar as emendas e aplicou adesivo adicional sobre as áreas críticas. O inventor também adotou escotilhas circulares, um formato que distribui melhor as tensões e costuma ser preferido em estruturas submetidas à pressão da água.

O desempenho final impressiona justamente por ter saído de uma oficina improvisada. A China Daily afirma que o submarino pode atingir 4 nós, algo próximo de 7,4 km/h, mergulhar até 8 metros, transportar dois passageiros e permanecer submerso por cerca de 30 minutos. Zhang ainda destaca um detalhe que considera decisivo: o veículo também consegue operar em marcha à ré, o que amplia a manobrabilidade em áreas mais estreitas.

Primeiro teste público transformou o inventor rural em fenômeno nacional nas redes chinesas

O mergulho que projetou Zhang para o público ocorreu em 2 de julho de 2025, quando ele conduziu o Big Black Fish em um rio próximo de sua casa, em Hanshan County, na província de Anhui. Imagens do submarino entrando na água e desaparecendo por instantes viralizaram rapidamente e transformaram o fazendeiro em personagem de um dos casos mais curiosos da inovação popular chinesa naquele ano.

A imagem da embarcação ajudou a turbinar a repercussão. O casco escuro, compacto e pesado, contrastando com a paisagem rural, fazia o teste parecer algo improvável demais para ter saído das mãos de um inventor sem diploma. Essa tensão entre rusticidade e engenhosidade virou o principal motor da viralização, porque o submarino parecia ao mesmo tempo improvisado e funcional.

Sem diploma e sem planta, fazendeiro chinês juntou chapas de aço, uma bateria e um motor usado, passou dez anos soldando nas madrugadas até lançar no rio da província de Anhui o Big Black Fish, um submarino artesanal de 5 toneladas capaz de mergulhar 8 metros com dois passageiros a bordo.
Zhang Shengwu and his submarine, “Big Black Fish”. (PHOTO / CCTV NEWS)

Em vez de surgir de um centro tecnológico sofisticado, o Big Black Fish saiu de um vilarejo, de ferramentas comuns e de um homem acostumado a resolver problemas sozinho. Esse contraste ajudou a explicar por que a história se espalhou tão rápido: ela encaixa perfeitamente na narrativa de obstinação individual que costuma mobilizar a internet quando um projeto improvável realmente funciona.

Big Black Fish expõe um lado menos conhecido da inovação chinesa fora dos grandes polos

A história de Zhang também chamou atenção porque destoa da imagem mais frequente da inovação chinesa, geralmente associada a inteligência artificial, trens de alta velocidade, semicondutores e grandes laboratórios. Aqui, o protagonista não é um engenheiro de uma metrópole tecnológica, mas um inventor rural que reuniu experiência manual, insistência e leitura prática do mundo ao seu redor.

A China Daily observa que Zhang não é um caso totalmente isolado. A reportagem lembra outros inventores chineses que se aventuraram na construção de submarinos civis e situa esse fenômeno dentro de um ambiente mais amplo de estímulo ao empreendedorismo no campo.

Esse pano de fundo também aparece em documentos oficiais. Em 2020, um texto publicado no portal do governo chinês afirmou que o país buscava formar mais de 1 milhão de líderes de inovação e empreendedorismo rural até 2025, com medidas de apoio, treinamento e incentivos à atividade econômica nas áreas rurais.

Embora o submarino de Zhang seja um caso extremo, ele se encaixa simbolicamente nesse ambiente de valorização de inventores fora dos grandes centros urbanos.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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