Tatiane Fávaro voltou de São Paulo para ajudar o pai, herdou o ofício e passou a produzir hortaliças em estufas de Tupã. Depois de enfrentar preconceitos, tornou-se fornecedora de dois grandes supermercados e ajudou a inspirar uma proposta de selo voltada ao protagonismo feminino no agronegócio local paulista em 2023.
As hortaliças cultivadas por Tatiane Fávaro em estufas de Tupã, no interior de São Paulo, carregam uma trajetória marcada por mudança de vida, aprendizado familiar e continuidade. Ela deixou a capital paulista para ajudar o pai, aprendeu com ele parte do trabalho na horticultura e assumiu a propriedade depois de sua morte.
A história foi divulgada pela Câmara Municipal de Tupã em 29 de agosto de 2023, durante a apresentação de uma proposta para criar o Selo de Apoio às Mulheres do Agronegócio, conhecido pela sigla AMA. A iniciativa pretendia identificar produtos ligados ao empreendedorismo feminino rural, mas a fonte não informa se o projeto virou lei posteriormente.
Volta de São Paulo aproximou filha e pai
Tatiane morava em São Paulo quando decidiu retornar a Tupã para ajudar o pai na propriedade rural. Ele havia dedicado grande parte da vida à horticultura e transmitiu à filha os conhecimentos que conseguiu compartilhar no período em que trabalharam juntos.
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A produtora descreveu aquele tempo como precioso, justamente porque o aprendizado ocorreu pouco antes da morte do pai. O retorno não representou apenas uma mudança geográfica, mas a entrada definitiva em um ofício construído pela família.
Depois da perda, Tatiane permaneceu à frente da produção. A fonte não informa quando ocorreu o falecimento nem há quanto tempo ela administra sozinha as estufas.
Estufas e hortaliças viraram responsabilidade da produtora

Ao assumir a propriedade, Tatiane passou a responder pelo manejo das estufas e pela continuidade da produção de hortaliças. O trabalho exigiu preservar o conhecimento recebido e, ao mesmo tempo, tomar decisões próprias sobre gestão, produção e comercialização.
A Câmara Municipal não detalhou quais variedades são cultivadas, a área das estufas ou o volume produzido. O dado confirmado é que a atividade alcançou escala suficiente para abastecer dois grandes supermercados de Tupã.
Esse fornecimento colocou a propriedade dentro de uma cadeia comercial regular. Também mostrou que uma produção rural administrada por uma mulher podia atender empresas relevantes no mercado municipal.
Preconceitos apareceram depois que ela assumiu o negócio
Tatiane relatou ter encontrado preconceitos durante sua trajetória. A fonte não reproduz episódios específicos nem identifica quem praticou essas atitudes, mas registra que ela enfrentou resistência enquanto conduzia a propriedade.
O desafio não estava apenas em produzir hortaliças. Ela também precisou afirmar sua capacidade de administrar um negócio rural em um ambiente no qual o trabalho feminino nem sempre recebe reconhecimento proporcional.
A produtora encontrou apoio em outras mulheres que defendiam inclusão, gestão qualificada e protagonismo no campo. Essa articulação ajudou a transformar experiências individuais em uma rede mais ampla.
Dois supermercados passaram a receber a produção
A propriedade de Tatiane tornou-se fornecedora de hortaliças para dois grandes supermercados de Tupã. A informação demonstra que o negócio conseguiu ultrapassar a venda restrita à propriedade ou a pequenos compradores ocasionais.
Para manter esse tipo de relação comercial, a produção precisa atender demandas recorrentes. A fonte, porém, não apresenta detalhes sobre frequência de entrega, contratos, preços ou critérios de qualidade exigidos pelas empresas.
O fornecimento regular funciona como uma evidência concreta da capacidade de gestão construída por Tatiane, ainda que os dados financeiros do empreendimento não tenham sido divulgados.
Rede de mulheres começou a discutir reconhecimento
A trajetória da produtora ganhou espaço em um grupo voltado à presença feminina no agronegócio. A rede reunia mulheres rurais, pesquisadoras, representantes públicos e instituições interessadas em ampliar visibilidade e apoio.
Entre as articuladoras estavam Priscila MacLean, docente da Universidade Estadual Paulista e doutora em Ciências Agrárias, e Liliane Ubeda Morandi, pecuarista e mestre em Agronegócio. As duas participavam das ações do grupo Tribo Agro – Tupã.
A proposta era mostrar que mulheres não apenas ajudam em propriedades familiares, mas também administram, produzem, comercializam e tomam decisões.
Invisibilidade feminina foi apontada como problema
Liliane Ubeda Morandi chamou atenção para o que definiu como invisibilidade da mulher no campo. Segundo ela, muitas trabalham em diferentes etapas da produção, mas ainda se apresentam apenas como esposas de produtores.
Essa forma de enxergar o próprio trabalho pode esconder a contribuição econômica e gerencial das mulheres. Quando a atividade feminina é tratada como ajuda, e não como trabalho produtivo, o protagonismo desaparece das estatísticas e do reconhecimento social.
A situação de Tatiane exemplificava o contrário: ela estava formalmente à frente da produção de hortaliças e respondia pelo relacionamento com grandes compradores locais.
Ideia do selo nasceu em uma rede de apoio
A proposta do Selo de Apoio às Mulheres do Agronegócio surgiu dentro da rede formada por produtoras e apoiadoras. A intenção era identificar produtos ligados ao empreendedorismo feminino rural.
O vereador pastor Eliézer de Carvalho assumiu o compromisso de levar a ideia à Câmara Municipal de Tupã. Segundo a publicação, um projeto de lei deveria ser apresentado ainda no segundo semestre de 2023.
O selo pretendia transformar reconhecimento simbólico em uma identificação visível para o consumidor. Entretanto, a fonte relata apenas a fase de elaboração da proposta e não confirma sua aprovação.
Unesp e prefeitura participaram da articulação
A Universidade Estadual Paulista apoiava a rede por meio de ações ligadas às pesquisadoras envolvidas. A presença da instituição aproximava a iniciativa de conhecimento técnico, capacitação e organização coletiva.
A Secretaria Municipal de Agricultura também participou das discussões. O então secretário Anderson Luiz defendeu que o selo fosse mais do que uma marca decorativa, funcionando como protocolo ligado a boas práticas, capacitação e inclusão social.
A proposta buscava combinar reconhecimento feminino com critérios capazes de transmitir confiança ao consumidor. Os critérios definitivos, porém, ainda não estavam detalhados na publicação.
Dia de campo reuniu produtores e instituições
Uma reunião realizada em 23 de agosto de 2023, em uma das propriedades participantes, acabou funcionando como um dia de campo. O encontro reuniu idealizadoras, representantes públicos e instituições apoiadoras.
Durante a atividade, foram discutidos detalhes da criação do selo e da rede de apoio. A visita às estufas de Tatiane permitiu mostrar, na prática, um negócio rural administrado por uma mulher e integrado ao comércio da cidade.
As hortaliças fornecidas aos supermercados deram materialidade ao debate sobre protagonismo feminino, tirando a discussão do campo abstrato e aproximando-a da produção cotidiana.
Selo pretendia aproximar consumidor e produtora
A identificação proposta permitiria que consumidores reconhecessem produtos gerados por empresas e propriedades com participação feminina relevante. Isso poderia aumentar a visibilidade de produtoras e negócios administrados por mulheres.
O vereador Eliézer de Carvalho afirmou que grandes empresas, pequenos negócios e propriedades rurais conduzidas por mulheres contribuem para renda familiar, empregos e atividade econômica.
O selo poderia funcionar como ferramenta de reconhecimento, desde que acompanhado de regras claras e fiscalização. A própria proposta mencionava boas práticas e capacitação como elementos necessários.
História de Tatiane ultrapassou a produção de alimentos
A trajetória de Tatiane começou com uma decisão familiar: voltar para ajudar o pai. Depois, ganhou dimensão econômica quando ela assumiu as estufas e consolidou o fornecimento de hortaliças para supermercados.
Mais tarde, sua experiência passou a integrar uma discussão pública sobre mulheres que sustentam negócios no agronegócio. O caso reuniu memória familiar, produção rural, gestão e busca por reconhecimento institucional.
Ainda assim, a reportagem não informa faturamento, número de funcionários, extensão da propriedade ou resultados posteriores da proposta legislativa. Esses dados não podem ser presumidos.
Reconhecimento pode fortalecer outras mulheres do campo?
Tatiane Fávaro deu continuidade ao trabalho do pai, enfrentou preconceitos e manteve uma produção capaz de atender dois grandes supermercados. Sua história também ajudou a ilustrar a necessidade de tornar mais visível o trabalho feminino no agronegócio.
A proposta do selo AMA surgiu como tentativa de identificar e valorizar negócios ligados a esse protagonismo. Você acredita que selos desse tipo ajudam consumidoras e consumidores a reconhecer quem realmente sustenta a produção no campo? Conte nos comentários se iniciativas semelhantes deveriam ser adotadas em outras cidades.
