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De oficina de bicicletas em SC à fábrica que popularizou o cooktop no Brasil: Fischer investe R$ 20 milhões para modernizar unidade que produz 200 mil itens por mês e mira faturamento bilionário após alcançar R$ 670 milhões

Escrito por Carla Teles
Publicado em 04/06/2026 às 19:34
Atualizado em 04/06/2026 às 19:38
De oficina de bicicletas em SC à fábrica que popularizou o cooktop no Brasil Fischer investe R$ 20 milhões para modernizar unidade que produz 200 mil itens por mês e mira faturamento (3)
Fábrica de eletrodomésticos Fischer investe em cooktops e mira R$ 1 bilhão em faturamento com modernização em SC.
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A fábrica de eletrodomésticos Fischer, em Brusque, investirá R$ 20 milhões em modernização após atingir R$ 670 milhões de receita em 2025; conhecida pelos cooktops, a empresa produz mais de 200 mil itens mensais e mira R$ 1 bilhão em faturamento até 2028, ampliando eficiência e portfólio em Santa Catarina.

A fábrica da Fischer Eletrodomésticos, em Brusque, Santa Catarina, entrou em uma nova etapa de modernização com investimento anunciado de R$ 20 milhões em 2026. A companhia catarinense, que completa seis décadas de operação, pretende atualizar processos industriais, ampliar o portfólio e sustentar uma meta de faturamento de R$ 1 bilhão até 2028.

Segundo a Exame, o movimento ocorre depois de a empresa registrar receita de R$ 670 milhões em 2025 e alcançar uma produção mensal superior a 200 mil itens. Com cerca de 800 funcionários, três unidades fabris e forte presença nos segmentos de cooktops e fornos elétricos, a Fischer tenta avançar em um mercado disputado por grandes multinacionais.

Fábrica em Brusque recebe investimento para sustentar novo ciclo de crescimento

Fábrica de eletrodomésticos Fischer investe em cooktops e mira R$ 1 bilhão em faturamento com modernização em SC.
Imagem: Fischer Eletrodomésticos/Divulgação.

A Fischer concentra em Brusque praticamente toda a sua estrutura industrial, instalada em um parque fabril de aproximadamente 140 mil metros quadrados. A operação reúne linhas de eletrodomésticos, produtos para construção civil e soluções modulares, combinando negócios criados em momentos diferentes da história da companhia.

O investimento de R$ 20 milhões deverá ser direcionado principalmente à modernização da fábrica, à revisão de equipamentos e processos produtivos e ao desenvolvimento de novos produtos. A estratégia busca aumentar eficiência sem depender apenas de expansão física ou crescimento acelerado do número de trabalhadores.

A empresa pretende transformar produtividade industrial em caminho para atingir um novo patamar de receita. Segundo os números divulgados, a Fischer dobrou de tamanho nos últimos oito anos sem ampliar de forma significativa seu quadro de funcionários, apoiada em automação e melhorias operacionais.

Atualmente, algumas linhas trabalham com ciclos de fabricação inferiores a um minuto por produto. O dado ajuda a dimensionar a importância da velocidade produtiva em um mercado no qual escala, variedade e custo influenciam diretamente a disputa por espaço nas lojas e nas cozinhas dos consumidores.

Negócio nasceu em uma oficina de bicicletas no interior de Santa Catarina

A trajetória da Fischer começou longe dos eletrodomésticos embutidos que hoje identificam a marca. Em 1961, Ingo Fischer, então com 17 anos, abriu uma pequena oficina de bicicletas em Brusque. Durante o dia, realizava consertos; à noite, ao lado do irmão Nivert, trabalhava no reparo de geladeiras, fornos e outros equipamentos domésticos.

A empresa foi formalizada em 1966, com a participação de outros integrantes da família ao longo dos anos. Antes de consolidar a atual fábrica de eletrodomésticos, o negócio produziu equipamentos voltados à indústria pesqueira e a frigoríficos, incluindo estruturas de aço inox e máquinas utilizadas no processamento de alimentos.

A transformação da oficina em indústria não ocorreu de uma vez: foi construída por mudanças sucessivas de mercado e produto. Depois da atuação industrial inicial, a Fischer passou a fabricar itens seriados, entre eles fornos elétricos de bancada, carrinhos de mão e betoneiras para a construção civil.

Essa capacidade de circular entre diferentes segmentos se tornou uma característica da companhia. Mesmo conhecida hoje pelos eletrodomésticos de cozinha, a empresa preservou linhas relacionadas à construção e, mais recentemente, avançou em sistemas construtivos modulares.

Cooktop ajudou a mudar o lugar da Fischer no mercado brasileiro

A entrada decisiva no segmento de eletrodomésticos ocorreu quando a Fischer passou a investir em produtos ligados às cozinhas planejadas. Nos anos 2000, a companhia lançou cooktops fabricados no Brasil em um período em que esse tipo de equipamento ainda era associado a produtos importados e de preço elevado.

A aposta colocou a fábrica catarinense em uma categoria que ganhou espaço com a transformação dos projetos residenciais. À medida que cozinhas planejadas e eletrodomésticos embutidos se tornaram mais presentes nos imóveis brasileiros, cooktops e fornos passaram a ocupar papel mais relevante nas decisões de compra.

O cooktop se tornou um dos símbolos da mudança da Fischer de fabricante regional para marca reconhecida nacionalmente em nichos específicos. Hoje, a companhia está entre as principais participantes das categorias de cooktops e fornos elétricos, segundo as informações apresentadas sobre seu desempenho.

Além do cooktop, o portfólio ligado às cozinhas planejadas inclui fornos de embutir, micro-ondas, coifas, depuradores e outros equipamentos. A empresa também aposta em produtos multifuncionais, buscando atender consumidores que procuram otimizar espaço e ampliar usos dentro de casa.

Mais de 200 mil produtos deixam as linhas industriais todos os meses

Fábrica de eletrodomésticos Fischer investe em cooktops e mira R$ 1 bilhão em faturamento com modernização em SC.
Imagem: Fischer Eletrodomésticos/Divulgação.

A escala produtiva atual da Fischer supera 200 mil produtos por mês. Aproximadamente 85% do portfólio é fabricado no Brasil, percentual que reforça a importância da estrutura industrial catarinense para a operação da companhia e para sua capacidade de abastecer o mercado nacional.

Com mais de 185 tipos de produtos somente na divisão de eletrodomésticos, a empresa precisa conciliar volume, variedade e regularidade de entrega. Esse desafio aumenta à medida que novos equipamentos são incorporados ao catálogo e que consumidores buscam soluções cada vez mais integradas às residências.

A modernização da fábrica pretende ampliar capacidade sem perder eficiência em uma operação que já funciona em grande escala. A revisão de máquinas e processos pode permitir lançamentos, alterações de acabamento e novas funcionalidades sem comprometer ritmo de fabricação.

A estratégia também responde à concorrência. Em segmentos dominados por grandes grupos internacionais, empresas nacionais precisam combinar custo competitivo, reconhecimento de marca e velocidade para adaptar produtos às mudanças de consumo.

Receita de R$ 670 milhões impulsiona meta de chegar ao primeiro bilhão

Em 2025, a Fischer alcançou faturamento de R$ 670 milhões, resultado que serve de base para a meta de atingir R$ 1 bilhão em faturamento até 2028. A companhia informa que vem crescendo entre 8% e 9% ao ano e pretende sustentar esse avanço por meio de eficiência industrial, inovação e ampliação de portfólio.

A projeção representa uma meta empresarial, e seu cumprimento dependerá de fatores como consumo, concorrência, custos industriais, desempenho do varejo e execução dos investimentos anunciados. Ainda assim, o novo aporte mostra que a companhia está preparando a estrutura para tentar alcançar esse patamar.

Chegar ao primeiro bilhão exigirá mais do que fabricar em alto volume: será necessário vender produtos capazes de acompanhar mudanças nas casas brasileiras. A cozinha planejada, os eletrodomésticos multifuncionais e os equipamentos embutidos aparecem como áreas estratégicas para a Fischer.

A fábrica também terá papel central nesse objetivo. Quanto maior a capacidade de modernizar linhas, reduzir desperdícios e produzir diferentes categorias com eficiência, maior tende a ser a possibilidade de competir com fabricantes de maior escala.

Diversificação leva empresa além dos eletrodomésticos de cozinha

Embora cooktops e fornos estejam entre os produtos mais reconhecidos da Fischer, a companhia atua atualmente em três grandes frentes. A principal é a de eletrodomésticos, responsável pela maior parte de seu portfólio e diretamente ligada à transformação da cozinha planejada no mercado brasileiro.

A segunda área reúne equipamentos para construção civil, como carrinhos de mão e betoneiras. A terceira envolve sistemas construtivos modulares desenvolvidos com painéis de aço e isolamento termoacústico, voltados a edificações como residências, escolas e unidades de saúde.

A diversificação reduz a dependência de um único segmento e cria alternativas de crescimento para a empresa. Ao mesmo tempo, administrar operações diferentes exige investimento contínuo em engenharia, produção, desenvolvimento e distribuição.

Nesse cenário, a modernização da fábrica não atende apenas à linha de cozinhas. O investimento anunciado busca fortalecer uma companhia que pretende crescer em diferentes mercados, aproveitando a experiência industrial construída desde a pequena oficina aberta em Brusque.

Indústria catarinense tenta unir tradição, tecnologia e novos hábitos de consumo

Fábrica de eletrodomésticos Fischer investe em cooktops e mira R$ 1 bilhão em faturamento com modernização em SC.
Imagem: Fischer Eletrodomésticos/Divulgação.

A Fischer chega aos 60 anos diante de um mercado bastante diferente daquele em que começou. O negócio familiar que nasceu com reparos de bicicletas e eletrodomésticos agora disputa consumidores interessados em cozinhas planejadas, produtos multifuncionais, construção industrializada e soluções voltadas a residências mais modernas.

O desafio é manter relevância diante de multinacionais com grande presença comercial e capacidade de investimento. Para isso, a empresa aposta na combinação entre produção nacional, modernização tecnológica e experiência acumulada em categorias nas quais construiu participação relevante.

A história da Fischer mostra como uma fábrica regional pode atravessar décadas ao adaptar produtos e processos às mudanças dentro das casas brasileiras. A nova etapa, porém, será medida pelos resultados: crescimento de receita, eficiência produtiva e capacidade de se aproximar de R$ 1 bilhão em faturamento até 2028.

Com o aporte de R$ 20 milhões, a companhia inicia mais um ciclo de transformação industrial. O investimento poderá determinar se a marca catarinense, conhecida por levar o cooktop a mais consumidores, conseguirá avançar novamente sem perder competitividade em um mercado cada vez mais exigente.

De oficina a fábrica bilionária: próximo capítulo depende da execução

A trajetória da Fischer reúne números expressivos: mais de 200 mil produtos fabricados mensalmente, cerca de 800 trabalhadores, R$ 670 milhões em faturamento anual e uma meta de R$ 1 bilhão em faturamento até 2028. O caminho começou em uma oficina simples e agora passa pela modernização de uma grande fábrica catarinense.

O investimento não garante sozinho que a meta será alcançada, mas revela a direção escolhida pela empresa: produzir com mais eficiência, ampliar soluções e disputar espaço em categorias conectadas à transformação das residências brasileiras.

Na sua opinião, uma fabricante nacional que cresceu com cooktops e fornos consegue enfrentar multinacionais e atingir R$ 1 bilhão apostando em modernização e produtos para cozinhas planejadas? Deixe seu comentário e participe da discussão.

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Carla Teles

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