Saurópode de pescoço longo encontrado em monitoramento de terminal rodo-ferroviário no Maranhão tem 120 milhões de anos e abre rota de migração entre América do Sul e Europa via norte da África.
O Dasosaurus tocantinensis, descrito em paper publicado em 12 de fevereiro de 2026 no Journal of Systematic Palaeontology, é um saurópode de cerca de 20 metros.
De fato, o bicho viveu há 120 milhões de anos no nordeste brasileiro. A descoberta saiu em reportagem da Sci.News.
Conforme o estudo, o fóssil foi encontrado pelo arqueólogo Daniel Ribeiro da Silva durante monitoramento ambiental num terminal rodo-ferroviário em Davinópolis, perto de Imperatriz, no Maranhão.
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Segundo a equipe, o parente mais próximo conhecido é o Garumbatitan morellensis, espécie espanhola descrita em 2024 e datada em cerca de 122 milhões de anos.
Parente direto na Espanha, há 130 milhões de anos
De acordo com a reportagem do Phys.org, o Dasosaurus tocantinensis é o parente mais próximo conhecido do Garumbatitan morellensis. Esse último viveu no que hoje é o estado espanhol de Castelló.

De fato, a separação evolutiva entre as duas espécies sugere ancestral comum recente. Por consequência, a teoria de uma ponte terrestre Atlântica ganha força.
Em paralelo, segundo o paper, rotas pelo norte da África permitiam a passagem de fauna entre a América do Sul e a Europa por volta de 130 milhões de anos atrás.
Em outras palavras, o Atlântico Sul ainda não havia se aberto totalmente. Dinossauros caminhavam entre os continentes em terra seca.
Dasosaurus tocantinensis: 20 metros e classificação Somphospondyli
De fato, o saurópode brasileiro tinha aproximadamente 20 metros de comprimento, da ponta da cauda à cabeça. Em outras palavras, comparável a um ônibus articulado dobrado ao meio.

Conforme o estudo, a espécie pertence ao clado Somphospondyli, grupo de saurópodes titanosauriformes. Esses bichos viveram do final do Jurássico até o fim do Cretáceo.
Por outro lado, o Dasosaurus tocantinensis fica fora da linhagem dos titanossauros. Esse subgrupo dominou os continentes do sul mais tarde no Cretáceo.
De fato, é um membro basal do grupo. A microestrutura óssea mostra crescimento intermediário entre saurópodes antigos e titanossauros tardios.
Davinópolis: fóssil encontrado em monitoramento de obra
Conforme o EurekAlert, os ossos vieram à tona em julho de 2018. O arqueólogo Daniel Ribeiro da Silva acompanhava o monitoramento ambiental de um terminal rodo-ferroviário em Davinópolis.

De acordo com Daniel Ribeiro, em entrevista à imprensa científica, o achado começou com um osso descoberto por acaso na obra. Por consequência, a empresa parou a movimentação no local.
Em paralelo, paleontólogos do Centro de Pesquisas em Paleontologia do Maranhão entraram no campo. Conforme o cronograma, a escavação durou cerca de oito anos até a publicação final.
De fato, o material recuperado inclui vértebras, costelas e ossos pélvicos. A análise microscópica permitiu definir a posição da espécie na árvore evolutiva.
Rota de migração entre continentes
De acordo com o Macau News, o achado reescreve o mapa de migração de saurópodes. Linhagens cruzavam entre América do Sul, África e Europa.
Para entender, no Cretáceo Inferior o Atlântico ainda era um corredor estreito. Em paralelo, o supercontinente Gondwana terminava de se fragmentar.
De acordo com a geologia, o norte da África funcionava como ponte entre a placa sul-americana e a europeia. Por consequência, fauna similar surge dos dois lados.
Além disso, outras descobertas recentes seguem o mesmo padrão. O percevejo escavador de 110 milhões de anos no Cariri mostra invertebrados em rota parecida.
Contexto: paleontologia brasileira em ascensão
Conforme o The Brighter Side of News, o Brasil acelerou descobertas paleontológicas nos últimos cinco anos.

De fato, o Maranhão hoje aparece como ponto-chave da bacia do Parnaíba. Em paralelo, regiões do Ceará e do Tocantins também concentram descobertas recentes.
Por outro lado, a China lidera em volume de espécies novas descritas por ano. O recente Haolong dongi de 125 milhões de anos é exemplo direto.
Por outro lado, conforme analistas científicos, o gargalo brasileiro está em financiamento de longo prazo e treinamento de equipes especializadas.
Comparação: o Dasosaurus tocantinensis em números
- 20 metros de comprimento do corpo
- 120 milhões de anos de idade — Cretáceo Inferior
- 122 milhões de anos de idade do parente espanhol Garumbatitan
- 130 milhões de anos atrás, a rota terrestre via norte da África
- Davinópolis (MA): terminal rodo-ferroviário próximo a Imperatriz
De fato, em comparação, o Tyrannosaurus rex aparece somente cerca de 50 milhões de anos depois. O dinossauro maranhense representa um capítulo bem mais antigo da história dos dinossauros sul-americanos.
Em outras palavras, 20 metros equivalem a um ônibus articulado de 14 metros mais 6 metros adicionais. O peso estimado fica em torno de 15 a 20 toneladas.
E o Brasil? Por que a bacia do Parnaíba virou centro de descobertas
A bacia sedimentar do Parnaíba cobre cerca de 600 mil km² entre Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará e Ceará. De acordo com geólogos da CPRM, é uma das maiores reservas paleontológicas do país.
Conforme estudos recentes, sedimentos cretáceos da bacia estão expostos em centenas de afloramentos. Por consequência, obras públicas e privadas frequentemente desencadeiam descobertas como a do Dasosaurus.
Em paralelo, a falta de equipes locais é o gargalo principal. Por exemplo, apenas três universidades do Norte e Nordeste têm laboratório paleontológico ativo.
De fato, o protocolo de monitoramento ambiental em terminais e rodovias é a porta de entrada institucional do material. Sem essa exigência legal, esses fósseis permaneceriam ocultos.
Ressalva: o a espécie tem material parcial
Conforme a equipe, o material coletado representa parte do esqueleto. Faltam o crânio completo e alguns ossos das patas dianteiras.
Por outro lado, a continuação da escavação está prevista. Por consequência, novas peças podem refinar a classificação proposta.
Será que o Brasil terá condições de investir em paleontologia na escala da Espanha ou da China? O caso saurópode brasileiro prova que material de classe mundial está literalmente sob nossos pés.
Ainda assim, o achado já foi publicado em periódico internacional. O novo nome entra para o catálogo oficial dos dinossauros sul-americanos.
