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Paleontólogos descrevem em Davinópolis, no Maranhão, um saurópode de 20 metros e 120 milhões de anos cujo parente mais próximo viveu no que hoje é a Espanha: o Dasosaurus tocantinensis

Imagem de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 12/05/2026 às 11:15 Atualizado em 12/05/2026 às 11:19
Dasosaurus tocantinensis em paisagem cretácea brasileira
Reconstituição editorial do Dasosaurus tocantinensis.
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Saurópode de pescoço longo encontrado em monitoramento de terminal rodo-ferroviário no Maranhão tem 120 milhões de anos e abre rota de migração entre América do Sul e Europa via norte da África.

O Dasosaurus tocantinensis, descrito em paper publicado em 12 de fevereiro de 2026 no Journal of Systematic Palaeontology, é um saurópode de cerca de 20 metros.

De fato, o bicho viveu há 120 milhões de anos no nordeste brasileiro. A descoberta saiu em reportagem da Sci.News.

Conforme o estudo, o fóssil foi encontrado pelo arqueólogo Daniel Ribeiro da Silva durante monitoramento ambiental num terminal rodo-ferroviário em Davinópolis, perto de Imperatriz, no Maranhão.

Segundo a equipe, o parente mais próximo conhecido é o Garumbatitan morellensis, espécie espanhola descrita em 2024 e datada em cerca de 122 milhões de anos.

Parente direto na Espanha, há 130 milhões de anos

De acordo com a reportagem do Phys.org, o Dasosaurus tocantinensis é o parente mais próximo conhecido do Garumbatitan morellensis. Esse último viveu no que hoje é o estado espanhol de Castelló.

Comparação entre Dasosaurus tocantinensis e seu parente espanhol Garumbatitan
Comparação editorial entre o saurópode brasileiro e o espanhol Garumbatitan.

De fato, a separação evolutiva entre as duas espécies sugere ancestral comum recente. Por consequência, a teoria de uma ponte terrestre Atlântica ganha força.

Em paralelo, segundo o paper, rotas pelo norte da África permitiam a passagem de fauna entre a América do Sul e a Europa por volta de 130 milhões de anos atrás.

Em outras palavras, o Atlântico Sul ainda não havia se aberto totalmente. Dinossauros caminhavam entre os continentes em terra seca.

Dasosaurus tocantinensis: 20 metros e classificação Somphospondyli

De fato, o saurópode brasileiro tinha aproximadamente 20 metros de comprimento, da ponta da cauda à cabeça. Em outras palavras, comparável a um ônibus articulado dobrado ao meio.

Vértebras fossilizadas do Dasosaurus tocantinensis em mesa de laboratório
Vértebras do Dasosaurus em estudo no laboratório. Imagem editorial.

Conforme o estudo, a espécie pertence ao clado Somphospondyli, grupo de saurópodes titanosauriformes. Esses bichos viveram do final do Jurássico até o fim do Cretáceo.

Por outro lado, o Dasosaurus tocantinensis fica fora da linhagem dos titanossauros. Esse subgrupo dominou os continentes do sul mais tarde no Cretáceo.

De fato, é um membro basal do grupo. A microestrutura óssea mostra crescimento intermediário entre saurópodes antigos e titanossauros tardios.

Davinópolis: fóssil encontrado em monitoramento de obra

Conforme o EurekAlert, os ossos vieram à tona em julho de 2018. O arqueólogo Daniel Ribeiro da Silva acompanhava o monitoramento ambiental de um terminal rodo-ferroviário em Davinópolis.

Paleontólogos brasileiros escavando fósseis em Davinópolis, Maranhão
Equipe escava fósseis na bacia do Parnaíba, Maranhão. Imagem editorial.

De acordo com Daniel Ribeiro, em entrevista à imprensa científica, o achado começou com um osso descoberto por acaso na obra. Por consequência, a empresa parou a movimentação no local.

Em paralelo, paleontólogos do Centro de Pesquisas em Paleontologia do Maranhão entraram no campo. Conforme o cronograma, a escavação durou cerca de oito anos até a publicação final.

De fato, o material recuperado inclui vértebras, costelas e ossos pélvicos. A análise microscópica permitiu definir a posição da espécie na árvore evolutiva.

Rota de migração entre continentes

De acordo com o Macau News, o achado reescreve o mapa de migração de saurópodes. Linhagens cruzavam entre América do Sul, África e Europa.

Para entender, no Cretáceo Inferior o Atlântico ainda era um corredor estreito. Em paralelo, o supercontinente Gondwana terminava de se fragmentar.

De acordo com a geologia, o norte da África funcionava como ponte entre a placa sul-americana e a europeia. Por consequência, fauna similar surge dos dois lados.

Além disso, outras descobertas recentes seguem o mesmo padrão. O percevejo escavador de 110 milhões de anos no Cariri mostra invertebrados em rota parecida.

Contexto: paleontologia brasileira em ascensão

Conforme o The Brighter Side of News, o Brasil acelerou descobertas paleontológicas nos últimos cinco anos.

Paleontóloga brasileira analisando fóssil do Dasosaurus tocantinensis
Pesquisadora analisa material fóssil em laboratório paleontológico. Imagem editorial.

De fato, o Maranhão hoje aparece como ponto-chave da bacia do Parnaíba. Em paralelo, regiões do Ceará e do Tocantins também concentram descobertas recentes.

Por outro lado, a China lidera em volume de espécies novas descritas por ano. O recente Haolong dongi de 125 milhões de anos é exemplo direto.

Por outro lado, conforme analistas científicos, o gargalo brasileiro está em financiamento de longo prazo e treinamento de equipes especializadas.

Comparação: o Dasosaurus tocantinensis em números

  • 20 metros de comprimento do corpo
  • 120 milhões de anos de idade — Cretáceo Inferior
  • 122 milhões de anos de idade do parente espanhol Garumbatitan
  • 130 milhões de anos atrás, a rota terrestre via norte da África
  • Davinópolis (MA): terminal rodo-ferroviário próximo a Imperatriz

De fato, em comparação, o Tyrannosaurus rex aparece somente cerca de 50 milhões de anos depois. O dinossauro maranhense representa um capítulo bem mais antigo da história dos dinossauros sul-americanos.

Em outras palavras, 20 metros equivalem a um ônibus articulado de 14 metros mais 6 metros adicionais. O peso estimado fica em torno de 15 a 20 toneladas.

E o Brasil? Por que a bacia do Parnaíba virou centro de descobertas

A bacia sedimentar do Parnaíba cobre cerca de 600 mil km² entre Maranhão, Piauí, Tocantins, Pará e Ceará. De acordo com geólogos da CPRM, é uma das maiores reservas paleontológicas do país.

Conforme estudos recentes, sedimentos cretáceos da bacia estão expostos em centenas de afloramentos. Por consequência, obras públicas e privadas frequentemente desencadeiam descobertas como a do Dasosaurus.

Em paralelo, a falta de equipes locais é o gargalo principal. Por exemplo, apenas três universidades do Norte e Nordeste têm laboratório paleontológico ativo.

De fato, o protocolo de monitoramento ambiental em terminais e rodovias é a porta de entrada institucional do material. Sem essa exigência legal, esses fósseis permaneceriam ocultos.

Ressalva: o a espécie tem material parcial

Conforme a equipe, o material coletado representa parte do esqueleto. Faltam o crânio completo e alguns ossos das patas dianteiras.

Por outro lado, a continuação da escavação está prevista. Por consequência, novas peças podem refinar a classificação proposta.

Será que o Brasil terá condições de investir em paleontologia na escala da Espanha ou da China? O caso saurópode brasileiro prova que material de classe mundial está literalmente sob nossos pés.

Ainda assim, o achado já foi publicado em periódico internacional. O novo nome entra para o catálogo oficial dos dinossauros sul-americanos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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