Bloqueio ao petróleo imposto por Trump aprofunda a crise energética em Cuba, gera apagões, pressiona a economia e provoca reações do governo cubano e da comunidade internacional.
O petróleo voltou ao centro de uma disputa internacional que promete abalar economias, governos e milhões de pessoas.
Cuba vive um dos momentos mais delicados de sua história recente após novas medidas dos Estados Unidos, liderados por Donald Trump, endurecerem o bloqueio econômico e energético contra a ilha.
As restrições atingem diretamente o fornecimento de petróleo, que ainda é a principal fonte de geração de eletricidade no país.
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Embora o embargo dure mais de seis décadas, agora o impacto se tornou ainda mais profundo. Além disso, a ameaça de sanções contra qualquer país que venda petróleo a Cuba criou um ambiente de medo no mercado internacional.
Como consequência, navios deixam de atracar, contratos são suspensos e o combustível simplesmente não chega.
Nova ordem dos EUA amplia o cerco ao petróleo cubano
No dia 29 de janeiro, Trump assinou uma Ordem Executiva que classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos.
A medida cita o alinhamento do governo cubano com Rússia, China e Irã. No entanto, o principal efeito prático foi o bloqueio ao comércio de petróleo.
Pela decisão, qualquer país que forneça petróleo à ilha passa a correr risco de sofrer tarifas e punições.
Antes disso, Cuba já enfrentava dificuldades para importar combustível. Agora, a situação se tornou ainda mais crítica.
De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, até 2023 cerca de 80% da eletricidade cubana dependia diretamente de derivados de petróleo. Ou seja, sem combustível, o país literalmente para.
Embaixador denuncia política “genocida”
Em entrevista concedida em Brasília, o embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, foi direto ao classificar a política dos Estados Unidos.
“Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. A soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba”, afirmou.

Segundo o diplomata, o bloqueio já vinha sendo ampliado desde o primeiro mandato de Trump.
Ao todo, foram mais de 243 medidas adicionais, muitas delas voltadas a dificultar o transporte de petróleo por navios ou até impedir que seguradoras cubram embarcações que abastecem a ilha.
Como o petróleo afeta tudo, da comida aos hospitais
A falta de petróleo não impacta apenas a geração de eletricidade. Ela atinge toda a cadeia econômica. Sem energia, hospitais enfrentam dificuldades para operar equipamentos.
Escolas perdem aulas. A indústria para. O transporte entra em colapso.
O próprio embaixador explicou que o país teve de adotar medidas extremas. Trabalhos foram reorganizados para que pessoas fiquem em casa sempre que possível.
Bairros e hospitais estão sendo priorizados no fornecimento limitado de eletricidade. Casas com crianças em situação de saúde delicada também passaram a receber prioridade.
Ainda assim, os apagões se tornaram rotina em todo o país.
Energia solar avança, mas não substitui o petróleo
Diante do bloqueio ao petróleo, Cuba passou a apostar pesado na energia solar. Segundo Curbelo, apenas no último ano foram instalados sistemas que geram cerca de 1.000 megawatts.
Isso elevou a participação da energia solar na geração nacional de 3% para cerca de 10%.
Durante o dia, quase 40% da eletricidade já vem dos painéis solares. Bancos, hospitais e centros de produção de alimentos estão sendo protegidos com sistemas fotovoltaicos.
Mesmo assim, o déficit de energia segue alto. O problema é que a infraestrutura cubana ainda é baseada em usinas termelétricas antigas, movidas a petróleo, e o país não tem recursos para modernizá-las nem capacidade de armazenamento suficiente para a eletricidade solar.
Turismo em colapso e aviões sem combustível
O bloqueio ao petróleo também afeta o turismo, uma das maiores fontes de dólares de Cuba. Sem combustível suficiente, algumas companhias aéreas passaram a suspender voos, inclusive empresas canadenses.
Segundo o embaixador, os EUA também tentam sufocar o turismo para cortar a entrada de divisas no país. Sem dólares, Cuba não consegue comprar alimentos, medicamentos nem, principalmente, petróleo.
“É por isso que falei de genocídio, porque o objetivo dessa medida é justamente privar o povo cubano de seus meios de subsistência”, declarou.
Na sua opinião, chamar as sanções dos Estados Unidos contra Cuba de “genocídio” é exagero ou reflete bem a gravidade da situação?


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