1. Início
  2. / Petróleo e Gás
  3. / Cuba está passando por um genocídio devido às sanções de Trump? Embaixador de Cuba no Brasil afirma que sim, já que o bloqueio ao petróleo afeta completamente a vida da população, impedindo o acesso à energia, escolas, transporte e serviços de saúde
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Cuba está passando por um genocídio devido às sanções de Trump? Embaixador de Cuba no Brasil afirma que sim, já que o bloqueio ao petróleo afeta completamente a vida da população, impedindo o acesso à energia, escolas, transporte e serviços de saúde

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 18/02/2026 às 10:38
Atualizado em 18/02/2026 às 10:41
Assista o vídeoBloqueio ao petróleo imposto por Trump aprofunda a crise energética em Cuba, gera apagões, pressiona a economia e provoca reações do governo cubano e da comunidade internacional.
Bloqueio ao petróleo imposto por Trump aprofunda a crise energética em Cuba, gera apagões, pressiona a economia e provoca reações do governo cubano e da comunidade internacional.
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Bloqueio ao petróleo imposto por Trump aprofunda a crise energética em Cuba, gera apagões, pressiona a economia e provoca reações do governo cubano e da comunidade internacional.

O petróleo voltou ao centro de uma disputa internacional que promete abalar economias, governos e milhões de pessoas

Cuba vive um dos momentos mais delicados de sua história recente após novas medidas dos Estados Unidos, liderados por Donald Trump, endurecerem o bloqueio econômico e energético contra a ilha. 

As restrições atingem diretamente o fornecimento de petróleo, que ainda é a principal fonte de geração de eletricidade no país.

Embora o embargo dure mais de seis décadas, agora o impacto se tornou ainda mais profundo. Além disso, a ameaça de sanções contra qualquer país que venda petróleo a Cuba criou um ambiente de medo no mercado internacional. 

Como consequência, navios deixam de atracar, contratos são suspensos e o combustível simplesmente não chega.

Nova ordem dos EUA amplia o cerco ao petróleo cubano

No dia 29 de janeiro, Trump assinou uma Ordem Executiva que classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos. 

A medida cita o alinhamento do governo cubano com Rússia, China e Irã. No entanto, o principal efeito prático foi o bloqueio ao comércio de petróleo.

Pela decisão, qualquer país que forneça petróleo à ilha passa a correr risco de sofrer tarifas e punições. 

Antes disso, Cuba já enfrentava dificuldades para importar combustível. Agora, a situação se tornou ainda mais crítica.

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, até 2023 cerca de 80% da eletricidade cubana dependia diretamente de derivados de petróleo. Ou seja, sem combustível, o país literalmente para.

Embaixador denuncia política “genocida”

Em entrevista concedida em Brasília, o embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, foi direto ao classificar a política dos Estados Unidos.

“Sem energia, tudo fica comprometido. O que eles fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio. Um país como Cuba, que precisa de petróleo para gerar eletricidade, simplesmente não pode importá-lo no exercício de seu direito soberano. A soberania do resto do mundo também foi violada pelos EUA, não apenas a de Cuba”, afirmou.

Segundo o diplomata, o bloqueio já vinha sendo ampliado desde o primeiro mandato de Trump. 

Ao todo, foram mais de 243 medidas adicionais, muitas delas voltadas a dificultar o transporte de petróleo por navios ou até impedir que seguradoras cubram embarcações que abastecem a ilha.

Como o petróleo afeta tudo, da comida aos hospitais

A falta de petróleo não impacta apenas a geração de eletricidade. Ela atinge toda a cadeia econômica. Sem energia, hospitais enfrentam dificuldades para operar equipamentos. 

Escolas perdem aulas. A indústria para. O transporte entra em colapso.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O próprio embaixador explicou que o país teve de adotar medidas extremas. Trabalhos foram reorganizados para que pessoas fiquem em casa sempre que possível. 

Bairros e hospitais estão sendo priorizados no fornecimento limitado de eletricidade. Casas com crianças em situação de saúde delicada também passaram a receber prioridade.

Ainda assim, os apagões se tornaram rotina em todo o país.

Energia solar avança, mas não substitui o petróleo

Diante do bloqueio ao petróleo, Cuba passou a apostar pesado na energia solar. Segundo Curbelo, apenas no último ano foram instalados sistemas que geram cerca de 1.000 megawatts. 

Isso elevou a participação da energia solar na geração nacional de 3% para cerca de 10%.

Durante o dia, quase 40% da eletricidade já vem dos painéis solares. Bancos, hospitais e centros de produção de alimentos estão sendo protegidos com sistemas fotovoltaicos.

Mesmo assim, o déficit de energia segue alto. O problema é que a infraestrutura cubana ainda é baseada em usinas termelétricas antigas, movidas a petróleo, e o país não tem recursos para modernizá-las nem capacidade de armazenamento suficiente para a eletricidade solar.

Turismo em colapso e aviões sem combustível

O bloqueio ao petróleo também afeta o turismo, uma das maiores fontes de dólares de Cuba. Sem combustível suficiente, algumas companhias aéreas passaram a suspender voos, inclusive empresas canadenses.

Segundo o embaixador, os EUA também tentam sufocar o turismo para cortar a entrada de divisas no país. Sem dólares, Cuba não consegue comprar alimentos, medicamentos nem, principalmente, petróleo.

“É por isso que falei de genocídio, porque o objetivo dessa medida é justamente privar o povo cubano de seus meios de subsistência”, declarou.

Na sua opinião, chamar as sanções dos Estados Unidos contra Cuba de “genocídio” é exagero ou reflete bem a gravidade da situação?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x