O Banco Central liga a queda em parte ao Pix e aos pagamentos eletrônicos, mas diz que o fator principal é a troca de cédulas gastas. A emissão chegou a despencar em 2021 e 2022, na pandemia, e depois voltou a subir, sinal de que o Pix explica só parte do movimento.
O dinheiro de papel está sumindo do bolso do brasileiro, já que a emissão de cédulas novas caiu 31% de 2020 a 2025, em meio à explosão do Pix, que virou o meio de pagamento mais frequente para 46% da população, enquanto o dinheiro vivo despencou de 42% para 22%. Segundo o NSC Total, o Banco Central aponta a ascensão do Pix e dos pagamentos digitais como um dos motivos para a redução na emissão de cédulas de real.
O dado, porém, precisa de contexto e não pode ser creditado apenas ao Pix. De acordo com o Banco Central, a emissão de cédulas novas depende da demanda da população e da necessidade de substituir as notas que já não têm condições de circular, e a demanda reduzida pelos meios eletrônicos explica só parte da queda. O órgão também considera que a pandemia afetou a emissão, com 2021 e 2022 entre os anos de menor produção do período.
O que o Pix tem a ver com a emissão de cédulas

O avanço dos pagamentos digitais é um dos fatores, mas não o único. O Banco Central cita a ascensão do Pix como um dos motivos para a emissão de cédulas novas ter caído 31% de 2020 a 2025. De acordo com o órgão, essa produção depende tanto da demanda da população quanto da troca das notas desgastadas, e o Pix entra apenas na primeira parte dessa conta.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
A própria autoridade monetária relativiza o peso do Pix. Segundo o Banco Central, a demanda reduzida pelos meios eletrônicos de pagamento, em especial o Pix, explica parte de uma eventual redução, mas o fator preponderante da estabilidade dos últimos anos é “a substituição das cédulas que não se encontram mais em condições de circular”. De acordo com o órgão, a pandemia também pesou, o que ajuda a explicar os números mais baixos de 2021 e 2022.
A trajetória irregular da emissão de cédulas
Os números mostram um sobe e desce, e não uma queda contínua. De acordo com os dados do Banco Central, a emissão foi alta em 2020, com cerca de 1,95 bilhão de cédulas, despencou para cerca de 438 milhões em 2021 e cerca de 782 milhões em 2022, os menores volumes do período, e depois se recuperou, com cerca de 1,33 bilhão em 2023, cerca de 1,35 bilhão em 2024 e cerca de 1,35 bilhão em 2025.
Por isso, os 31% dependem da base de comparação. A queda de 31% compara o volume alto de 2020 com o de 2025, ainda que a emissão venha subindo e se mantendo estável desde 2023, e não em colapso. O número de 2026, de cerca de 620 milhões de cédulas, cobre apenas até maio, ou seja, é um dado parcial e não comparável diretamente com os anos fechados, mesmo no cenário de avanço do Pix.
O Pix como meio de pagamento mais frequente
A mudança de hábito já aparecia em pesquisa oficial. Em 2024 o Banco Central divulgou o levantamento “O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro”, que mostrou o Pix como o meio de pagamento mais frequente para 46% da população, ante 17% em 2021. De acordo com a pesquisa, no mesmo intervalo o dinheiro em espécie caiu de 42% para 22% como meio mais usado.
No comércio, o recuo do dinheiro vivo foi ainda mais forte. De acordo com o Banco Central, o dinheiro em espécie era o meio de pagamento mais frequente em 52% dos estabelecimentos comerciais em 2018 e despencou para 7% em 2024. Segundo o levantamento, são bases de anos diferentes, mas o movimento confirma a perda de espaço do papel diante do Pix e dos cartões.
Como o Pix foi criado, de 2014 a 2020
A ideia começou anos antes do lançamento. Os primeiros estudos para um sistema nacional de pagamentos instantâneos ganharam força em 2014, no governo de Dilma Rousseff, quando o Banco Central passou a avaliar formas de modernizar a infraestrutura financeira e ampliar a inclusão digital. De acordo com a reportagem, o projeto avançou oficialmente em 2018, com um grupo de trabalho criado por portaria do Banco Central, já no governo de Michel Temer.
Depois disso, vieram as regras e a estreia. De acordo com o NSC Total, nos anos seguintes o órgão definiu as regras de funcionamento, os padrões de segurança e os mecanismos para permitir transferências em poucos segundos entre instituições diferentes. Segundo a reportagem, o Pix foi lançado oficialmente no fim de 2020 e permite o envio de recursos durante as 24 horas do dia, o que ajudou a acelerar a adesão.
A emissão de cédulas novas caiu 31% de 2020 a 2025, em meio à explosão do Pix, que virou o meio de pagamento mais frequente para 46% da população, enquanto o dinheiro em espécie recuou de 42% para 22%. Ainda assim, o Banco Central faz questão de relativizar: o Pix e os pagamentos eletrônicos explicam só parte da redução, e o fator principal da estabilidade recente é a troca das cédulas gastas, com a pandemia também influenciando.
Os dados mostram que a emissão despencou em 2021 e 2022 e voltou a se estabilizar em torno de 1,35 bilhão de notas desde 2023, de modo que os 31% refletem mais a base alta de 2020 do que um colapso contínuo do dinheiro de papel.
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