Estudo publicado na Frontiers in Earth Science identificou assinatura de hélio mantélico em fontes termais e poços da Falha de Kafue, sugerindo uma ligação profunda entre a superfície e o interior da Terra
Gases coletados em fontes termais e poços da Falha de Kafue, na Zâmbia, revelaram uma assinatura de hélio associada ao manto terrestre. O estudo, publicado na Frontiers in Earth Science, indica que a falha pode funcionar como caminho profundo entre a superfície e o interior do planeta.
Hélio nas fontes termais aponta ligação profunda
A descoberta se concentra no hélio encontrado em gases que saem de fontes termais da região. Esse gás pode funcionar como rastreador geológico porque sua composição isotópica ajuda a indicar se ele veio da crosta terrestre ou de regiões mais profundas.
Na Falha de Kafue, os pesquisadores identificaram uma assinatura que não corresponde apenas a processos comuns da superfície. Parte do gás analisado apresentou sinais compatíveis com fluidos ligados ao manto terrestre.
-
Quase ninguém sabe, mas Brian May, guitarrista do Queen, também é astrofísico e trabalhou com cientistas da ESA para investigar a origem de asteroides como Bennu e Ryugu usando simulações complexas e imagens 3D ligadas a missões espaciais
-
Maior meteorito conhecido em peça única pesa cerca de 60 toneladas, nunca foi levado a museu e ainda intriga cientistas por ter sobrevivido à queda quase inteiro e sem cratera evidente
-
Oceanógrafa viu redes de pesca abandonadas no mar de Ilha Grande, transformou lixo em bolsas, pochetes e renda para 20 pessoas, e agora fatura mais de R$ 35 mil por mês com negócio que começou pagando R$ 5 por sacola e virou impacto ambiental local no Rio de Janeiro sem sair da comunidade
-
Austrália espalha salsichas envenenadas pelo deserto e usa armadilhas, tiros e cercas para travar guerra contra gatos invasores que matam mais de 1,5 bilhão de animais nativos por ano, ameaçam mais de 200 espécies e transformam isca de carne em arma extrema de conservação
O ponto central do estudo é que essa falha pode ter aberto uma passagem suficientemente profunda para permitir a chegada de gases do interior da Terra até a superfície.

O que torna a Falha de Kafue importante
A Falha de Kafue fica no planalto central da Zâmbia e integra a Zona de Rift do Sudoeste Africano. Essa faixa de extensão crustal é observada como possível prolongamento do Sistema de Rift do Leste Africano.
Segundo o material analisado, o que faltava era uma prova geoquímica direta de que a ruptura não atingia apenas camadas rasas da crosta. A assinatura de hélio mantélico sugere uma estrutura mais profunda.
A interpretação apresentada no estudo é que a falha pode atravessar a litosfera, formada pela crosta e pela parte superior do manto. Isso reforça a relevância da região para entender fases iniciais de transformação tectônica continental.

Isótopos mostram diferença entre crosta e manto
A pesquisa comparou dois isótopos do hélio. O ⁴He é associado a processos crustais, pois surge pelo decaimento radioativo de elementos como urânio e tório em rochas antigas.
Já o ³He é raro na crosta e costuma indicar contribuição do manto. Por isso, a razão entre ³He e ⁴He foi usada como dado essencial para avaliar a origem dos gases.
Nas fontes associadas à zona do rift, as amostras apresentaram razão ³He/⁴He entre 0,14 e 0,17 R/Ra. Segundo o estudo, esses valores excedem em até 8 vezes o esperado apenas pela produção crustal local.
As amostras fora da falha não apresentaram o mesmo sinal. Esse contraste foi importante porque reforça que o fenômeno está concentrado na zona tectônica, e não distribuído de forma comum pela região.
Coletas compararam fontes e poços geotérmicos
A equipe analisou gases coletados em 8 pontos, incluindo fontes termais e poços geotérmicos dentro e fora da zona de falha. A comparação entre áreas afetadas e áreas-controle foi decisiva para a conclusão.
Entre os dados registrados, a concentração de hélio total chegou a 2,3% por volume nos gases superficiais da zona do rift. O nitrogênio apareceu como gás dominante, com composição compatível com fluidos crustais mobilizados.
O estudo também registrou a ausência da mesma assinatura de hélio e dióxido de carbono de origem mantélica fora da falha. Esse padrão fortalece a leitura de que a Falha de Kafue concentra a condução desses gases profundos.
Descoberta indica processo lento, não ruptura imediata
A presença de gases profundos não significa que a África vá se dividir em escala humana. O próprio contexto apresentado indica que o rifting continental ocorre em dezenas ou centenas de milhões de anos.
A divulgação da Frontiers afirma que as fontes termais da Zâmbia podem revelar sinais iniciais de uma nova fronteira tectônica. O Kafue Rift faz parte de uma zona de aproximadamente 2.500 km, da Tanzânia até a Namíbia.
A CNN tratou a descoberta como possível indício de ruptura continental em formação, mas o dado principal segue sendo geoquímico: gases do interior profundo estão chegando à superfície por uma falha ativa.
Além da importância científica, as concentrações de hélio também têm interesse econômico, já que o gás é usado em tecnologia médica, eletrônica e aplicações industriais. Ainda assim, o foco do estudo está na leitura geológica da região.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Frontiers in Earth Science, da divulgação da Frontiers e da CNN, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

