Supermercado de Jundiaí é condenado a pagar indenização por danos morais após criança discriminada na área kids, segundo sentença judicial.
Um supermercado de Jundiaí foi condenado a pagar indenização por danos morais à família de uma menina de quatro anos após um episódio de discriminação ocorrido na área kids do estabelecimento.
A sentença judicial, divulgada após ação apresentada em fevereiro deste ano, reconheceu que a abordagem de duas funcionárias terceirizadas causou constrangimento às crianças.
O caso aconteceu em 11 de dezembro de 2024, em Jundiaí, no interior de São Paulo.
-
Idosos que possuem mais de 60 anos podem viajar de graça pelo Brasil em viagens interestaduais: Estatuto da Pessoa Idosa garante 2 vagas gratuitas por ônibus e desconto de 50% quando elas se esgotam para quem recebe até 2 salários mínimos
-
Detran RJ passa a exigir exame toxicológico para quem for tirar primeira habilitação na categoria de carros e motos a partir de 29 de junho; veja quem será afetado
-
Flórida leva TikTok à Justiça e acusa a gigante chinesa ByteDance de ignorar lei que barra menores de 14 anos, enquanto pais e autoridades cobram mais proteção para crianças nas redes sociais
-
Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos; e agora?
A Justiça responsabilizou tanto o supermercado quanto a empresa terceirizada que administra o espaço infantil.
Segundo o processo, a forma como as funcionárias conduziram a situação motivou a penalização, aplicada porque a conduta configurou falha na prestação de serviço.
Sentença judicial aponta falha grave no atendimento
A sentença judicial determinou o pagamento de R$ 6 mil em indenização.
A Justiça analisou as evidências, incluindo os vídeos das câmeras internas, e definiu o valor ao concluir que as crianças passaram por constrangimento.
A mãe havia deixado a filha e o filho mais velho na área kids, que cobra R$ 60 pelo serviço.
O menino chorou e afirmou que não queria voltar ao local, dizendo que as funcionárias fizeram comentários discriminatórios sobre a irmã “porque ela possui pele parda e cabelo afrodescendente”.
Ele contou também ter ouvido as monitoras dizerem: “Essa neguinha está cheia de piolho”.
Vídeos mostram abordagem repetitiva e constrangedora
Nas imagens analisadas, as funcionárias perguntam mais de uma vez se a menina estaria com piolho. Em outro momento, uma delas aponta para outra criança e afirma: “Ela falou que você está”.
Os registros também mostram que as funcionárias se aproximam do irmão para questionar a higiene da menina.
Elas fazem gestos de esfregar a cabeça e perguntam se a mãe “tirou o piolho” e se “não mandou nem um elastiquinho para prender o cabelo”.
Além disso, um dos trechos indica que uma das monitoras teria tentado convencer o menino a não contar o ocorrido para a mãe, afirmando que isso poderia “dar problema”.
Para o juiz, esse conjunto de condutas demonstra que as crianças passaram por um constrangimento significativo, caracterizando uma falha na prestação do serviço.
Justiça descarta racismo, mas mantém indenização por danos morais
Embora a família tenha denunciado o caso inicialmente como racismo, a Justiça entendeu que não havia elementos suficientes para tipificar o ato como discriminação racial.
Segundo o magistrado, “não há como verificar se o questionamento sobre os piolhos teve ligação com preconceito racial”.
Supermercado de Jundiaí e GSK Kids se posicionam após repercussão
Em nota ao g1, a GSK empresa responsável pelas funcionárias afirmou que repudia qualquer forma de racismo e discriminação, e trabalha com foco no respeito, inclusão e segurança das crianças.
Assim, a companhia informou que lamenta o episódio e revisará processos internos para aprimorar o atendimento.
A empresa destacou que colaborou integralmente com o Judiciário, prestando esclarecimentos e conduzindo apuração interna sobre o caso.
Já o Assaí, responsável pelo supermercado de Jundiaí, declarou que não tolera atitudes discriminatórias.
Ademais, a rede afirmou que, ao tomar conhecimento da denúncia, cobrou explicações imediatas da GSK Kids e passou a acompanhar as medidas adotadas pela terceirizada.
Condição da área kids passa a ser questionada
O episódio reacende o debate sobre a qualidade do atendimento prestado por serviços terceirizados em área kids de supermercados e shoppings.
Para especialistas em defesa do consumidor, casos assim reforçam a necessidade de treinamento constante, supervisão e protocolos claros para lidar com crianças.
Ademais a condenação também coloca o foco sobre a responsabilidade solidária entre contratantes e terceirizadas, especialmente quando envolve menores de idade.

Como assim não foi preconceito? A expressão “essa negrinha” é o quê? Gente isso é um absurdo!
Quero distância de crianças dos outros
Acho que deveria ter uma lei proibindo entrada de menores de 10 anos em supermercado, lá não é local pra lazer!
E a mae que nao tem com quem deixar o filho faz compras como… É cada comentario!
A matéria é sobre a discriminação sofrida pelas crianças, independente do lugar onde estão. E além disso, todos temos o direito de ir e vir,e sermos respeitados, criança merece respeito, vc já foi criança.