Novo centro tecnológico em Brasília fortalece produção fora do eixo tradicional, amplia qualidade das uvas e acelera crescimento de regiões emergentes da vitivinicultura nacional
A imagem clássica do vinho brasileiro sempre esteve ligada às paisagens da Serra Gaúcha, no Sul do país. No entanto, nos últimos anos, esse cenário vem passando por uma transformação significativa. Gradualmente, o mapa da vitivinicultura nacional tem se expandido para novas regiões, especialmente no Cerrado, onde os chamados vinhos de inverno ganham cada vez mais destaque.
Nesse contexto de expansão, um novo marco reforça essa tendência. Em Brasília, será inaugurado um laboratório voltado à certificação e pesquisa, consolidando a presença da produção vitivinícola em regiões que antes não eram associadas ao setor, como o Centro-Oeste.
A informação foi divulgada por “CNN Brasil”, com base em dados do setor e entrevistas com representantes da indústria, destacando o crescimento acelerado e estratégico dessa nova fronteira produtiva.
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Além disso, essa movimentação representa não apenas uma mudança geográfica, mas também um avanço tecnológico que redefine os padrões de qualidade do vinho brasileiro.

Novo laboratório fortalece mais de 55 vinícolas e aposta em tecnologia
Com investimento de R$ 3,4 milhões, o Centro de Análises e Pesquisa da Vitivinicultura Brasileira surge como um divisor de águas para o setor. Desenvolvido em parceria entre a Anprovin (Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno) e a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), o espaço promete se tornar uma referência técnica no país.
O laboratório atenderá mais de 55 vinícolas, distribuídas pelo Sudeste, Centro-Oeste e também por novas fronteiras vitícolas, como a Chapada Diamantina, na Bahia. Dessa forma, amplia-se significativamente o suporte técnico para produtores que buscam elevar o padrão de qualidade dos seus produtos.
Além disso, a estrutura permitirá análises físico-químicas e sensoriais de alta precisão, algo essencial para garantir competitividade no mercado. Paralelamente, também serão oferecidos cursos, treinamentos e capacitações, fortalecendo a qualificação profissional no setor.
Segundo Cláudio Góes, presidente da Anprovin, a implantação do laboratório no Distrito Federal simboliza um avanço estratégico. Isso porque, ao mesmo tempo em que descentraliza a produção, cria um ambiente técnico-científico voltado à excelência, rastreabilidade e inovação.
Por outro lado, o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, reforça que o investimento também impulsiona a modernização do setor. Assim, as vinícolas ganham mais capacidade de investir em tecnologia e melhorar seus processos produtivos.
Técnica da dupla poda transforma produção e qualidade dos vinhos

O crescimento dos vinhos de inverno está diretamente ligado a um avanço científico que revolucionou o setor: a técnica da dupla poda, desenvolvida pelo pesquisador Murillo Regina, da Epamig.
Basicamente, o método altera o ciclo natural da videira, transferindo a colheita para o período seco do ano. Com isso, as uvas passam a se desenvolver em condições climáticas mais favoráveis, com menor incidência de chuvas e maior amplitude térmica.
Atualmente, estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal já fazem parte desse novo mapa produtivo. Nessas regiões, os produtores somam cerca de 1,2 milhão de videiras e uma produção anual próxima de 1 milhão de garrafas, com projeção de crescimento nos próximos três anos.
O processo da dupla poda envolve duas etapas principais ao longo do ano. Primeiramente, a poda ocorre em agosto. Em seguida, uma segunda intervenção é realizada em janeiro. A partir daí, o ciclo reinicia, com floração entre abril e maio e colheita entre o fim de julho e o início de agosto.
Durante esse período, predominam dias secos e ensolarados, combinados com noites mais frias. Consequentemente, essas condições favorecem a formação de uvas com características únicas, resultando em vinhos finos com identidade própria.
Portanto, além de expandir a produção para novas regiões, a técnica também contribui para elevar o padrão qualitativo dos vinhos brasileiros, posicionando o país de forma mais competitiva no cenário internacional.
