Entre pomares do Meio-Oeste, venda direta e doces artesanais, o figo roxo de Valinhos deixa os quintais e ganha espaço em Santa Catarina com manejo mais simples, alto valor agregado e cadeia que já projeta até 10 ou 12 toneladas em médio prazo
A paisagem do Meio-Oeste Catarinense está mudando com uma cultura que, por décadas, ficou restrita a quintais e pequenas propriedades: pomares de figo. Em abril de 2026, produtores e famílias rurais da região relatam um avanço consistente do cultivo, sustentado por três fatores que pesam no bolso e na rotina: baixo custo de implantação, manejo mais simples e boa aceitação no mercado.
O crescimento chama atenção porque o figo passa a ser visto como alternativa real de renda e organização da produção, especialmente entre agricultores familiares. O movimento combina cuidado diário do pomar, colheita no ponto certo e venda próxima do consumidor, além de um empurrão decisivo dado pela transformação da fruta em doces, compotas e geleias, uma saída para driblar a sensibilidade e a curta vida útil do fruto.
O que explica o avanço: pomares com baixo custo, manejo mais simples e demanda alta

O cultivo do figo ainda é discreto no estado e está longe de grandes cadeias produtivas, mas avança de forma consistente no Meio-Oeste. A variedade mais comum é o figo roxo de Valinhos, adaptado ao clima local e valorizado tanto para consumo in natura quanto para a produção de doces e compotas.
-
Consumidor come seis vezes mais frango que nos anos 1960, oferta global de carne quadruplica em 60 anos e relatório da FAO expõe a conta invisível no prato: pecuária pode puxar 80% da alta nas emissões agrícolas da próxima década
-
União Europeia oficializa veto que pode travar quase US$ 2 bilhões em carnes do Brasil a partir de setembro e acende alerta máximo no agro brasileiro
-
Brasil fica fora da lista da União Europeia para exportar carne bovina, frango, peixe, mel e outros produtos a partir de setembro por exigências sanitárias
-
Indonésia compra frango, carne e grãos do Brasil para abastecer 280 milhões de habitantes, mas o presidente do quarto país mais populoso do mundo declarou autossuficiência em arroz, zerou importações que chegaram a 4,52 milhões de toneladas e agora mira açúcar, soja e trigo em uma virada alimentar que pode mudar o que o agro brasileiro vende ao gigante asiático
Na rotina de quem planta, o pomar vira parte do dia a dia e ganha um sentido prático: é uma cultura que conecta trabalho, permanência no campo e proximidade com o consumidor. Essa dinâmica reduz distância entre produtor e mercado e reforça o valor do produto quando ele chega fresco, colhido e vendido em circuitos locais.
Uma cultura que impulsiona novos começos no campo: quando o pomar vira plano de renda
Na comunidade de Rondinha, em Videira, o figo marcou uma virada de chave. Depois de anos dedicados à produção de vinagre, o produtor Agostinho Zago conta que uma decisão motivada por questões de saúde levou à transição para uma atividade menos exigente fisicamente e com custos mais acessíveis.
O raciocínio se repete em diferentes propriedades: o figo exige menos mão de obra em comparação com outras frutíferas e não demanda um investimento inicial tão alto. O manejo inclui poda e controle fitossanitário, apontados como mais simples, o que facilita a entrada de novos produtores e abre espaço para pomares crescerem de forma gradual.
Os números que explicam o potencial: de 150 plantas a projeções de até 12 toneladas
À medida que o cultivo avança, a expansão do pomar vira estratégia. Em propriedades que apostam na cultura, há projeções de produção que podem alcançar até 10 ou 12 toneladas em médio prazo, dependendo do número de plantas e das condições de manejo.
Em Arroio Trinta, dentro de um sistema diversificado com caqui, ameixa e pêssego, um exemplo mostra como o figo entra como complemento: com cerca de 150 plantas, a expectativa de produção fica entre 1.300 e 1.600 quilos por safra, variando conforme as condições climáticas. A colheita é manual e exige atenção ao ponto ideal, com cuidado no manuseio por se tratar de uma fruta sensível.
O que muda na prática: venda direta, menos intermediários e mais valor no pomar
O avanço do figo não depende apenas do plantio, mas da forma de comercializar. Em muitos casos, a venda acontece de forma direta ao consumidor final, o que garante frescor, valoriza o produto e fortalece relações locais.
Ao reduzir intermediários, o produtor melhora a margem e ganha previsibilidade. Para pomares familiares, esse detalhe é decisivo: transforma uma cultura tradicional em alternativa de renda com mais controle sobre preço, qualidade e destino da produção.
Tradição que vira negócio: doces, compotas e agroindústria para não perder o fruto

A curta vida útil do figo faz a agroindustrialização ganhar protagonismo. Doces, compotas, geleias e a chimia de figo aparecem como caminho para evitar perdas e aumentar a rentabilidade, aproveitando um saber transmitido entre gerações, especialmente em famílias de origem italiana.
A produtora Lucia Maria Zago relata que a ideia de fazer chimia de figo vem da infância, quando via a mãe preparar o doce para a família, e descreve o preparo ligado ao fogo de chão, onde a fumaça se mistura com a fruta. Em Jaborá, esse artesanato evoluiu para uma agroindústria estruturada, capaz de absorver não apenas a produção própria, mas também a de outros agricultores, ampliando a cadeia e distribuindo renda.
Por que a demanda puxa a cadeia: quando falta doce de figo e sobram oportunidades
A lógica que acelera o setor é simples: a demanda por doces de figo supera a oferta local. Com isso, produtores passam a comprar matéria-prima de vizinhos, criando um circuito que beneficia mais famílias e dá destino ao fruto que, por ser sensível, poderia se perder com facilidade.
O aproveitamento integral também reforça a sustentabilidade da atividade. O figo maduro vira doce, o fruto fora do padrão encontra destino e até partes menos convencionais, como folhas, podem ser usadas em preparações, ampliando usos e reduzindo desperdício ao longo do processo.
Juventude, permanência e sucessão: pomares como escolha e não só herança
Além da renda, o figo tem papel na permanência de jovens no campo. Em alguns casos, voltar para a propriedade deixa de ser apenas continuidade familiar e passa a ser decisão baseada em oportunidade, qualidade de vida e identificação com o trabalho.
O jovem produtor Bruno Cividini resume essa relação com a atividade ao dizer que gosta do que faz e busca produzir com qualidade. Nesse cenário, a sucessão ganha novo significado: o conhecimento é herdado, mas também atualizado com novas práticas e estratégias de comercialização, tornando o sistema mais profissional e sustentável.
Do campo ao turismo: colheita, tacho e experiência que valoriza o pomar
O vínculo afetivo do consumidor com o figo também impulsiona o turismo rural. Em algumas propriedades, visitantes participam da colheita, acompanham o preparo dos doces e vivenciam práticas tradicionais ligadas à história local.
A proposta transforma o cotidiano em experiência: colher a fruta, ver o tacho no preparo e resgatar memórias de infância associadas aos quintais dos avós. Isso reforça o valor cultural do figo e cria uma vitrine adicional para pomares familiares que querem vender mais e se diferenciar.
Além do sabor: fibras, antioxidantes e minerais que ampliam o interesse pelo figo
O fruto também se destaca por benefícios nutricionais citados por produtores e pela tradição de consumo. O figo é rico em fibras, auxilia no funcionamento do intestino e promove maior saciedade. Antioxidantes são associados à prevenção do envelhecimento e de doenças, enquanto minerais como cálcio, magnésio e fósforo aparecem como aliados da saúde óssea.
Com valor nutricional, versatilidade e memória afetiva, o figo amplia o potencial de mercado e fortalece um modelo que combina pomares familiares, transformação artesanal e novas oportunidades de renda no Meio-Oeste Catarinense.
E para você: pomares de figo, com venda direta e doces artesanais, podem virar a próxima grande alternativa de renda para manter famílias no campo em Santa Catarina?

Gostei. É uma nova maneira de famílias obterem auto sustento, além de terem a vida sadia por viverem livres no campo!
Tenho um pomar em goias, com 200 pés de figo de Valinhos e, 500 pés de mini figos.
Muita esperança..