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Com 763 mil empréstimos consignados somando R$ 12 bilhões feitos em nome de crianças, INSS expõe brecha histórica que pode ter permitido fraude em massa por anos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 21/11/2025 às 09:33
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Com 763 mil empréstimos consignados somando R$ 12 bilhões feitos em nome de crianças, INSS expõe brecha histórica que pode ter permitido fraude em massa por anos
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INSS revela 763 mil empréstimos consignados feitos em nome de crianças e expõe falha crítica que pode indicar fraude em massa no crédito federal.

Em janeiro de 2025, o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, revelou um dado que imediatamente acendeu um alerta nacional: existem 763 mil empréstimos consignados ativos registrados em nome de menores de idade. A informação, confirmada pelo próprio órgão e divulgada por veículos como Metrópoles, Gazeta do Povo e UOL, aponta para um problema sistêmico que pode ter se arrastado por anos sem ser detectado.

Os números impressionam tanto pela dimensão quanto pelas implicações jurídicas e sociais. Somados, esses contratos representam mais de R$ 12 bilhões em crédito, concedidos a pessoas que, por lei, não podem contratar empréstimos — muito menos consignados, que exigem renda fixa, margem consignável e autorização direta do titular do benefício.

A revelação tornou-se um dos episódios mais graves relacionados à concessão de crédito vinculada ao INSS desde a criação das modalidades consignáveis.

Como menores de idade foram usados para emitir consignados? O que a investigação já sabe

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Segundo o presidente do órgão, os dados indicam que muitos contratos foram feitos utilizando CPFs de crianças que recebem benefícios assistenciais, como:

  • BPC (Benefício de Prestação Continuada)
  • pensões por morte concedidas a menores
  • pensões alimentícias judicialmente recebidas via INSS

O problema não é o recebimento do benefício em si que é legal e previsto na legislação, mas sim o uso desses CPFs para contratar empréstimos, muitas vezes sem conhecimento dos responsáveis legais.

As investigações iniciais apontam para três caminhos principais:

  1. Fraudes cometidas por terceiros, como atravessadores e correspondentes bancários.
  2. Uso indevido do CPF das crianças por familiares para conseguir crédito.
  3. Falhas no sistema de validação das instituições financeiras, que não barraram automaticamente CPFs de menores em suas plataformas.

Especialistas consultados pela Gazeta do Povo e pelo Metrópoles afirmam que, à luz da legislação civil, qualquer contrato firmado por incapaz é nulo. Ainda assim, os bancos passaram anos liberando empréstimos a CPFs que deveriam ser automaticamente bloqueados para consignado.

O tamanho do problema: um risco que pode abalar o sistema de crédito consignado

Os 763 mil contratos equivalem a quase toda a população de uma cidade de grande porte. O impacto financeiro é igualmente expressivo:

  • Valor médio por empréstimo: cerca de R$ 16 mil
  • Montante total estimado: R$ 12 bilhões a R$ 14 bilhões em consignados ativos

Além do prejuízo potencial às famílias, há risco significativo para:

  • segurança jurídica dos bancos, que podem ser obrigados a cancelar dívidas;
  • credibilidade do sistema consignado, hoje uma das principais linhas de crédito do país;
  • responsabilidade civil do Estado, caso seja comprovada falha de fiscalização.

O que o INSS vai fazer agora: revisão em massa e auditoria nacional

Após a revelação pública, o presidente Gilberto Waller determinou:

  • auditoria completa nos sistemas de concessão;
  • cruzamento de dados entre instituições financeiras e o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS);
  • bloqueio imediato de novos consignados feitos em CPFs de menores;
  • notificação direta aos bancos para que revisem e expliquem os contratos existentes;
  • criação de uma força-tarefa interinstitucional com CGU, Banco Central e Ministério da Previdência.

Bancos terão que justificar:

  • por que os sistemas não barraram CPFs com idade inferior a 18 anos;
  • como comprovaram autorização dos representantes legais;
  • se houve intermediários ou correspondentes envolvidos nos contratos.
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O que diz a lei: menores são absolutamente incapazes para contratar empréstimos

De acordo com o Código Civil brasileiro:

  • menores de 18 anos são considerados incapazes para atos da vida civil;
  • não podem contratar empréstimos;
  • não podem firmar contratos financeiros sem representação legal;
  • e o consignado, por possuir desconto automático em benefício, exige consentimento expresso do titular — o que é impossível quando se trata de crianças.

Portanto, todos os contratos firmados podem ser anulados judicialmente, e há previsão de responsabilização civil por parte de bancos e correspondentes, além de possível enquadramento em crimes financeiros.

A revelação dos 763 mil consignados em nome de menores coloca o Brasil diante de uma crise institucional que envolve:

  • falhas tecnológicas,
  • fiscalização insuficiente,
  • possível fraude em larga escala,
  • e risco aos direitos de crianças e adolescentes.

As próximas semanas serão decisivas, enquanto o INSS, Banco Central e CGU aprofundam as investigações e começam a definir quem será responsabilizado por uma brecha que nunca deveria ter existido.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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