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Cientistas vão morar no fundo do mar em “casa submarina” a 17 metros de profundidade, onde até 4 mergulhadores poderão investigar o oceano por mais tempo e estudar amostras frágeis antes que a descompressão destrua seus segredos

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Escrito por Ana Alice Publicado em 13/07/2026 às 22:21 Atualizado em 13/07/2026 às 22:23
Vanguard, habitat submarino da DEEP, permitirá pesquisas contínuas a 17 metros de profundidade e estudos sobre corais e o corpo humano. (Imagem: Ilustrativa)
Vanguard, habitat submarino da DEEP, permitirá pesquisas contínuas a 17 metros de profundidade e estudos sobre corais e o corpo humano. (Imagem: Ilustrativa)
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Um habitat instalado no fundo do mar começa a testar uma nova rotina de pesquisa científica, unindo tecnologia, engenharia e permanência humana em condições extremas para ampliar a observação contínua dos oceanos.

Instalado a 17 metros de profundidade em Tennessee Reef, no arquipélago de Florida Keys, nos Estados Unidos, o Vanguard foi projetado para manter até quatro aquanautas vivendo e trabalhando no fundo do mar durante cinco dias ou mais.

O habitat subaquático da empresa de engenharia oceânica DEEP deverá servir como base para pesquisas marinhas, restauração de corais, monitoramento ambiental e estudos sobre o comportamento humano em condições extremas.

A instalação foi concluída em 30 de junho de 2026, dentro do Santuário Marinho Nacional de Florida Keys.

Desde então, o projeto passou para as etapas de testes de aceitação no mar, comissionamento e preparação das equipes responsáveis pela operação.

A página oficial do Vanguard informa que nenhuma missão científica tripulada havia sido anunciada até a atualização mais recente.

Embora seja chamado informalmente de “casa submarina”, o Vanguard combina funções de alojamento, laboratório, centro de mergulho e sistema de suporte à vida.

A parte habitável mede aproximadamente 10,7 metros de comprimento por 2,5 metros de largura e fica presa a uma estrutura instalada sobre o fundo arenoso.

Segundo a DEEP, trata-se do primeiro habitat humano de mar aberto construído, testado e instalado nos Estados Unidos em cerca de 40 anos.

A estrutura foi apresentada ao público em Miami, na Flórida, em 29 de outubro de 2025, antes de ser transportada e fixada no local escolhido para as operações.

Como é viver dentro do Vanguard

O espaço interno foi planejado para permitir que quatro tripulantes realizem tarefas cotidianas sem precisar retornar à superfície ao fim de cada mergulho.

A área habitável reúne locais para dormir, trabalhar, preparar refeições e usar instalações sanitárias.

Em uma seção separada, o centro de mergulho abriga os equipamentos usados nas atividades externas.

É também nessa parte que fica a chamada piscina lunar, uma abertura no piso que funciona como passagem direta entre o interior do habitat e o mar.

A água não invade o ambiente porque a pressão do ar dentro da estrutura acompanha a pressão da água no lado externo.

Esse sistema permite que os aquanautas entrem e saiam pelo fundo do módulo durante as missões, desde que estejam usando os equipamentos adequados.

Na superfície, uma boia conectada ao Vanguard fornece gases respiratórios, energia elétrica e comunicação.

O sistema também mantém contato com uma base em terra, responsável por acompanhar as condições do habitat, coordenar as atividades e responder a possíveis emergências.

Sensores instalados no conjunto deverão continuar registrando dados ambientais mesmo quando não houver pessoas a bordo.

A proposta é produzir medições repetidas de fatores como qualidade da água, temperatura e condições do recife, evitando que as observações fiquem limitadas aos períodos curtos de mergulho.

Imagem: Divulgação/DEEP
Imagem: Divulgação/DEEP

Pressão e descompressão no habitat Vanguard

A permanência prolongada em um ambiente pressurizado exige procedimentos diferentes dos adotados em mergulhos recreativos.

No Vanguard, a pressão interna deverá ser equivalente à pressão da água na profundidade em que o habitat foi instalado.

Com o passar do tempo, os tecidos do corpo absorvem gases inertes presentes na mistura respiratória.

Depois que o organismo atinge o ponto de saturação, o mergulhador pode permanecer naquela profundidade sem acumular indefinidamente mais tempo de descompressão.

Isso não significa que o retorno à superfície possa ocorrer de maneira imediata.

Ao término da missão, os aquanautas precisam passar por uma descompressão gradual e controlada, permitindo que os gases dissolvidos sejam eliminados com segurança.

Uma subida rápida pode provocar a formação de bolhas no sangue e nos tecidos, condição associada à doença descompressiva.

Por esse motivo, o Vanguard funciona também como uma estrutura de controle de pressão, com protocolos destinados a reduzir os riscos aos ocupantes.

Durante as atividades externas, os tripulantes poderão receber ar por meio de cabos umbilicais conectados ao sistema do habitat.

Além do suprimento respiratório, esses cabos podem transportar comunicação e outros recursos necessários ao trabalho fora do módulo.

Pesquisa no fundo do mar preserva amostras

Um dos objetivos científicos do Vanguard é permitir que pesquisadores analisem organismos e materiais sem retirá-los imediatamente de seu ambiente natural.

A mudança de pressão durante a subida pode modificar características físicas, celulares ou moleculares de determinadas amostras.

Em entrevista ao portal ScienceAlert, a diretora de pesquisa científica da DEEP, Dawn Kernagis, explicou que o processo de descompressão pode interferir no material levado à superfície.

“Você não está realmente vendo como essa amostra era em profundidade”, afirmou a pesquisadora.

Com um laboratório instalado no próprio fundo do mar, parte do processamento poderá ser realizada pouco depois da coleta.

A medida tende a reduzir o intervalo entre a retirada da amostra e sua análise, além de preservar condições mais próximas das encontradas no ambiente original.

Kernagis também deverá integrar uma das primeiras tripulações do Vanguard.

A pesquisadora participou anteriormente da missão submarina NEEMO 21, programa da Nasa que utiliza habitats no fundo do mar para testar procedimentos, equipamentos e dinâmicas de equipe semelhantes aos encontrados em operações espaciais.

Design do Vanguard - Imagem: Reprodução/Deep
Design do Vanguard – Imagem: Reprodução/Deep

Recifes de coral estão entre os focos científicos

A localização em Tennessee Reef foi escolhida por oferecer acesso a uma área de interesse para pesquisas sobre recifes de coral.

De acordo com a DEEP, as atividades previstas incluem monitoramento de branqueamento, doenças, sedimentação, acidificação da água e efeitos de tempestades.

O habitat também poderá apoiar o cultivo, a instalação e o acompanhamento de corais produzidos em viveiros.

Como os aquanautas permanecerão próximos à área pesquisada, será possível repetir medições e observar mudanças ao longo de vários dias consecutivos.

Outras frentes planejadas envolvem levantamentos de espécies, análise de cadeias alimentares e testes de sensores e ferramentas de coleta.

Os projetos específicos, porém, dependerão das instituições científicas participantes e do cronograma que será divulgado após a conclusão dos testes operacionais.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, mantém uma longa atuação com estruturas subaquáticas voltadas à pesquisa em Florida Keys.

Eddie Kertis, superintendente do santuário marinho, declarou que a chegada de um novo habitat amplia a infraestrutura disponível para estudos e para a gestão ambiental da região.

Corpo humano será estudado em ambiente extremo

Nem todas as investigações previstas estarão concentradas no oceano.

A própria permanência dos aquanautas dentro do Vanguard poderá produzir dados sobre como o corpo responde à pressão, ao isolamento e à convivência em espaços restritos.

Segundo Dawn Kernagis, pesquisas desse tipo podem analisar mudanças moleculares, cardiovasculares e neurológicas relacionadas à exposição a ambientes extremos.

A dinâmica das equipes, a capacidade de executar tarefas e os efeitos psicológicos do confinamento também podem ser observados.

Essas condições apresentam pontos em comum com missões espaciais, regiões de grande altitude e outros locais nos quais os participantes não conseguem abandonar rapidamente o ambiente.

Por isso, a empresa inclui o treinamento de astronautas e de equipes especializadas entre as possíveis aplicações do habitat.

Antes de receber missões regulares, o Vanguard ainda precisa concluir o processo de classificação técnica acompanhado pela DNV, organização internacional que atua na avaliação e certificação de estruturas marítimas.

A DEEP pretende que o projeto seja o primeiro habitat subaquático classificado pela entidade.

A certificação não havia sido concluída na atualização oficial mais recente.

Os testes abrangem os sistemas internos, a boia de suporte, o monitoramento remoto, a integração entre os equipamentos e o funcionamento do conjunto no local definitivo.

Vanguard servirá de teste para o habitat Sentinel

Os resultados obtidos com o Vanguard deverão orientar o desenvolvimento do Sentinel, projeto de habitat modular também criado pela DEEP.

A proposta é reunir unidades que possam ser configuradas de acordo com o número de ocupantes, a profundidade e os objetivos de cada missão.

A empresa afirma que o Sentinel poderá operar tanto com pressão semelhante à do ambiente externo quanto com pressão equivalente à encontrada ao nível do mar.

O primeiro modelo permitiria saídas de mergulhadores por piscinas lunares, enquanto o segundo possibilitaria visitas de pessoas sem formação em mergulho, transportadas em submersíveis.

A versão modular também foi planejada para ser removida, reorganizada e instalada em outras regiões.

Apesar de a empresa ter divulgado anteriormente a intenção de avançar com o sistema a partir de 2027, o site atual do projeto não apresenta uma data confirmada para o início das operações.

Enquanto o Sentinel permanece em desenvolvimento, o Vanguard será usado para avaliar na prática a construção, a manutenção e a rotina de uma base humana no fundo do mar.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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