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Cientistas querem colocar 6 espaçonaves pulverizando bário, lítio ou sódio no campo magnético da Terra para frear tempestades solares

Publicado em 11/06/2026 às 13:54
Atualizado em 11/06/2026 às 13:56
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Imagem: Ilustração artística
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Sistema proposto por pesquisadores da Universidade de Boston usaria seis espaçonaves para liberar partículas ionizadas no espaço, reforçar a magnetosfera e reduzir em mais de 50% a intensidade de tempestades geomagnéticas

Uma equipe liderada por Brian Walsh, da Universidade de Boston, propôs o StormWall, um sistema para reforçar a magnetosfera da Terra com plasma artificial e reduzir a força de tempestades solares. Simulações com a tempestade geomagnética de maio de 2024 indicaram queda de mais de 50% na intensidade do evento.

Cientistas querem jogar substâncias no espaço para frear tempestades solares
Diagrama esquemático do conceito de carregamento de massa. Naves espaciais em órbita geossíncrona liberam material que se desloca para a magnetopausa do lado diurno. A geometria mostra um corte no plano equatorial da Terra.
Crédito: Space Weather

StormWall quer transformar defesa espacial em ação preventiva

A proposta parte de um problema conhecido da chamada meteorologia espacial: a Terra já conta com a magnetosfera, um escudo natural contra partículas carregadas vindas do Sol, mas eventos extremos podem pressionar esse sistema de proteção.

Quando isso acontece, tempestades geomagnéticas podem afetar satélites, sistemas de GPS, redes elétricas e comunicações globais.

Até agora, a estratégia científica mais comum tem sido prever esses eventos e preparar os sistemas vulneráveis.

O StormWall muda esse raciocínio. Em vez de apenas reagir às tempestades solares, a ideia é tentar reduzir sua intensidade antes que elas causem maior impacto no ambiente próximo à Terra.

Walsh resumiu a mudança de abordagem ao afirmar, em comunicado, que as pessoas costumavam pensar que era preciso apenas aceitar o que vinha do Sol, mas que os pesquisadores descobriram ser possível influenciar esse processo.

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Como o plasma artificial reforçaria a magnetosfera

O conceito prevê uma frota de seis espaçonaves em órbita geossíncrona. Cada uma levaria um “material de carga de massa”, como bário, lítio, sódio ou cálcio, substâncias que poderiam ser armazenadas e vaporizadas quando uma tempestade solar fosse detectada.

Depois da liberação, a luz solar ionizaria rapidamente essas partículas, transformando o material em uma nuvem de plasma eletricamente carregado. Esse plasma se moveria em direção à região da magnetosfera voltada para o Sol.

Na prática, a nuvem artificial engrossaria o escudo natural da Terra. O objetivo seria interromper a reconexão magnética, processo que permite a entrada de energia solar no espaço próximo ao planeta.

Com essa barreira extra, parte dos ventos solares incidentes seria desviada ao redor da Terra. Walsh comparou a proposta a um muro de contenção erguido antes da cheia de um rio.

Cientistas querem jogar substâncias no espaço para frear tempestades solares
Evolução temporal do processo de acúmulo de massa em comparação com uma simulação de referência. Os painéis (a) a (f) apresentam a densidade de massa simulada no plano da eclíptica em seis épocas diferentes ao longo da tempestade, tanto para a simulação de referência quanto para a simulação de acúmulo de massa. Os eixos X e Y são coordenadas geocêntricas solares magnetosféricas em unidades de raios terrestres. O quadro inferior (g) mostra as condições correspondentes do vento solar, com linhas verticais marcando as épocas correspondentes aos painéis (a) a (f). Crédito: Space Weather

Simulação usou a tempestade geomagnética de maio de 2024

Para testar o StormWall, os pesquisadores realizaram simulações computacionais com base na tempestade geomagnética de maio de 2024, chamada no material de tempestade do Dia das Mães.

Um modelo representou as condições normais da tempestade. O outro incluiu o escudo artificial de plasma.

A comparação indicou que o sistema não impediria completamente o evento, mas poderia reduzir sua intensidade em mais de 50%.

Esse resultado é o ponto central do estudo, porque mostra um possível caminho para diminuir danos a satélites e estruturas terrestres em tempestades solares fortes.

Segundo Walsh, ao aplicar “física de verdade”, o sistema funciona. Ele também afirmou que a quantidade de massa necessária e a capacidade de lançamento estão dentro das possibilidades atuais.

Proteção seria global, mas sistema precisaria ser recarregado

O estudo publicado na revista Space Weather aponta que o conceito é tecnologicamente viável, mas ainda funciona como uma solução de uso único. O plasma se dissipa em aproximadamente seis horas.

Isso significa que, para enfrentar novas tempestades solares, o sistema precisaria ser recarregado. Mesmo assim, os pesquisadores destacam que a proteção teria alcance planetário.

Walsh afirmou que, se fosse construído e implantado, o StormWall ajudaria todas as pessoas do planeta, sem possibilidade de proteger apenas um país ou um grupo específico de satélites.

O material também aponta baixo risco de contaminação a longo prazo, já que as partículas ionizadas seriam rapidamente dispersas pelo vento solar.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da revista Space Weather e do comunicado atribuído à equipe liderada por Brian Walsh, da Universidade de Boston, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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