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Cientistas encontram buraco azul com mais de 424 metros na Baía de Chetumal, tentam medir o fundo e equipamento não consegue chegar ao fim

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 14/02/2026 às 12:58 Atualizado em 14/02/2026 às 13:00
Medições indicam que o buraco azul Taam ja’ supera 424 metros e ainda não teve o fundo confirmado na Baía de Chetumal.
Medições indicam que o buraco azul Taam ja’ supera 424 metros e ainda não teve o fundo confirmado na Baía de Chetumal.
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Novas medições realizadas em dezembro de 2023 na Baía de Chetumal mostram que o buraco azul Taam ja’ ultrapassa 424 metros de profundidade, supera a estimativa anterior de 274 metros e apresenta camadas de água com características distintas, sem que o fundo tenha sido alcançado

Cientistas identificaram que o buraco azul Taam ja’, na Baía de Chetumal, supera 424 metros de profundidade, após duas expedições em dezembro de 2023. As novas medições ultrapassam a estimativa anterior de 274 metros e não alcançaram o fundo.

O buraco azul Taam ja’ está localizado sob a superfície aparentemente calma da Baía de Chetumal. A formação, descrita como uma dolina subaquática, tornou-se foco de investigação após leituras iniciais de sonar indicarem cerca de 274 metros de profundidade.

As medições mais recentes, no entanto, revelaram valores muito superiores. Em duas descidas com perfilador CTD, foram registrados cerca de 416 metros em um dia e aproximadamente 423,6 metros em outro, sem que o instrumento alcançasse o fundo.

Buraco azul Taam ja’ e a necessidade de determinar formato e profundidade

O buraco azul é considerado potencial laboratório natural. Estruturas desse tipo podem conectar-se a sistemas de cavernas sob o fundo do mar ou acumular camadas de sedimentos que registram tempestades passadas, mudanças climáticas e variações no nível do mar.

Antes de investigar essas questões, os pesquisadores precisam determinar o formato do buraco azul e sua profundidade real. A ausência de um valor definitivo impede análises mais detalhadas sobre estabilidade das camadas e processos internos.

A incerteza inicial surgiu porque o plano era simples: mapear com sonar, obter a profundidade e concluir a etapa preliminar. Contudo, as primeiras leituras levantaram a possibilidade de que Taam ja’ fosse mais profundo do que sugeriam os números iniciais.

Limitações do sonar em um buraco azul estratificado

O sonar funciona enviando ondas sonoras e medindo o tempo de retorno do eco. Em condições normais, é método confiável. No entanto, em um buraco azul, alterações de temperatura e salinidade podem curvar ou dispersar as ondas sonoras.

Se o sinal ricochetear em paredes inclinadas, saliências ou irregularidades, pode retornar antes do previsto. O retorno antecipado faz o equipamento identificar um fundo que não corresponde ao ponto mais profundo real.

Além disso, o formato de um buraco azul raramente é um tubo reto. Pode inclinar-se, estreitar-se, abrir-se em câmaras ou ramificar-se. Nesse cenário, um dispositivo descido verticalmente pode não atingir o ponto mais profundo diretamente abaixo da abertura.

Observações de mergulhadores nos primeiros 30 metros

Para compreender a parte superior do buraco azul, mergulhadores exploraram até cerca de 30 metros. Abaixo da superfície turva da baía, o contorno da abertura tornou-se mais visível.

As paredes não eram uniformes. Em determinados trechos, o material parecia macio e frágil. Algumas superfícies estavam recobertas por biofilmes, camadas viscosas formadas por microrganismos.

Ao final do mergulho, as paredes mostraram-se mais íngremes, com rocha mais firme e menos revestimentos visíveis. Essas observações reforçaram a complexidade estrutural do buraco azul.

Medição com perfilador CTD e aumento da profundidade registrada

Diante das limitações do sonar, a equipe utilizou um perfilador CTD, sigla para condutividade, temperatura e profundidade. A condutividade permite estimar salinidade, a temperatura é medida diretamente e a profundidade é calculada pela pressão.

A pressão aumenta de forma previsível, cerca de uma atmosfera a cada 10 metros de água do mar. Por isso, medições baseadas em pressão tendem a ser mais confiáveis quando a acústica é comprometida.

Durante duas expedições em dezembro de 2023, um barco foi ancorado sobre o buraco azul. O CTD foi baixado por cabo de aproximadamente 500 metros. As leituras indicaram profundidades menores que o comprimento do cabo.

Isso sugere que o instrumento não desceu em linha reta. Correntes podem deslocar o cabo lateralmente, e o interior do buraco pode direcionar o equipamento por trajetórias inclinadas.

Em um dos dias, o CTD atingiu cerca de 416 metros abaixo do nível do mar. Em outro, alcançou aproximadamente 423,6 metros, ainda sem tocar o fundo. Assim, concluiu-se que o buraco azul tem mais de 1.390 pés de profundidade.

Estratificação em camadas dentro do buraco azul

Além da profundidade, o CTD revelou forte estratificação. Foram detectadas várias picnoclinas, faixas onde a densidade varia rapidamente. Essas zonas resistem à mistura, mantendo camadas separadas por longos períodos.

Próximo à superfície, as condições eram típicas de estuário, com água mais quente e menos salina que o oceano aberto. Isso corresponde a uma baía parcialmente fechada que recebe aporte de água doce.

À medida que o instrumento descia, temperatura e salinidade mudavam em etapas, com saltos abruptos marcando limites nítidos. Abaixo de aproximadamente 400 metros, a tendência se inverteu.

A temperatura começou a subir levemente, enquanto a salinidade aumentou ainda mais. Essa combinação indica que a água mais profunda possui origem distinta, com assinatura própria.

Comparações com águas regionais mostraram que as camadas superiores coincidem com a água mista da baía. Já as camadas profundas apresentam valores mais típicos de água marinha do Caribe.

Esse dado não comprova a existência de um grande túnel aberto conectando diretamente o buraco azul ao Caribe. Contudo, reforça que a água profunda não provém apenas da baía acima.

Contexto geológico e próximos passos no estudo do buraco azul

A Península de Yucatán é formada majoritariamente por calcário, rocha que se dissolve ao longo do tempo, criando vazios e redes de cavernas. Mudanças históricas no nível do mar inundaram muitos desses espaços.

Esse contexto geológico torna plausível a existência de sistemas complexos onde água doce e água do mar se encontram e se movem de forma intricada. O próximo objetivo é obter modelo 3D detalhado do interior.

Também se busca confirmar a profundidade real do fundo do buraco azul. Com essa base, será possível investigar estabilidade das camadas, variações de oxigênio e outros compostos químicos, além de comunidades microbianas.

Por enquanto, o buraco azul Taam ja’ é definido em parte pelo desconhecido. Sabe-se que ultrapassa 424 metros e que o fundo não foi alcançado. Esses fatos alteram o planejamento de mergulhos futuros e estratégias de amostragem.

Se águas mais profundas entram no sistema e se as camadas permanecem separadas, o buraco azul não é apenas um poço profundo. Trata-se de estrutura conectada, estruturada e ativa, cuja compreensão ainda está em desenvovlimento.

O estudo completo foi publicado na revista Frontiers in Marine Science.

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Daniel
Daniel
15/02/2026 09:31

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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