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Cientistas brasileiros da USP descobriram que ondas ultrassônicas de alta frequência fazem o vírus da COVID-19 e da gripe explodirem, num fenômeno que o coordenador do estudo comparou à pipoca estourando, sem causar nenhum dano às células humanas dos pacientes

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/05/2026 às 10:54
Atualizado em 08/05/2026 às 10:57
Cientistas da USP descobrem que ultrassom faz vírus da COVID-19 e da gripe explodirem como pipoca, sem ferir células humanas. Estudo na Scientific Reports.
Cientistas da USP descobrem que ultrassom faz vírus da COVID-19 e da gripe explodirem como pipoca, sem ferir células humanas. Estudo na Scientific Reports.
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Cientistas brasileiros da USP descobriram que ondas ultrassônicas de alta frequência fazem o vírus da COVID-19 e da gripe H1N1 explodirem por um fenômeno chamado ressonância acústica, comparado pelo coordenador do estudo ao estouro da pipoca, sem causar dano às células humanas, em pesquisa publicada na revista Scientific Reports.

Cientistas brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que ondas ultrassônicas de alta frequência podem eliminar os vírus da COVID-19 e da gripe H1N1 sem danificar células humanas. A técnica usa frequências semelhantes às de exames médicos de rotina e abre nova frente terapêutica contra doenças virais.

A descoberta foi publicada na revista científica Scientific Reports e divulgada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O fenômeno, chamado ressonância acústica, causa alterações estruturais nas partículas virais até a ruptura completa e a inativação do agente infeccioso.

Os pesquisadores demonstraram que ondas sonoras de alta frequência são capazes de romper a membrana protetora do vírus sem afetar os tecidos do paciente. A energia transmitida pelo ultrassom altera a forma das partículas virais até que elas se rompam.

A comparação usada pelo coordenador do estudo se tornou referência da pesquisa. “Neste estudo, comprovamos que a energia das ondas sonoras causa uma alteração morfológica nas partículas virais a ponto de elas explodirem, em um fenômeno comparável ao que acontece com a pipoca”, explicou o professor Odemir Martinez Bruno, do Instituto de Física da USP e coordenador do estudo.

A técnica pode ser aplicada também a outras doenças virais com alto impacto na saúde pública. A equipe segue com testes in vitro contra dengue, zika e chikungunya, patologias que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

Como as ondas ultrassônicas conseguem eliminar o vírus da COVID-19 sem ferir células

O mecanismo que destrói o vírus da COVID-19 e da gripe H1N1 é a ressonância acústica. Trata-se de fenômeno em que a estrutura do patógeno absorve energia das ondas sonoras até se deformar.

À medida que essa estrutura se degrada, a membrana protetora do vírus se rompe. Sem essa proteção, o agente infeccioso perde a capacidade de invadir as células humanas e fica inviável para causar a doença.

A precisão do ataque é o ponto central da descoberta. A ressonância acústica é seletiva: apenas o vírus absorve a energia das ondas e fica desestabilizado, enquanto o tecido humano não sofre dano perceptível.

A faixa de frequência usada pela equipe está entre 3 e 20 megahertz, mesma ordem de grandeza dos exames médicos comuns. Esse intervalo distingue a técnica do ultrassom de baixa frequência usado para descontaminar equipamentos cirúrgicos e odontológicos, processo que destrói qualquer material biológico por cavitação e que não pode ser aplicado em pacientes.

A diferença entre os dois usos do ultrassom é fundamental para entender o avanço. O método de cavitação destrói indiscriminadamente. A ressonância acústica de alta frequência mira apenas no vírus.

Por que a descoberta brasileira sobre COVID-19 surpreende a física clássica

A pesquisa contraria expectativas teóricas que prevaleciam na física clássica. Pelas regras tradicionais, o comprimento de onda do ultrassom é muito maior que o tamanho do vírus, o que teoricamente impediria qualquer interação direta entre os dois.

Apesar disso, os experimentos mostraram que a interação acontece e produz efeito mensurável. A descoberta sugere que existe um mecanismo físico ainda não totalmente compreendido que permite às ondas sonoras agirem sobre estruturas muito menores do que seu próprio comprimento.

A surpresa científica deu peso adicional ao trabalho. Reunir evidência experimental que aparentemente contradiz a teoria estabelecida exige rigor metodológico e ferramentas avançadas de visualização.

Para conseguir essa visualização em tempo real, a equipe brasileira contou com colaboração internacional de peso. Charles Rice, professor da Universidade Rockefeller nos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2020, contribuiu com vírus fluorescentes que permitiram observar a destruição das partículas em tempo real.

A pesquisa reuniu físicos teóricos, acústicos e virologistas de diversas instituições brasileiras. A combinação de áreas é o que sustenta a credibilidade do achado, já que cada perspectiva valida o fenômeno por um ângulo diferente.

O que o tratamento por ultrassom contra COVID-19 pode mudar na medicina

O caminho convencional para combater vírus envolve o desenvolvimento de medicamentos antivirais. É um processo longo, caro e com resultados incertos, frequentemente esbarrando em mutações virais e em efeitos colaterais nos pacientes.

A técnica brasileira propõe alternativa diferente. Em vez de atacar o vírus quimicamente, a abordagem usa energia física para inviabilizá-lo. O professor Flávio Protásio Veras, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em Minas Gerais e pesquisador de pós-doutorado financiado pela Fapesp, classificou a estratégia como “promissora” contra vírus envelopados em geral.

“O desenvolvimento de antivirais químicos é complexo e difícil de se alcançar”, afirmou Veras. Segundo o pesquisador, a ressonância acústica representa solução “verde”, já que “não gera resíduos, não causa impacto ambiental e não promove resistência viral”.

A não geração de resistência viral é diferencial relevante. No tratamento convencional, vírus expostos a antivirais frequentemente sofrem mutações que tornam o medicamento menos eficaz, problema crescente em saúde pública global.

Como a destruição por ondas sonoras atua na estrutura física do vírus e não em alvos moleculares específicos, a expectativa é que o patógeno não consiga desenvolver resistência ao método. Isso, se confirmado em estudos clínicos, mudaria a equação de combate a doenças virais por décadas.

Quais doenças virais podem ser tratadas com a técnica brasileira além da COVID-19

A equipe começou com testes em COVID-19 e gripe H1N1, mas o alcance potencial da técnica é muito maior. Vírus envelopados (categoria que inclui COVID-19, gripe, dengue, zika e chikungunya) compartilham a estrutura de membrana que a ressonância acústica é capaz de romper.

Os próximos testes in vitro estão concentrados nessas três doenças tropicais. Dengue, zika e chikungunya causam epidemias frequentes no Brasil e em outros países de regiões tropicais e subtropicais, e nenhuma delas tem tratamento antiviral específico de uso amplo.

Se a técnica funcionar contra essas doenças, o impacto na saúde pública pode ser enorme. Estima-se que centenas de milhões de pessoas vivam em áreas de risco para essas patologias, e o método não exigiria fabricação de medicamentos diferentes para cada vírus.

A possibilidade de aplicação é diversa. Equipamentos de ultrassom já existem em hospitais, clínicas e até em consultórios médicos, infraestrutura que poderia ser adaptada para uso terapêutico se a técnica for validada em fase clínica.

O caminho até a aplicação em pacientes ainda é longo. Estudos in vitro precisam ser seguidos de testes em animais e depois em humanos, processo que costuma levar anos. Mas o ponto de partida estabelecido pelos pesquisadores brasileiros é animador para a ciência nacional.

E você, achou impressionante esse achado da USP? Acha que o ultrassom pode mesmo virar tratamento contra a COVID-19 e a gripe? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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