1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Cientistas abriram múmia de 300 anos na Áustria e ficaram surpresos ao descobrir que o corpo foi embalsamado por um método tão bizarro que não existe nenhum outro caso igual registrado na história da humanidade
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Cientistas abriram múmia de 300 anos na Áustria e ficaram surpresos ao descobrir que o corpo foi embalsamado por um método tão bizarro que não existe nenhum outro caso igual registrado na história da humanidade

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/04/2026 às 15:12
Atualizado em 19/04/2026 às 15:14
Cientistas abriram múmia de 300 anos na Áustria e descobriram embalsamamento sem incisão, feito por via retal. O homem morreu de tuberculose. Caso único na ciência.
Cientistas abriram múmia de 300 anos na Áustria e descobriram embalsamamento sem incisão, feito por via retal. O homem morreu de tuberculose. Caso único na ciência.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
13 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Estudo na Frontiers in Medicine revelou que uma múmia do século 18 numa cripta da Áustria foi submetida a embalsamamento sem incisão, com materiais inseridos por via retal, técnica jamais documentada, e que o homem morreu de tuberculose aos 37 anos segundo análises da Universidade de Munique.

Uma múmia conhecida como “capelão seco ao ar” repousava há séculos numa cripta de igreja na localidade austríaca de Blasenstein, cercada de lendas que lhe atribuíam poderes curativos, até que um vazamento na estrutura em 2025 permitiu que pesquisadores finalmente examinassem o corpo com ferramentas modernas. Andreas Nerlich, professor da Universidade de Munique, liderou a equipe que conduziu tomografias, análises químicas e datação por radiocarbono, e os resultados publicados na Frontiers in Medicine revelaram três descobertas simultâneas: a provável identidade do homem, sua causa de morte por tuberculose e um método de embalsamamento que nenhum outro registro histórico ou científico jamais documentou. A múmia, em estado notável de preservação, pertence provavelmente a Franz Xaver Sidler von Rosenegg, vigário local que faleceu em 1746 com 37 anos.

O que tornou este caso único na Áustria e no mundo é o modo como o corpo foi preservado. As tomografias mostraram que as cavidades internas da múmia estavam repletas de lascas de madeira, fibras de linho e cânhamo e vestígios de um composto à base de zinco, materiais que absorveram umidade e impediram a proliferação de bactérias ao longo de três séculos. O detalhe perturbador: o corpo não possui nenhum corte na superfície. A equipe concluiu que todo o material foi introduzido por uma abertura natural, provavelmente por via retal, técnica de embalsamamento que Nerlich classificou como o único caso registrado na história da ciência.

A identidade do homem escondido dentro da múmia

Cientistas abriram múmia de 300 anos na Áustria e descobriram embalsamamento sem incisão, feito por via retal. O homem morreu de tuberculose. Caso único na ciência.

A datação por radiocarbono indicou que o óbito ocorreu entre 1734 e 1780, e a faixa etária apontada ficou entre 35 e 45 anos. Esses dados coincidem com os registros históricos de Franz Xaver Sidler von Rosenegg, vigário que serviu na Áustria rural e morreu em 1746. A convergência entre cronologia, idade e contexto geográfico fortalece a associação, embora a confirmação definitiva exija evidências complementares.

A análise isotópica revelou hábitos alimentares compatíveis com os de um clérigo de paróquia: dieta centrada em cereais e carne. No entanto, os dados sugerem que o homem preservado na múmia pode ter passado por restrição alimentar nos meses finais de vida, possivelmente em consequência das privações impostas pela Guerra de Sucessão Austríaca, conflito que devastou a região durante a década de 1740 e afetou o abastecimento de comunidades rurais em toda a Áustria.

A tuberculose que matou o clérigo e o rosário que confundiu os cientistas

Um exame de raio-X feito no início dos anos 2000 havia detectado um corpo estranho no interior da múmia, alimentando durante duas décadas a teoria de que o vigário poderia ter sido envenenado. O novo estudo descartou completamente essa hipótese: o objeto era uma conta esférica perfurada, peça de um rosário que ficou retida no corpo durante o procedimento de preservação. Sem nenhum indício de substância tóxica, os pesquisadores redirecionaram a investigação para causas naturais.

A conclusão, detalhada na Frontiers in Medicine, aponta para hemorragia pulmonar aguda provocada por tuberculose em estágio avançado. A doença figurava entre as principais causas de óbito na Europa do século 18, e a múmia apresenta sinais internos consistentes com infecção crônica nos pulmões. A tuberculose teria debilitado o clérigo ao longo de anos até o episódio hemorrágico fatal, cenário compatível tanto com o perfil etário quanto com as condições sanitárias da Áustria rural daquele período.

O embalsamamento que nunca foi visto antes em nenhuma múmia do mundo

Cientistas abriram múmia de 300 anos na Áustria e descobriram embalsamamento sem incisão, feito por via retal. O homem morreu de tuberculose. Caso único na ciência.

A revelação mais impactante do estudo na Frontiers in Medicine é a técnica utilizada para conservar o corpo. As tomografias identificaram que as cavidades do abdômen e da pelve estavam completamente preenchidas com fragmentos de madeira, fibras vegetais de linho e cânhamo e resíduos de um composto de zinco com propriedades antimicrobianas. Essa combinação funcionou como sistema de absorção de líquidos e barreira contra a decomposição bacteriana, explicando por que a múmia manteve pele e tecidos íntegros por três séculos.

O aspecto sem precedentes é que nenhum corte foi feito na superfície do corpo. Na mumificação egípcia, os embalsamadores abriam o abdômen com lâminas para remover órgãos e inserir substâncias conservantes, procedimento que deixava marcas evidentes. Na múmia austríaca, a pele está intacta em toda a extensão. A equipe de Nerlich concluiu que a única via possível para a inserção dos materiais foi a abertura natural do reto, procedimento de embalsamamento que nunca apareceu em nenhum outro caso catalogado pela ciência. O professor confirmou que se trata de um registro sem paralelo na literatura.

O que esta múmia revela sobre a morte e a preservação na Áustria do século 18

O estudo amplia o entendimento sobre como comunidades europeias fora dos grandes centros tratavam seus mortos. Na Áustria rural do século 18, técnicas sofisticadas de conservação eram normalmente reservadas à aristocracia e ao alto clero, o que torna o embalsamamento de um vigário de paróquia um fato excepcional. Alguém considerou o corpo daquele homem digno de preservação e investiu tempo e recursos num procedimento complexo, mesmo dispondo de meios limitados.

A múmia do “capelão seco ao ar” permanece na cripta de Blasenstein, agora carregando uma história que a ciência documentou em detalhes. O homem que provavelmente se chamava Sidler, que comia cereais e carne, que adoeceu de tuberculose e morreu aos 37 anos na Áustria devastada pela guerra, foi submetido a um embalsamamento que ninguém antes dele recebeu e que a Frontiers in Medicine acaba de apresentar ao mundo como caso absolutamente inédito. Trezentos anos depois, a múmia continua surpreendendo qualquer pessoa que se aproxime da sua história.

E você, imaginava que uma múmia europeia pudesse guardar um segredo tão estranho? Acha que o embalsamador sabia o que estava fazendo ou improvisou com os recursos que tinha? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x