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Cidadania italiana pode voltar para milhões de brasileiros: Corte Constitucional marca para 11 de março de 2026 julgamento que pode derrubar lei 74/2025, acabar com limite de duas gerações e reabrir caminho ao passaporte europeu para ítalo-descendentes no Brasil inteiro

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 02/12/2025 às 15:57
Corte Constitucional julga a lei 74/2025 que limita a cidadania italiana; decisão pode devolver o passaporte europeu a milhões de ítalo-descendentes.
Corte Constitucional julga a lei 74/2025 que limita a cidadania italiana; decisão pode devolver o passaporte europeu a milhões de ítalo-descendentes.
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Corte Constitucional da Itália vai decidir em 11 de março de 2026 se a lei 74/2025 é válida e se a cidadania italiana continuará limitada a duas gerações ou voltará a alcançar milhões de ítalo-descendentes brasileiros interessados no passaporte europeu por direito de sangue em todo o Brasil e exterior.

Em 11 de março de 2026, a Corte Constitucional da Itália vai julgar se a Lei 74/2025, que restringiu a cidadania italiana a apenas duas gerações de descendentes, viola ou não a Constituição do país. A decisão pode reabrir o caminho do passaporte europeu para parte dos cerca de 32 milhões de ítalo-descendentes que vivem no Brasil.

As novas regras passaram a valer para quem protocolou o pedido de reconhecimento a partir de 28 de março de 2025 ou ainda pretende iniciar o processo, depois de um decreto do governo publicado em 27 de março e transformado em Lei 74/2025 em maio. Se a norma for derrubada, pode voltar a prevalecer o entendimento de que não há limite de gerações para a cidadania por descendência.

O que mudou com a Lei 74/2025

A Lei 74/2025 determinou que a cidadania passe a ser reconhecida apenas para duas gerações de descendentes, ou seja, filhos e netos de italianos.

Antes da mudança, qualquer geração podia pedir o reconhecimento, desde que conseguisse comprovar documentalmente toda a linha de ascendência até o ancestral italiano.

Na prática, bisnetos, trinetos e descendentes de gerações mais distantes ficaram automaticamente excluídos da possibilidade de solicitar o passaporte europeu com base na origem familiar.

A mudança atingiu diretamente quem apresentou pedido de reconhecimento da cidadania a partir de 28 de março de 2025 e todos os brasileiros que ainda estavam se preparando para entrar na fila.

Com a nova regra, milhares de ítalo-brasileiros ficaram de fora do acesso à cidadania e ao passaporte europeu, aguardando a palavra final da Corte Constitucional.

O julgamento de março de 2026 se tornou o ponto de virada para quem viu o sonho interrompido pela limitação de duas gerações.

Por que a lei é questionada na Corte Constitucional

O jurista italiano radicado no Brasil David Manzini, CEO da Nostrali Cidadania Italiana, avalia que as chances de a Lei 74/2025 ser considerada inconstitucional são significativas.

Segundo ele, o artigo 77 da Constituição italiana permite que o governo publique decretos apenas em situações extraordinárias de necessidade e urgência, o que não se comprovaria no caso da mudança das regras da cidadania.

As críticas à lei também se apoiam em uma decisão recente da própria Corte Constitucional, em um processo que discutia a norma anterior.

Naquela sentença, os juízes afirmaram que não existe limite geracional para o reconhecimento da cidadania italiana por descendência, o que é visto como um forte indicativo de como o tribunal pode se posicionar agora ao analisar a lei aprovada em 2025.

Se a Corte entender que houve abuso na forma como o governo editou o decreto que deu origem à Lei 74/2025, todo o arranjo que restringe a cidadania a duas gerações pode ruir, abrindo espaço para uma revisão ampla das regras.

O que pode acontecer a partir de 11 de março de 2026

Caso os juízes concluam que a Lei 74/2025 viola a Constituição, a Corte Constitucional poderá determinar que Parlamento e governo revisem ou revoguem o texto, para adequá-lo aos princípios constitucionais da Itália.

A decisão terá efeito vinculante e passará a orientar os tribunais em processos futuros, criando um precedente obrigatório.

Para os ítalo-descendentes brasileiros, um eventual reconhecimento de inconstitucionalidade tende a reabrir o caminho para processos de cidadania italiana sem limite de gerações, sobretudo para quem teve o pedido protocolado depois da entrada em vigor da nova norma ou ainda não conseguiu iniciar o procedimento.

O impacto deve se estender a descendentes que vivem tanto no Brasil como em outros países com forte presença de famílias de origem italiana.

Por outro lado, se a lei for mantida, consolida-se o cenário de forte restrição, em que apenas filhos e netos de italianos continuam com direito ao reconhecimento, deixando de fora uma parcela expressiva dos descendentes que hoje enxergam o passaporte europeu como oportunidade de estudo, trabalho ou moradia no exterior.

Quem decide o futuro da cidadania na Itália

A Corte Constitucional é a instância máxima responsável por interpretar e proteger a Constituição italiana, em posição semelhante à do Supremo Tribunal Federal no Brasil.

Criado em 1956, o tribunal tem como função principal verificar se leis e atos normativos respeitam a Constituição de 1948, derrubando o que estiver em desacordo com seus princípios fundamentais.

O colegiado é formado por 15 juízes escolhidos de forma equilibrada entre os poderes do Estado.

Cinco são indicados pelo Presidente da República, cinco são eleitos pelo Parlamento e cinco vêm dos órgãos superiores da magistratura, o que busca garantir diversidade de origem institucional nas decisões.

É esse grupo de 15 magistrados que, em 11 de março de 2026, vai definir o rumo da cidadania italiana para milhões de descendentes no Brasil e no exterior, ao dizer se a limitação a duas gerações permanece em vigor ou se o direito por descendência volta a alcançar famílias de várias gerações.

E você, tem ascendência italiana na família e acompanha o tema da cidadania italiana ou está descobrindo agora como essa decisão pode mudar os seus planos e os dos seus parentes?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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