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China lança satélite que faz uma “tomografia” da Terra, enxerga além do olho humano e promete revelar ouro, metano, lavouras doentes e ameaças ambientais invisíveis, enquanto prepara uma constelação de 158 unidades até 2030

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/05/2026 às 10:59
Atualizado em 17/05/2026 às 11:01
Assista o vídeoSatélite hiperespectral da China observa detalhes invisíveis da Terra e amplia usos em agricultura, mineração e monitoramento ambiental. (Imagem: Ilustrativa)
Satélite hiperespectral da China observa detalhes invisíveis da Terra e amplia usos em agricultura, mineração e monitoramento ambiental. (Imagem: Ilustrativa)
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Novo satélite chinês usa tecnologia hiperespectral para observar a Terra em detalhes invisíveis às câmeras comuns, com aplicações que vão da agricultura à mineração e ao monitoramento ambiental.

A China colocou em órbita, em 16 de março de 2026, o Xiguang-1 06, satélite comercial hiperespectral desenvolvido para observar a Terra por meio da identificação de assinaturas espectrais de materiais.

Lançado pelo foguete Kuaizhou-11 Y7 a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste chinês, o equipamento faz parte de uma constelação planejada para ampliar o uso de dados espaciais em agricultura, mineração, monitoramento ambiental e gestão de carbono.

O satélite foi desenvolvido pela Zhongke Xiguang Aerospace, empresa chinesa especializada em sensoriamento remoto hiperespectral.

Segundo informações divulgadas pela companhia e pela imprensa estatal chinesa, o Xiguang-1 06 opera com cobertura de 400 a 2.500 nanômetros, faixa que abrange desde a luz visível até o infravermelho de ondas curtas.

Essa cobertura permite captar dados que não aparecem em imagens convencionais.

Em vez de registrar apenas formas, cores e contornos, sensores hiperespectrais analisam como diferentes materiais refletem ou absorvem a radiação eletromagnética.

A partir desse padrão, é possível diferenciar tipos de vegetação, solos, minerais, corpos d’água e estruturas artificiais.

Lançamento do Foguete - Imagem: Reprodução/© CCTV+
Lançamento do Foguete – Imagem: Reprodução/© CCTV+

Como funciona um satélite hiperespectral

Satélites tradicionais registram a superfície terrestre em poucas faixas do espectro.

Já os hiperespectrais dividem a luz refletida por cada alvo em várias bandas estreitas, formando uma espécie de “impressão digital” de cada material.

Essa técnica é usada no sensoriamento remoto para separar elementos que podem parecer semelhantes em uma imagem comum.

Uma floresta, por exemplo, pode aparecer como uma única massa verde em uma fotografia orbital.

Com sensores hiperespectrais, pesquisadores conseguem diferenciar espécies vegetais, identificar mudanças na saúde das plantas e detectar sinais de estresse antes que eles sejam perceptíveis a olho nu.

A análise depende de modelos técnicos, calibração dos instrumentos e comparação com dados de referência.

A comparação com uma tomografia computadorizada foi usada por Kou Yimin, engenheiro-chefe da Zhongke Xiguang Aerospace, para explicar a proposta do satélite.

Segundo ele, o equipamento não observa apenas a forma da superfície, mas também pode analisar a composição de materiais, acompanhar plantações e identificar riscos ecológicos que não seriam evidentes em imagens comuns.

O que torna o Xiguang-1 06 diferente

O Xiguang-1 06 foi apresentado pelo China Daily como o primeiro satélite comercial hiperespectral em órbita no país com cobertura completa de 400 a 2.500 nanômetros.

De acordo com a publicação, o equipamento trabalha com 26 bandas espectrais independentes e enviou imagens nítidas nas primeiras 24 horas após chegar à órbita.

A faixa observada pelo satélite inclui o visível, o infravermelho próximo e o infravermelho de ondas curtas.

No sensoriamento remoto, essas regiões do espectro são usadas para identificar diferenças físicas e químicas entre materiais.

Em lavouras, por exemplo, plantas saudáveis e plantas sob estresse podem apresentar respostas distintas em determinados comprimentos de onda, mesmo quando parecem semelhantes em uma imagem comum.

Esse tipo de dado é aplicado em tarefas que exigem mais do que reconhecimento visual.

Em áreas agrícolas, a tecnologia pode apoiar o acompanhamento do crescimento das culturas e indicar variações associadas a irrigação, doenças ou condições do solo.

Em estudos de vegetação, o Serviço Geológico dos Estados Unidos aponta que dados hiperespectrais contribuem para modelos, mapas e sistemas de monitoramento mais detalhados de culturas agrícolas e cobertura vegetal.

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Aplicações em agricultura, mineração e meio ambiente

Na China, as primeiras aplicações citadas para o Xiguang-1 06 incluem o monitoramento de culturas de alto valor em Sichuan e Yunnan, como chá e plantas usadas na medicina tradicional chinesa.

Em regiões de mineração no noroeste do país, o satélite também é utilizado para apoiar alertas sobre riscos geológicos, entre eles deslizamentos de terra, segundo informações divulgadas pelo China Daily.

O uso da tecnologia não se limita ao setor agrícola.

O sensoriamento hiperespectral também é empregado em geologia, mapeamento de recursos minerais, avaliação da qualidade do solo e estudos ambientais.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos descreve a técnica como uma ferramenta utilizada no mapeamento mineral e em aplicações terrestres e planetárias.

Essa identificação ocorre porque minerais, rochas, solos e plantas refletem a luz de maneiras diferentes.

Ao comparar esses padrões com bibliotecas espectrais, pesquisadores podem reconhecer materiais presentes na superfície e mapear áreas que exigem análise técnica adicional.

Em projetos recentes, dados hiperespectrais também têm sido usados para estudar a mineralogia de grandes extensões e apoiar levantamentos relacionados a minerais críticos.

No monitoramento ambiental, a mesma abordagem pode auxiliar na observação de alterações em corpos d’água, mudanças na vegetação e sinais associados a atividades industriais.

Ainda assim, a interpretação dos dados não depende apenas do satélite.

Cada aplicação exige validação em campo, cruzamento com outras bases de informação e análise de especialistas.

Constelação Xiguang prevê 158 satélites até 2030

O Xiguang-1 06 integra a série Xiguang, planejada pela Zhongke Xiguang Aerospace para formar uma constelação de observação da Terra.

Segundo a empresa, o plano prevê 158 satélites até 2030, sendo 108 unidades hiperespectrais de uso geral, 40 voltadas ao monitoramento de carbono e 10 com funções específicas.

A companhia afirma atuar em diferentes etapas da cadeia do setor, desde a concepção dos satélites até a operação da constelação e a oferta de serviços de dados.

Em seu site, a Zhongke Xiguang se apresenta como uma empresa comercial de sensoriamento remoto hiperespectral criada em janeiro de 2021 e vinculada ao ecossistema do Instituto de Óptica e Mecânica de Precisão de Xi’an, ligado à Academia Chinesa de Ciências.

A expansão desse tipo de serviço ocorre em um momento de crescimento do uso comercial de dados espaciais.

Durante anos, missões hiperespectrais em órbita estiveram mais associadas a programas governamentais e científicos.

Mais recentemente, empresas passaram a desenvolver constelações próprias para atender setores como agricultura, mineração, gestão florestal, monitoramento de carbono e acompanhamento de recursos hídricos.

No caso da China, a constelação Xiguang é apresentada como uma estrutura voltada à coleta frequente de dados espectrais em diferentes regiões.

Uma rede com maior número de satélites pode reduzir o intervalo entre observações de uma mesma área e ampliar a disponibilidade de informações para governos, empresas e centros de pesquisa.

A efetividade desse sistema, porém, depende da qualidade dos sensores, da regularidade das medições e da capacidade de transformar os sinais captados em dados verificáveis.

A ideia de uma “tomografia” da Terra resume a tentativa de observar o planeta para além de formas e cores.

O objetivo técnico é identificar pistas químicas e físicas registradas na luz refletida por solos, plantações, rochas, florestas e corpos d’água.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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