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Ela acompanha a Terra, mas não é uma lua: sonda chinesa alcança Kamo’oalewa e inicia uma missão inédita para investigar de onde veio o estranho asteroide, como é sua estrutura interna e se sua origem está ligada a uma antiga colisão que lançou fragmentos da superfície lunar para o espaço

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 22/06/2026 às 08:49
Atualizado em 22/06/2026 às 08:53
Sonda chinesa Tianwen-2 se aproxima do asteroide Kamo’oalewa, com a Terra visível ao fundo no espaço
Ilustração mostra uma sonda chinesa próxima à superfície rochosa de Kamo’oalewa, asteroide conhecido como quase-lua da Terra.
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Missão lançada pela China em maio de 2025 teria alcançado o asteroide em junho de 2026 e agora prepara uma operação inédita para recolher 100 gramas de material, analisar a estrutura do objeto e esclarecer sua possível ligação com a Lua

A sonda chinesa Tianwen-2 teria alcançado o asteroide 469219 Kamo’oalewa, uma das chamadas “quase-luas” que acompanham a Terra ao redor do Sol.

Agora, a missão entra em uma etapa decisiva. A nave deverá mapear a superfície, escolher um ponto seguro e tentar recolher amostras do objeto espacial.

Segundo informações divulgadas pelo Live Science, a aproximação teria ocorrido em 7 de junho de 2026. Entretanto, a Administração Espacial Nacional da China ainda não confirmou oficialmente o cronograma detalhado.

Caso a operação siga o planejamento divulgado, a sonda tentará tocar a superfície em 4 de julho de 2026. Além disso, poderá se fixar e perfurar o asteroide.

Kamo’oalewa acompanha a Terra, mas não é uma lua

Descoberto em 2016, Kamo’oalewa não gira diretamente ao redor da Terra, como acontece com a Lua.

Na prática, o objeto orbita o Sol em uma trajetória muito semelhante à terrestre. Por isso, ele parece acompanhar o planeta durante seu deslocamento pelo Sistema Solar.

Consequentemente, os astrônomos classificam Kamo’oalewa como um quase-satélite da Terra.

A China lançou a Tianwen-2 em maio de 2025. Desde então, a nave seguiu em direção ao asteroide para iniciar uma missão de coleta e retorno de amostras.

Se a operação alcançar o resultado esperado, a sonda deverá recolher aproximadamente 100 gramas de material. Posteriormente, a missão pretende trazer a carga de volta à Terra em novembro de 2027.

Asteroide rochoso diante da Terra representa Kamo’oalewa, quase-lua investigada pela sonda chinesa Tianwen-2.
Ilustração mostra um pequeno asteroide próximo à Terra, representação associada a Kamo’oalewa, a “quase-lua” investigada pela missão chinesa Tianwen-2

Possível origem lunar intriga pesquisadores

Além da coleta, a missão pretende responder uma das principais dúvidas sobre Kamo’oalewa: o asteroide pode ter se desprendido da Lua?

Em 2021, observações mostraram que o objeto reflete a luz de maneira semelhante às rochas encontradas na superfície lunar.

Assim, ganhou força a hipótese de que uma colisão na Lua tenha lançado Kamo’oalewa ao espaço.

Posteriormente, em 2024, pesquisadores apontaram a cratera Giordano Bruno, localizada no lado oculto lunar, como possível ponto de origem.

Entretanto, os cientistas ainda não comprovaram essa ligação. Portanto, somente a análise direta das amostras poderá oferecer respostas mais conclusivas.

Segundo Li Chunlai, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências, os especialistas ainda desconhecem a composição e a origem do asteroide.

Para ele, a equipe só encontrará respostas definitivas depois de concluir a exploração e analisar o material coletado.

Tianwen-2 poderá realizar perfuração inédita no asteroide

Antes de pousar, a Tianwen-2 deverá permanecer próxima de Kamo’oalewa para mapear sua superfície.

Desse modo, os responsáveis pela missão poderão avaliar o terreno e escolher uma área com menores riscos para a nave.

Caso a superfície apresente material solto, um braço robótico poderá recolher as amostras. Outras missões espaciais já utilizaram esse método.

Por outro lado, se o terreno for mais rígido, a sonda poderá pousar, prender-se ao asteroide e perfurar a rocha.

Essa abordagem representaria uma operação inédita nesse tipo de corpo celeste, sobretudo devido ao tamanho reduzido e à baixa gravidade de Kamo’oalewa.

Missão pode revelar estrutura e composição de Kamo’oalewa

Além de investigar sua possível origem lunar, a missão poderá mostrar como o asteroide se organiza internamente e quais materiais formam sua superfície.

Segundo Marco Fenucci, pesquisador ligado à Agência Espacial Europeia, o debate sobre a origem de Kamo’oalewa permanece aberto.

Por isso, a análise das amostras poderá confirmar ou enfraquecer a hipótese de que o objeto nasceu de um fragmento arrancado da Lua.

Ao mesmo tempo, os resultados poderão ampliar o conhecimento sobre asteroides próximos da Terra e sobre a formação do Sistema Solar.

Por fim, as informações obtidas pela Tianwen-2 também poderão contribuir para estudos futuros sobre observação de asteroides e defesa planetária.

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Caio Aviz

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