Missão lançada pela China em maio de 2025 teria alcançado o asteroide em junho de 2026 e agora prepara uma operação inédita para recolher 100 gramas de material, analisar a estrutura do objeto e esclarecer sua possível ligação com a Lua
A sonda chinesa Tianwen-2 teria alcançado o asteroide 469219 Kamo’oalewa, uma das chamadas “quase-luas” que acompanham a Terra ao redor do Sol.
Agora, a missão entra em uma etapa decisiva. A nave deverá mapear a superfície, escolher um ponto seguro e tentar recolher amostras do objeto espacial.
Segundo informações divulgadas pelo Live Science, a aproximação teria ocorrido em 7 de junho de 2026. Entretanto, a Administração Espacial Nacional da China ainda não confirmou oficialmente o cronograma detalhado.
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Caso a operação siga o planejamento divulgado, a sonda tentará tocar a superfície em 4 de julho de 2026. Além disso, poderá se fixar e perfurar o asteroide.
Kamo’oalewa acompanha a Terra, mas não é uma lua
Descoberto em 2016, Kamo’oalewa não gira diretamente ao redor da Terra, como acontece com a Lua.
Na prática, o objeto orbita o Sol em uma trajetória muito semelhante à terrestre. Por isso, ele parece acompanhar o planeta durante seu deslocamento pelo Sistema Solar.
Consequentemente, os astrônomos classificam Kamo’oalewa como um quase-satélite da Terra.
A China lançou a Tianwen-2 em maio de 2025. Desde então, a nave seguiu em direção ao asteroide para iniciar uma missão de coleta e retorno de amostras.
Se a operação alcançar o resultado esperado, a sonda deverá recolher aproximadamente 100 gramas de material. Posteriormente, a missão pretende trazer a carga de volta à Terra em novembro de 2027.

Possível origem lunar intriga pesquisadores
Além da coleta, a missão pretende responder uma das principais dúvidas sobre Kamo’oalewa: o asteroide pode ter se desprendido da Lua?
Em 2021, observações mostraram que o objeto reflete a luz de maneira semelhante às rochas encontradas na superfície lunar.
Assim, ganhou força a hipótese de que uma colisão na Lua tenha lançado Kamo’oalewa ao espaço.
Posteriormente, em 2024, pesquisadores apontaram a cratera Giordano Bruno, localizada no lado oculto lunar, como possível ponto de origem.
Entretanto, os cientistas ainda não comprovaram essa ligação. Portanto, somente a análise direta das amostras poderá oferecer respostas mais conclusivas.
Segundo Li Chunlai, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências, os especialistas ainda desconhecem a composição e a origem do asteroide.
Para ele, a equipe só encontrará respostas definitivas depois de concluir a exploração e analisar o material coletado.
Tianwen-2 poderá realizar perfuração inédita no asteroide
Antes de pousar, a Tianwen-2 deverá permanecer próxima de Kamo’oalewa para mapear sua superfície.
Desse modo, os responsáveis pela missão poderão avaliar o terreno e escolher uma área com menores riscos para a nave.
Caso a superfície apresente material solto, um braço robótico poderá recolher as amostras. Outras missões espaciais já utilizaram esse método.
Por outro lado, se o terreno for mais rígido, a sonda poderá pousar, prender-se ao asteroide e perfurar a rocha.
Essa abordagem representaria uma operação inédita nesse tipo de corpo celeste, sobretudo devido ao tamanho reduzido e à baixa gravidade de Kamo’oalewa.
Missão pode revelar estrutura e composição de Kamo’oalewa
Além de investigar sua possível origem lunar, a missão poderá mostrar como o asteroide se organiza internamente e quais materiais formam sua superfície.
Segundo Marco Fenucci, pesquisador ligado à Agência Espacial Europeia, o debate sobre a origem de Kamo’oalewa permanece aberto.
Por isso, a análise das amostras poderá confirmar ou enfraquecer a hipótese de que o objeto nasceu de um fragmento arrancado da Lua.
Ao mesmo tempo, os resultados poderão ampliar o conhecimento sobre asteroides próximos da Terra e sobre a formação do Sistema Solar.
Por fim, as informações obtidas pela Tianwen-2 também poderão contribuir para estudos futuros sobre observação de asteroides e defesa planetária.

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