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Após 42 horas boiando em alto-mar, mãe de menina de 4 anos é resgatada por pescador que mudou a rota no litoral de SP; moto aquática afundou, amigo segue desaparecido e reencontro transforma terror em novo aniversário para comemorar

Escrito por Carla Teles
Publicado em 04/06/2026 às 19:47
Atualizado em 04/06/2026 às 19:51
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Após 42 horas em alto-mar, Bruna sobrevive ao afundamento da moto aquática e vive um resgate no mar improvável. Conheça a história de sobrevivência no litoral de São Paulo. Imagem: IA
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Bruna passou 42 horas à deriva em alto-mar após a moto aquática em que estava afundar no litoral de São Paulo. Mãe de uma menina de 4 anos, ela foi resgatada por um pescador que mudou de rota por acaso. O amigo que a acompanhava segue desaparecido, e as buscas continuam.

Foram 42 horas de terror em alto-mar. Bruna, mãe de uma menina de 4 anos, sobreviveu a um dos pesadelos mais assustadores que alguém pode enfrentar: ficar à deriva no oceano, sozinha, depois que a moto aquática em que passeava afundou no litoral norte de São Paulo. Resgatada com vida por um pescador que, por acaso, havia mudado a rota naquele dia, ela viveu para contar uma história que mistura desespero, fé e um reencontro emocionante com a filha.

O caso começou na manhã de domingo, 23 de maio, quando um grupo de amigos se reuniu para um dia de passeio em Ilhabela. O que era para ser um dia de festa e alegria terminou em tragédia quando Bruna e o amigo Diogo Pereira Bernardino, de 28 anos, embarcaram em uma moto aquática rumo a mar aberto e nunca mais voltaram juntos. Enquanto Bruna foi encontrada após mais de um dia e meio em alto-mar, Diogo permanece desaparecido, e a família mantém a esperança de reencontrá-lo.

Um passeio que terminou em pesadelo

Após 42 horas em alto-mar, Bruna sobrevive ao afundamento da moto aquática e vive um resgate no mar improvável. Conheça a história de sobrevivência no litoral de São Paulo.
Imagem: Domingo Espetacular

A história teve início no Saco da Capela, em Ilhabela, uma região de águas tranquilas, pouca onda e quase sem correnteza, considerada ideal para a navegação. De lá, um grupo de nove pessoas, oito amigos e o marinheiro que pilotava a embarcação, embarcou em uma lancha para um passeio que seguiu rumo ao sul, até a praia das Pitangueiras. Tudo transcorria conforme o programado, com fotos e momentos de diversão.

Depois de quase três horas de passeio, a lancha atracou na região conhecida como Ponta das Canas, onde o grupo permaneceu parado por cerca de uma hora. Foi então que Bruna e Diogo decidiram embarcar na moto aquática e seguir em direção ao mar aberto. Essa foi a última vez que os dois foram vistos juntos. A última foto de Diogo mostra ele prestes a entrar na moto aquática, com Bruna ao fundo, também se preparando, um registro que se tornaria doloroso quando o tempo passou e os dois não retornaram.

A pane que deixou os dois sozinhos em alto-mar

Segundo o relato de Bruna, a moto aquática apresentou problema logo depois que os dois saíram do campo de visão dos amigos. O veículo deu pane e parou de funcionar do nada. No primeiro momento, ela achou que o amigo estava brincando, até perceber a gravidade da situação. Como ainda não estavam muito longe da lancha e conseguiam ver a ilha, decidiram tentar nadar até lá.

Diogo amarrou uma corda nos coletes e os dois pularam na água para nadar em direção à terra. No meio do caminho, porém, o desespero tomou conta de Bruna, que começou a gritar por socorro sem que ninguém estivesse por perto. Aos poucos, a moto aquática afundou completamente, e os dois ficaram sozinhos em alto-mar, contando apenas com os coletes salva-vidas para se manterem à tona. Foi o início de uma luta pela sobrevivência que duraria quase dois dias.

As alucinações de quem lutava para não morrer

Após 42 horas em alto-mar, Bruna sobrevive ao afundamento da moto aquática e vive um resgate no mar improvável. Conheça a história de sobrevivência no litoral de São Paulo.
Pescador que fez o resgate. Imagem: Domingo Espetacular .

Bruna conta que, depois de cerca de 24 horas à deriva, passou a ter alucinações. Com o tempo virando, a chuva e o vento aumentando, ela começou a ver coisas que não existiam. Chegou a enxergar a própria mãe, imaginou um tubarão e viveu momentos de pânico e confusão mental, sintomas comuns em situações extremas de exaustão e exposição.

Em um dos episódios mais angustiantes, ela ouvia algo chamando seu nome e via, no escuro, o que parecia ser um barco. Começou a nadar em direção àquela imagem, mas não era um barco, e sim uma montanha. Como ela mesma descreveu, estava nadando rumo à morte. Esses delírios são típicos de quadros de hipotermia, condição em que o corpo, submerso por muito tempo, perde calor e entra em um estado perigoso de redução da temperatura corporal, mesmo em águas que não são extremamente geladas.

O resgate improvável feito por um pescador

A salvação de Bruna veio de onde menos se esperava. Enquanto a Marinha, os bombeiros e a Polícia Militar realizavam buscas que se estenderam pela noite, foi um pescador quem chegou até ela. E por uma circunstância surpreendente: ele havia mudado completamente a rota que faria naquele dia. Em vez de seguir para o norte, em direção a Ubatuba, como havia combinado com o irmão pela manhã, acabou indo para o sul, na direção oposta.

Questionado sobre o motivo da mudança, o pescador atribuiu o fato a algo maior, dizendo não haver outra explicação a não ser a fé. Foi assim que avistou, a cerca de 100 metros, uma pessoa na água levantando o braço fracamente. Bruna foi encontrada a aproximadamente 30 km de distância do ponto onde havia desaparecido, um detalhe que mostra o quanto a correnteza a havia levado para longe. Levada ao hospital, ela ficou internada até quinta-feira, com marcas do colete no pescoço e nos braços.

A busca que continua pelo amigo desaparecido

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Enquanto Bruna se recuperava, as buscas por Diogo Pereira Bernardino seguiam intensas. A Marinha do Brasil dividiu a área em quadrantes e utilizou diversas embarcações para percorrer cada região, num trabalho que continuava mesmo quando a noite caía e o frio aumentava. A moto aquática foi recuperada, e o colete que estava com Diogo também foi encontrado no mar, mas ele permanecia desaparecido.

Para a investigação, segundo as informações disponíveis, trata-se de um fato infeliz, um acidente, e não de um crime, sem ninguém investigado até o momento. A família de Diogo, que mora no Ceará, acompanhava tudo com angústia, pedindo respostas e mantendo a esperança de que ele tivesse, assim como Bruna, uma nova data para comemorar. A imensidão do mar e a falta de referências tornavam o trabalho de localização extremamente desafiador.

O reencontro que transformou terror em recomeço

Apesar de todo o trauma, a história de Bruna teve um desfecho de esperança. No momento em que foi resgatada, sua primeira atitude foi pedir aos salvadores que fossem atrás do amigo que havia ficado em alto-mar, um gesto que revela a solidariedade mesmo no limite da própria sobrevivência. Para a equipe de resgate, salvar uma vida foi descrito como algo gratificante e emocionante.

O momento mais marcante, porém, veio no reencontro com a filha de 4 anos. Entre lágrimas, Bruna abraçou a menina e prometeu não sair mais do seu lado. Para ela, sobreviver representa agora uma nova vida e um recomeço, a ponto de afirmar que passará a ter dois aniversários para comemorar: o da data de nascimento e o da data em que renasceu no mar. É uma reviravolta que transforma o terror vivido em alto-mar em gratidão pela segunda chance.

O que você sentiu ao ler a história de sobrevivência da Bruna em alto-mar? Você acredita que a mudança de rota do pescador foi obra do acaso ou do destino? E que mensagem você deixaria para a família de Diogo, que ainda aguarda notícias? Compartilhe nos comentários sua corrente de fé e esperança por quem ainda está sendo procurado.

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Carla Teles

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