A China construiu 11 barragens no rio Lancang, com paredões de até 292 m e mais de 21 GW, transformando o alto Mekong em um sistema hidrelétrico controlado.
Segundo dados oficiais do setor elétrico chinês, relatórios técnicos de operadoras estatais de energia e estudos hidrológicos internacionais sobre o rio Mekong, a China promoveu, ao longo das últimas décadas, uma das mais profundas intervenções já realizadas em um grande rio internacional. No trecho em que o Mekong é conhecido como rio Lancang, ainda dentro do território chinês, foi implantada uma cascata planejada de 11 grandes barragens hidrelétricas, concentradas principalmente na província montanhosa de Yunnan, transformando um rio de regime altamente sazonal em um sistema rigidamente controlado por concreto, túneis e turbinas.
Diferente de projetos isolados, a cascata do Lancang foi concebida como um sistema único, no qual cada barragem influencia diretamente a operação da seguinte. O resultado não é apenas geração de energia, mas a regulação artificial do fluxo de um rio que atravessa seis países e sustenta dezenas de milhões de pessoas a jusante.
O rio Lancang: um Mekong montanhoso antes de cruzar fronteiras
O Mekong nasce no Planalto Tibetano e percorre cerca de 4.350 km até desaguar no Mar do Sul da China. Dentro da China, no trecho chamado Lancang, o rio atravessa vales profundos, desníveis abruptos e cânions estreitos em Yunnan, com quedas naturais de altitude ideais para geração hidrelétrica de grande porte.
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Antes das barragens, esse trecho apresentava:
- vazões extremamente irregulares,
- cheias violentas durante as monções,
- forte transporte de sedimentos,
- difícil navegabilidade.
Essas características tornaram o Lancang um alvo prioritário para projetos de regularização hidrológica e aproveitamento energético em cascata.
A cascata de 11 grandes barragens em sequência
A China implantou ao longo do Lancang uma sequência de 11 grandes barragens, posicionadas de forma escalonada para maximizar o aproveitamento da energia potencial do rio. Entre elas estão Manwan, Dachaoshan, Jinghong, Xiaowan, Nuozhadu, entre outras.
Embora nem todas tenham o mesmo porte, todas atendem aos critérios internacionais de grandes barragens, seja por altura, volume de reservatório ou capacidade instalada.
Juntas, elas transformam centenas de quilômetros do rio em uma escada hidráulica artificial, onde a água liberada por uma usina imediatamente alimenta a próxima.
Xiaowan: uma das barragens mais altas do planeta
O ponto mais impressionante da cascata é a barragem de Xiaowan, uma estrutura de arco de concreto com cerca de 292 metros de altura, colocando-a entre as barragens mais altas já construídas no mundo.
Além da altura extrema, Xiaowan possui:
- capacidade instalada de aproximadamente 4.200 MW,
- um reservatório capaz de armazenar volumes suficientes para regular sazonalmente o fluxo do Lancang,
- papel central no amortecimento de cheias e no suporte às usinas a jusante.
Do ponto de vista da engenharia, sua construção exigiu fundações profundas em rocha, controle rigoroso de tensões em arco e operação em um vale extremamente estreito.
Nuozhadu: potência e volume em escala continental
Outro colosso da cascata é Nuozhadu, uma barragem de enrocamento com face de concreto, com cerca de 261 metros de altura e capacidade instalada próxima de 5.850 MW, tornando-se a maior usina do Lancang em potência.
Seu reservatório possui dezenas de bilhões de metros cúbicos de água, desempenhando um papel estratégico na regulação interanual do rio, algo que poucas barragens no mundo conseguem fazer com essa magnitude. Na prática, Nuozhadu funciona como um “pulmão hidráulico” do sistema.
Mais de 21 mil MW concentrados em um único rio
Somadas, as 11 barragens do Lancang entregam mais de 21.000 MW de capacidade instalada, um volume comparável ao de grandes sistemas hidrelétricos nacionais.
Essa energia abastece Yunnan, províncias vizinhas e integra o sistema elétrico do sudoeste da China, reduzindo a dependência de termelétricas a carvão em regiões montanhosas.
Essa concentração de potência em um único rio é rara e só foi possível devido à combinação de:
- desnível natural elevado,
- proximidade entre os barramentos,
- planejamento centralizado de longo prazo.
Engenharia em vales profundos e área sísmica
O trecho do Lancang em Yunnan apresenta desafios extremos:
- vales estreitos e profundos,
- rocha dura com fraturas,
- alta sismicidade,
- acesso logístico limitado.
Cada barragem exigiu túneis de desvio longos, estabilização de encostas, monitoramento geotécnico permanente e obras executadas em regiões remotas, muitas vezes sem infraestrutura prévia. A construção não foi apenas vertical, mas subterrânea, com quilômetros de túneis auxiliares escavados em rocha.
O controle do fluxo de um rio internacional
Tecnicamente, a cascata permite que a China controle a liberação de água no alto Mekong, reduzindo picos de cheia e aumentando vazões no período seco. Do ponto de vista hidráulico, isso melhora a previsibilidade do rio.
Porém, esse controle ocorre antes de o Mekong cruzar fronteiras, o que significa que Laos, Tailândia, Camboja e Vietnã passaram a receber um rio cujo regime natural é, em grande parte, definido a montante.
O Mekong é um dos rios mais ricos em sedimentos da Ásia, fundamentais para:
- fertilizar planícies agrícolas,
- sustentar a pesca,
- manter a estabilidade do delta no Vietnã.
As barragens do Lancang retêm grande parte desses sedimentos nos reservatórios, alterando o equilíbrio natural do rio. Esse efeito não aparece imediatamente na geração de energia, mas se manifesta ao longo dos anos em erosão de margens, redução de nutrientes e mudanças ecológicas a jusante.
Um rio transformado em infraestrutura estratégica
Ao final, a cascata do Lancang representa algo maior do que um conjunto de usinas. Trata-se da transformação de um rio internacional em infraestrutura estratégica controlada por engenharia pesada, onde concreto, turbinas e reservatórios substituem o regime natural de cheias e secas.
É um exemplo extremo de como a engenharia moderna é capaz de reprogramar rios inteiros, concentrar energia em escala colossal e, ao mesmo tempo, deslocar o controle hidrológico para quem domina o trecho superior da bacia.


Só estas hidroelétricas geram + energia q n/Itaipu e q ainda divide a metade g/Paraguai.
O pior é q estamos entregando n/Sistemad ao capital privado, principalmente o internacional s/nenhum controle.
O q estão fazendo é um crime. Os sistemas são aéreos, além de criarem sérios probkemas na qualidade dos serviços, enfeiam as nossas cidades.
O q deveriam fazer era q as concessões fossem para as redes, tanto de energia quanto de telefonia/comunicações; serem subterrãneas, afinal, as empresas mandam os lucros p/seus países e o povo e o Brasil, ficam a ver navio. É o q avontece c/essa tal de ENEL, q é uma estatal italiana e deixa uma das maiores metrópoles do mundo sem energia p/ + de um mês. Isso é inconsebível!!!
…agira veja se a China para “juros” da dívida?… auditoria, anteontem!!…
Eles estão fazendo o q o Brasil deveria continuar a fazer, só q eles não são **** de vender as usinas pra INICIATIVA, será? Privada como o Brasil faz. China dando um show pro mundo inteiro