Navio polar chinês reúne propulsão de 15 MW, casco reforçado e navegação bidirecional para apoiar pesquisas em áreas congeladas. Projeto incorpora sistemas de manobra voltados a operações em gelo espesso, com uso em expedições científicas e logísticas no Ártico e na Antártica.
O Xue Long 2, conhecido como “Dragão de Neve 2”, é um navio polar chinês de pesquisa projetado para operar em áreas de gelo severo, com propulsão de 15 MW, casco de classe Polar Class 3 e capacidade de romper gelo pela proa e pela popa.
Pertencente ao Polar Research Institute of China, a embarcação foi construída pelo estaleiro Jiangnan Shipyard, em Xangai, e integra a estrutura chinesa voltada a expedições científicas e logísticas em regiões polares.
Segundo a Railotech, empresa finlandesa que participou do projeto, o navio recebeu pacote completo de design, projeto básico e testes em modelo de gelo entre 2012 e 2019.
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Quebra-gelo chinês avança pela proa e pela popa
A navegação bidirecional está entre os principais elementos técnicos do Xue Long 2, conforme informações da Railotech sobre o projeto da embarcação.
Em vez de depender apenas da proa para avançar sobre placas congeladas, o quebra-gelo também foi concebido para trabalhar em marcha à ré, recurso aplicado quando a pressão do gelo altera as condições de navegação.
Essa configuração é apoiada por duas unidades propulsoras de 7,5 MW, que somam 15 MW e fornecem a potência necessária para deslocamento em áreas de gelo espesso.

De acordo com a Railotech, o navio consegue manter velocidade média de 2 a 3 nós ao atravessar gelo nivelado de 1,5 metro com cobertura de 20 centímetros de neve.
Embora seja uma velocidade reduzida em comparação com a navegação em mar aberto, esse desempenho tem aplicação operacional em regiões onde embarcações convencionais não avançam com regularidade.
Nessas condições, poucos nós podem reduzir a distância até uma estação científica, uma área de coleta ou um ponto de transferência de carga, especialmente durante missões com janelas logísticas limitadas.
A classe Polar Class 3 indica que o casco foi dimensionado para ambientes severos, com reforços estruturais compatíveis com contato frequente contra gelo espesso.
Esse tipo de construção busca resistir a impactos, atrito constante e pressão lateral causada por placas que se movimentam sob influência de vento, corrente e temperatura.
Dimensões do Xue Long 2 e potência de 15 MW
Dados divulgados pelo Polar Research Institute of China informam que o Xuelong 2 tem 122,5 metros de comprimento, 22,32 metros de boca moldada, 11,8 metros de pontal, calado de projeto de 7,85 metros e deslocamento projetado de cerca de 13.990 toneladas.
A mesma fonte informa autonomia de 20 mil milhas náuticas e capacidade para 101 pessoas, características associadas a operações prolongadas em áreas distantes de portos convencionais.

Na ficha técnica da Railotech, o calado aparece como 8,3 metros, diferença que pode estar relacionada a critérios distintos de medição, como calado de projeto e condição de carga.
Além da potência instalada, o navio usa propulsão elétrica orientável do tipo Azipod, tecnologia em que os propulsores ficam instalados em cápsulas giratórias sob o casco.
A ABB, fornecedora do sistema, informou que o Xue Long 2 foi equipado com propulsão elétrica e preparado para operar com combustível de baixo teor de enxofre.
Diferente da configuração tradicional de eixo fixo com leme separado, esse conjunto permite direcionar o empuxo com mais flexibilidade durante manobras em áreas de navegação restrita.
Em regiões cobertas por gelo, a capacidade de reposicionamento ajuda a ajustar a rota quando a proa encontra resistência ou quando uma passagem se fecha.
Laboratório flutuante para pesquisas no Ártico e na Antártica
O Xue Long 2 também foi desenvolvido como plataforma científica e logística, além de atuar como navio quebra-gelo em expedições polares.
A embarcação dispõe de estrutura para pesquisas oceanográficas, ambientais e de apoio a bases remotas no Ártico e na Antártica, conforme dados divulgados por instituições ligadas ao projeto.
Segundo a ABB, o navio foi projetado com laboratórios secos e úmidos, grande convés de trabalho na popa, guindastes e moon pool, uma abertura no casco que permite acesso à água abaixo da embarcação.

Esse conjunto permite realizar medições e coletas em áreas congeladas, inclusive em situações nas quais o gelo dificulta operações externas ao redor do navio.
O moon pool permite lançar instrumentos diretamente pela abertura no casco, reduzindo a dependência de procedimentos externos expostos a vento, frio intenso e instabilidade do gelo.
Também previsto para operações científicas, o convés de trabalho organiza a movimentação de equipamentos, suprimentos e instrumentos entre áreas internas, guindastes, embarcações auxiliares e pontos de lançamento.
Esse arranjo é relevante em expedições polares porque a circulação de carga e equipamentos precisa ocorrer em condições de baixa temperatura e durante períodos limitados de operação.
Frota polar chinesa ganhou mais alcance logístico
A entrada em operação do Xue Long 2 ampliou a capacidade da China de realizar pesquisas e abastecer estruturas científicas em regiões polares.
A agência Xinhua informou, em 2017, que a embarcação foi concebida para atuar ao lado do Xuelong, navio polar chinês anterior.
Com dois navios disponíveis, a frota polar chinesa passou a contar com mais flexibilidade para combinar missões científicas, apoio logístico e navegação em gelo.
Esse uso combinado é importante porque expedições polares dependem de logística complexa e de condições ambientais que podem mudar em intervalos curtos.
Quanto mais perto um navio consegue chegar de uma estação ou área de interesse, menor tende a ser a distância para transporte de pessoas, equipamentos e cargas por helicóptero ou outros meios.
A Railotech também registrou que o Xue Long 2 concluiu testes de mar em maio e junho de 2019, antes da primeira viagem à Antártica.
Segundo a empresa, os requisitos de projeto foram verificados nessa etapa, com previsão de testes completos em gelo durante a missão polar seguinte.
A capacidade de romper gelo em marcha à ré integra o conceito operacional descrito para o navio, em conjunto com a potência instalada, o casco reforçado e a propulsão orientável.
Em águas congeladas, a combinação desses recursos amplia as alternativas de manobra e ajuda a manter operações científicas e logísticas em regiões remotas.


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