Nova atualização do Modelo Magnético Mundial revela que o polo norte magnético da Terra continua avançando em direção à Rússia, aproxima-se cada vez mais da Sibéria e obriga cientistas, companhias aéreas, sistemas de GPS, operações marítimas e estruturas militares a recalibrarem ferramentas de navegação para manter a precisão das rotas utilizadas diariamente em todo o planeta, enquanto pesquisadores acompanham as mudanças do campo magnético terrestre e seus possíveis impactos tecnológicos nas próximas décadas
O polo norte magnético da Terra continua se deslocando em direção à Rússia e voltou a chamar atenção dos cientistas após a divulgação de uma nova atualização considerada essencial para a navegação global.
A nova versão do Modelo Magnético Mundial, conhecido pela sigla WMM, indica que o polo está mais próximo da Sibéria do que estava há cinco anos. Além disso, ele segue avançando nessa direção, conforme informações divulgadas pela CNN.
Diferente do Polo Norte geográfico, que permanece fixo no Oceano Ártico, o polo magnético depende do campo magnético terrestre. Portanto, sua posição muda conforme a dinâmica do núcleo do planeta.
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Esse movimento é natural. Porém, nas últimas décadas, o deslocamento apresentou uma velocidade incomum. Por isso, pesquisadores passaram a acompanhar o fenômeno com maior atenção.
Modelo magnético mundial orienta navegação global
O Modelo Magnético Mundial é desenvolvido em conjunto pelo Serviço Geológico Britânico (BGS) e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
A ferramenta é usada por aviões, navios, sistemas militares e equipamentos de navegação. Dessa forma, ela ajuda esses sistemas a identificarem com precisão a direção do norte magnético.
Segundo os cientistas, a atualização é necessária porque o modelo utiliza previsões baseadas na trajetória recente do polo. Assim, com o passar do tempo, a margem de erro aumenta.
Por esse motivo, uma revisão completa ocorre a cada cinco anos. Portanto, os sistemas são recalibrados e novas projeções passam a orientar os equipamentos.
Em dezembro de 2024, os pesquisadores divulgaram duas versões do modelo. A primeira é convencional e atende a maioria dos usuários. Já a segunda tem alta resolução e oferece mais detalhes.
Mesmo assim, especialistas explicam que grande parte dos dispositivos GPS comuns não consegue aproveitar essa melhoria adicional. No entanto, para setores estratégicos, a atualização é fundamental.
Aviões e sistemas militares precisam acompanhar a mudança
Grandes companhias aéreas deverão atualizar os softwares de navegação de suas frotas. Além disso, países integrantes da OTAN precisarão adaptar sistemas militares que dependem de referências magnéticas precisas.
Os especialistas comparam o processo à atualização de um smartphone. Ou seja, versões mais modernas podem melhorar recursos, mas nem sempre exigem a troca completa do equipamento.
Ainda assim, manter o sistema atualizado evita falhas acumuladas. Portanto, a nova revisão ajuda equipamentos de navegação a continuarem apontando para a direção correta.
A atualização também confirmou que as previsões anteriores estavam bastante próximas da realidade. Com isso, os pesquisadores reforçaram a confiabilidade dos modelos científicos usados atualmente.
Uma trajetória que começou no Canadá em 1831
O polo norte magnético foi identificado pela primeira vez em 1831 pelo explorador britânico Sir James Clark Ross, no norte do Canadá.
Desde então, ele migra gradualmente em direção à Sibéria. Durante cerca de quatro séculos, esse deslocamento foi relativamente lento, geralmente abaixo de 10 quilômetros por ano.
Porém, a partir da década de 1990, ocorreu uma aceleração sem precedentes. Naquele período, a velocidade passou de cerca de 15 quilômetros anuais para aproximadamente 55 quilômetros por ano.
Mais tarde, por volta de 2015, os cientistas registraram outro comportamento inesperado. A velocidade caiu para cerca de 35 quilômetros por ano.
Por isso, uma atualização extraordinária do modelo foi antecipada em 2019. Ainda assim, o movimento atual continua em direção à Rússia.

Inversão magnética da Terra também entra no radar científico
Além do deslocamento contínuo, pesquisadores lembram que o campo magnético da Terra já passou por mudanças muito mais drásticas ao longo da história geológica.
Em determinados períodos, a polaridade foi completamente invertida. Dessa maneira, os polos magnéticos norte e sul trocaram de posição.
Essas inversões ocorrem, em média, uma vez a cada milhão de anos. Porém, os intervalos podem variar bastante.
A última grande reversão aconteceu entre 750 mil e 780 mil anos atrás. A vida na Terra já resistiu a eventos desse tipo, mas nunca em uma era com navegação por satélite, redes elétricas globais e sistemas modernos de comunicação.
Caso uma nova inversão comece, a transição provavelmente levará séculos ou milhares de anos. Assim, engenheiros e cientistas teriam tempo para adaptar os sistemas tecnológicos do planeta.
Por enquanto, a principal preocupação é acompanhar o avanço do polo magnético da Terra e garantir que GPS, aviões, navios e sistemas militares continuem funcionando com precisão.
Afinal, até onde o polo magnético da Terra poderá se deslocar antes de exigir novas mudanças nos sistemas que orientam o mundo moderno?

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