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Casal de Belo Horizonte faliu durante a pandemia, transformou a mexerica em negócio de sucesso e hoje fatura R$ 400 mil com geleias, molhos e licores com a HogDidi

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 13/07/2026 às 18:39 Atualizado em 13/07/2026 às 18:46
Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi.
Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi. Fonte: Divulgação/redes sociais.
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Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi.

Um casal de Belo Horizonte encontrou na mexerica a principal fonte de receita de uma empresa que precisou renascer após enfrentar a falência. Paula Macieira e Christian Macieira, responsáveis pela HogDidi, faturaram R$ 400 mil em 2025 com a venda de geleias, molhos, temperos e bebidas, sendo que 70% desse valor veio dos produtos feitos com a fruta.

A participação da mexerica no resultado mostra como a escolha de um ingrediente específico alterou o rumo financeiro da marca. Em vez de concentrar o negócio em um único item, os empreendedores criaram uma linha capaz de ocupar diferentes espaços nas prateleiras e atender ocasiões variadas de consumo.

Os produtos são comercializados pela internet, em feiras e em supermercados. Para ampliar a capacidade de abastecimento, o negócio também passou a recorrer a parceiros externos em etapas que exigem uma produção maior, como ocorre com o licor.

Casal cria linha completa para aumentar presença nas prateleiras

O portfólio desenvolvido por Paula e Christian vai além de um molho ou de uma geleia. A HogDidi trabalha com licor, sal de mexerica, bebidas prontas para consumo e outros produtos que utilizam a fruta como elemento central.

A estratégia permite que a empresa apresente diferentes itens ao mesmo ponto de venda. Para Christian, depender de apenas um produto reduziria o espaço ocupado pela marca e dificultaria sua exposição diante dos consumidores.

“Se eu tiver só o produto de mexerica na gôndola, vou ter pouco espaço e, consequentemente, pouca visibilidade para a minha marca”, afirma o empreendedor.

A ideia de comercializar produtos conjugados tem uma função econômica clara: aumentar a quantidade de referências disponíveis, fortalecer a identidade visual da HogDidi e criar mais oportunidades de compra dentro de um mesmo estabelecimento.

Além disso, a variedade permite que a mexerica seja apresentada em formatos doces, salgados e alcoólicos, reduzindo a dependência de uma única categoria.

Mexerica responde por 70% do faturamento do casal

A HogDidi encerrou 2025 com receita de R$ 400 mil. Desse total, sete em cada dez partes foram geradas pelos produtos ligados à mexerica.

Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi.
Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi. Fonte: Divulgação/redes sociais.

O resultado consolidou a fruta como o principal ativo comercial da empresa. A participação de 70% também mostra que a linha criada após a reformulação do negócio deixou de ser uma experiência pontual e assumiu o centro da operação.

A variedade utilizada é a mexerica-carioca, também conhecida como fofoqueira. Ela possui tamanho menor e casca fina, características aproveitadas na elaboração dos diferentes itens da marca. No licor, por exemplo, a casca é utilizada como matéria-prima. O produto passou a ser fabricado em parceria com Humberto Araújo, proprietário de uma destilaria.

Terceirização ajuda casal a produzir mais e acelerar distribuição

O crescimento das vendas exigiu uma solução para aumentar a oferta sem limitar a expansão comercial. Paula e Christian decidiram terceirizar a fabricação do licor, permitindo que mais unidades fossem produzidas e enviadas aos pontos de venda.

A parceria com Humberto Araújo ajudou a HogDidi a abastecer as prateleiras com maior velocidade. O movimento também liberou o casal para concentrar esforços no desenvolvimento da marca, na criação de novos produtos e na abertura de canais de comercialização.

Araújo destaca a utilização da fruta natural como um dos diferenciais do licor. A fórmula dispensa extratos artificiais e aproveita diretamente a casca da mexerica.

Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi.
Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi. Fonte: Divulgação/redes sociais.

A colaboração também está alinhada ao objetivo dos empreendedores de criar licores com identidade brasileira. Antes da linha atual ganhar força, a capacidade de inovação da empresa já havia recebido reconhecimento na Copa Argentina de Destilados, onde um licor de café desenvolvido pela marca foi premiado.

Feira validou a aposta econômica na mexerica

A confirmação de que havia demanda pelo novo produto ocorreu em uma feira tradicional de Belo Horizonte. O convite para participar do evento levou os empreendedores a apresentar um molho preparado com mexerica.

A resposta do público superou as expectativas. Apenas no terceiro dia, 300 unidades foram comercializadas. Ao final da participação, o volume havia chegado a 432 potes.

O desempenho serviu como teste direto de mercado. Em vez de depender apenas de pesquisas ou projeções, o casal observou a reação dos consumidores diante do produto e percebeu que a fruta poderia sustentar uma linha mais ampla.

Depois da feira, a HogDidi avançou para outras categorias. O molho abriu espaço para a criação de bebidas, temperos e licor, transformando a mexerica no eixo comercial da empresa.

Novo caminho surgiu depois da falência do primeiro negócio

A trajetória empresarial de Paula e Christian não começou com a mexerica. Em 2016, Paula vendia um antepasto artesanal de berinjela, atividade que deu início à experiência dos dois com a produção de alimentos.

O nascimento da filha influenciou uma mudança maior. Os empreendedores deixaram os empregos que mantinham no ambiente corporativo e destinaram R$ 20 mil à abertura da própria empresa. A operação, porém, não conseguiu atravessar os efeitos financeiros da pandemia. Entre 2021 e 2022, o negócio chegou ao fim, interrompendo o projeto construído desde 2016.

A retomada começou a ganhar forma na passagem de 2023 para 2024. A mexerica surgiu como uma possibilidade de reposicionamento e, após o resultado obtido na feira, tornou-se o caminho escolhido para reconstruir a marca.

Casal transforma fracasso anterior em estratégia de crescimento

A falência obrigou Paula e Christian a reverem não apenas os produtos, mas também a forma de levar a empresa ao mercado. A segunda fase da HogDidi nasceu com uma proposta mais definida, baseada em um ingrediente reconhecível e em um conjunto de itens relacionados.

A presença simultânea em feiras, vendas online e supermercados passou a sustentar a distribuição. Cada canal cumpre uma função diferente: os eventos aproximam o público da marca, a internet amplia o alcance e as gôndolas colocam os produtos diante de consumidores que ainda não conhecem a empresa.

Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi.
Casal de Belo Horizonte transforma a mexerica em geleias, molhos, bebidas e temperos, fatura R$ 400 mil e amplia a distribuição da HogDidi. Fonte: Divulgação/redes sociais.

A terceirização também passou a fazer parte desse novo desenho. Em vez de concentrar internamente todas as etapas, o negócio utiliza uma parceria produtiva para aumentar a disponibilidade do licor e acompanhar a procura. Esse modelo permitiu que a empresa voltasse ao mercado e alcançasse R$ 400 mil em faturamento em 2025.

Memória afetiva também influencia o valor do produto

Embora a estratégia tenha um objetivo comercial, o casal considera que a mexerica precisa conservar uma ligação emocional com o consumidor.

Para Christian, o desafio é transportar para cada item as lembranças associadas ao gesto de descascar e consumir a fruta. “Quando você abre uma mexerica vai vir memórias boas, então a gente tem que transportar isso para o nosso produto”, explica.

A proposta ajuda a diferenciar a HogDidi em um mercado no qual geleias, molhos, bebidas e temperos podem disputar espaço com diversas marcas. O ingrediente funciona, ao mesmo tempo, como matéria-prima e como elemento de identidade.

Paula resume a disciplina necessária para reconstruir a empresa com a frase “o sucesso não aceita preguiça”. Para ela, a fruta representa a recuperação da família depois da quebra do primeiro negócio. “É um renascimento que mostra a nossa força”, afirma.

Christian associa o lançamento da linha à descoberta de uma nova possibilidade para a empresa: “Foi a partir dali que a gente enxergou um futuro diferente”.

A história da HogDidi mostra como um ingrediente regional pode ocupar diferentes categorias e se transformar em uma plataforma de negócios. A empresa não depende apenas da venda de um molho, de uma bebida ou de uma geleia, mas da combinação de produtos que ampliam sua exposição e suas possibilidades de receita.

Com fabricação terceirizada em parte da linha, atuação em três canais de vendas e um portfólio construído ao redor da mexerica-carioca, Paula e Christian reorganizaram uma empresa que havia encerrado as atividades durante a pandemia.

Depois de investir R$ 20 mil, enfrentar a falência e testar uma nova proposta diretamente com o público, o casal transformou a mexerica no produto responsável por 70% do faturamento de R$ 400 mil alcançado pela HogDidi em 2025.

Com informações da Revista PEGN

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Andriely Medeiros de Araújo

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