Com o avanço da chamada “taxa das blusinhas” sobre compras internacionais de baixo valor, Santa Cruz do Capibaribe, conhecida como capital das blusinhas, ganha força entre lojistas brasileiros, amplia sua influência no mercado nacional de moda popular e transforma o Moda Center em alternativa estratégica para quem busca roupas baratas, pronta entrega, produção nacional e preços de fábrica no agreste pernambucano
A chamada “taxa das blusinhas”, criada para ampliar a tributação sobre compras internacionais de baixo valor, mudou o comportamento de consumidores e revendedores brasileiros. Nesse cenário, Santa Cruz do Capibaribe, conhecida nacionalmente como Capital das Blusinhas, voltou ao centro das atenções do comércio popular brasileiro.
Localizada no agreste de Pernambuco, a cidade abriga o Moda Center Santa Cruz, considerado o maior centro atacadista de confecções do Brasil. Desse modo, o município recebe cerca de 100 mil compradores por semana, segundo dados divulgados pelo próprio centro comercial e por entidades do setor.
Com a tributação sobre produtos importados de plataformas estrangeiras, muitos lojistas passaram a procurar fornecedores nacionais. Assim, Santa Cruz ganhou ainda mais espaço no mercado de moda popular.
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Capital das blusinhas virou potência nacional da moda popular
A história da cidade começou em 1750, quando Antônio Burgos instalou uma cruz de madeira às margens do Rio Capibaribe. Entretanto, a transformação econômica ocorreu principalmente a partir da década de 1940.
Naquele período, comerciantes passaram a trazer retalhos descartados do Recife. Depois, moradores começaram a produzir roupas simples e acessíveis. Dessa forma, nasceu a chamada sulanca, ligada ao tecido “helanca do sul”.
Segundo o Senai, Santa Cruz do Capibaribe se tornou uma das maiores produtoras de confecções do Brasil. Já o Sebrae afirma que o município integra o Triângulo das Confecções, ao lado de Toritama e Caruaru.
Taxa das blusinhas fortalece produção nacional
Com o aumento dos custos sobre produtos importados, principalmente peças baratas vendidas em plataformas estrangeiras, fornecedores do agreste passaram a enxergar novas oportunidades comerciais.
Nesse movimento, compradores que antes dependiam de importações começaram a buscar produtos fabricados em Pernambuco. O diferencial está justamente no preço de fábrica e na entrega rápida.
No Moda Center, mais de 10 mil boxes e lojas comercializam blusinhas, vestidos, saias, conjuntos, lingerie, moda infantil e peças em brim. Portanto, o polo oferece variedade semelhante à encontrada em marketplaces internacionais.
Ao mesmo tempo, muitos produtos vendidos em lojas brasileiras já são confeccionados no agreste pernambucano. Em muitos casos, apenas recebem etiquetas de outras marcas antes da revenda.
Moda Center movimenta milhões no agreste pernambucano
Inaugurado em 2006, o Moda Center ocupa cerca de 320 mil m². A estrutura reúne praças de alimentação, hotéis, dormitórios e estacionamento para milhares de veículos.
Durante períodos como Carnaval, festas juninas, novembro e dezembro, o fluxo pode chegar a 150 mil visitantes. Assim, o centro atacadista reforça sua posição como referência nacional da moda popular.
Inclusive, excursões chegam de várias capitais do Norte e Nordeste. O estacionamento tem capacidade para 315 ônibus, facilitando o transporte de revendedores.
Enquanto a “taxa das blusinhas” altera o mercado de importados, Santa Cruz do Capibaribe amplia sua relevância econômica. A cidade que nasceu entre retalhos agora disputa espaço direto com gigantes internacionais do varejo popular. Será que a capital das blusinhas pode se tornar a grande resposta brasileira aos importados mais caros?

