Com oferta maior de etanol, impulsionada pela cana-de-açúcar e pelo etanol de grãos, preço ao produtor recua 23% desde abril, melhora a paridade em Belo Horizonte e expõe diferenças no repasse ao consumidor em cidades mineiras.
A cana-de-açúcar abundante e o avanço do etanol de grãos ampliaram a oferta do biocombustível e derrubaram em 23% o preço ao produtor desde abril, com reflexo direto na competitividade frente à gasolina em Belo Horizonte.
Cana-de-açúcar amplia oferta e muda o preço do etanol
O movimento no mercado de etanol ocorre pela combinação de dois fatores: a alta na produção de cana-de-açúcar e a expansão do etanol de grãos. Com mais produto disponível, a pressão sobre os preços ao produtor aumentou, levando à queda acumulada desde abril.
Essa redução na origem da cadeia é relevante porque o etanol depende de repasses até chegar às bombas. Quando a oferta cresce, o produtor recebe menos pelo biocombustível, mas o consumidor só percebe o efeito quando distribuidoras e postos ajustam seus preços.
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Em Minas Gerais, o tema ganhou força porque Belo Horizonte já apresenta uma relação vantajosa para quem compara etanol e gasolina. A paridade chegou a 62,5%, indicando que o biocombustível ficou mais competitivo na capital mineira.
Paridade em Belo Horizonte favorece o consumidor
A paridade entre etanol e gasolina é um dos principais indicadores usados por motoristas de veículos flex na hora de abastecer. Quando o preço do etanol fica proporcionalmente mais baixo, a economia no posto se torna mais visível.
Em Belo Horizonte, o percentual de 62,5% mostra que o etanol passou a oferecer vantagem direta frente à gasolina. O dado reflete o impacto da maior oferta e da queda de preço ao produtor sobre o custo.
A redução de 23% desde abril, porém, não significa automaticamente que todo o recuo chegará ao motorista. O preço nas bombas depende de repasses ao longo da cadeia, incluindo distribuição, margem dos postos e condições locais.
Mesmo assim, o cenário reforça o papel da cana-de-açúcar na formação de preços do etanol. Quando a produção cresce, o biocombustível ganha força como alternativa econômica, especialmente onde a queda é repassada com maior velocidade.
Repasse desigual limita efeito da queda nas bombas
O presidente da Siamig, Mário Campos, chamou atenção para diferenças entre cidades mineiras. Enquanto Belo Horizonte já registra paridade favorável, municípios como Uberlândia ainda resistem em repassar a queda de preços.
Essa diferença regional mostra que o mercado não reage de forma uniforme. Dois consumidores no mesmo estado podem enfrentar realidades distintas, mesmo diante da mesma queda no preço ao produtor.
Em locais onde o repasse demora, a vantagem gerada pela maior oferta de etanol não aparece com a mesma intensidade. O consumidor precisa observar os valores nos postos antes de decidir qual combustível compensa mais.
O caso de Uberlândia evidencia esse descompasso. A queda na origem existe, mas o preço final pode permanecer menos atrativo se a redução não avançar pelas etapas seguintes.
Etanol ganha força, mas depende do mercado local
O avanço do etanol de grãos também ajuda a explicar a ampliação da oferta. Ao lado da cana-de-açúcar, essa produção aumenta a disponibilidade do biocombustível e contribui para aliviar os preços ao produtor.
A disputa com a gasolina segue condicionada ao comportamento local dos preços. Em Belo Horizonte, a paridade de 62,5% indica economia direta. Em outras cidades, o benefício pode ser menor enquanto o repasse não ocorre.
Para o motorista, a principal orientação prática é comparar os preços no momento do abastecimento. A queda de 23% ao produtor melhora o ambiente para o etanol, mas a decisão final depende do valor encontrado em cada posto.
Com produção elevada de cana-de-açúcar, oferta ampliada e etanol de grãos em crescimento, o biocombustível ganhou competitividade. O impacto para o consumidor, porém, será maior onde a redução chegar às bombas.
Como é feito o etanol de cana-de-açúcar
Primeiro, a cana é colhida e levada para a usina. Lá, ela passa por moagem para extrair o caldo. Esse caldo contém açúcares naturais, que servem de alimento para microrganismos durante a fermentação.
Depois, o caldo é tratado e misturado com leveduras. As leveduras consomem o açúcar e transformam essa matéria em álcool e gás carbônico. Esse processo é chamado de fermentação.
Em seguida, o líquido fermentado passa pela destilação. Nessa etapa, o álcool é separado da água e de outras substâncias, formando o etanol. Para virar combustível, ele ainda pode passar por ajustes de concentração e qualidade.
Com informações de Itatiaia.

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