Patenteado nos Estados Unidos em dezembro de 2025, o dispositivo criado na Universidade de Sharjah usa atrito entre esferas metálicas e hastes internas para dissipar vibrações. A proposta mira prédios altos, pontes, instalações técnicas e equipamentos sensíveis, com uma vantagem prática em situações críticas, o sistema funciona sem sensores, cabos ou energia elétrica.
Um novo amortecedor passivo por atrito criado na Universidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, chamou atenção da engenharia civil por uma ideia simples: usar esferas de aço dentro de um cilindro para reduzir vibrações em estruturas submetidas a terremotos, ventos fortes ou trepidações constantes.
O dispositivo ganhou destaque por combinar proteção estrutural e funcionamento sem eletricidade, um ponto relevante em desastres naturais, quando redes de energia e sistemas eletrônicos podem falhar justamente no momento de maior risco, como informado pelo Brasil 247.
A invenção foi desenvolvida pelo professor Moussa Leblouba, ligado à área de engenharia civil da Universidade de Sharjah. O registro aparece no sistema de patentes dos Estados Unidos como US12498014B2, com publicação em 16 de dezembro de 2025 e titularidade atribuída à própria universidade.
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Na prática, a tecnologia não substitui o projeto estrutural de um prédio ou de uma ponte. Ela entra como um componente adicional de dissipação de energia, pensado para reduzir parte das oscilações que podem danificar estruturas, equipamentos científicos, instalações elétricas e sistemas de comunicação.
O que há dentro do cilindro que transforma vibração em atrito controlado
O dispositivo descrito na patente tem uma construção mecânica direta. Ele usa um cilindro oco preenchido com esferas sólidas, atravessado por um eixo longitudinal com pequenas hastes projetadas para fora, como ramificações internas.

Quando a estrutura vibra, esse eixo se movimenta dentro do cilindro. As hastes empurram as esferas comprimidas, criando atrito entre as peças metálicas. Esse atrito consome parte da energia mecânica que, sem dissipação, continuaria se propagando pela estrutura.
De acordo com o comunicado publicado pelo EurekAlert!, ligado à Associação Americana para o Avanço da Ciência, Leblouba afirma que o sistema “não precisa de energia” e opera por física pura, a partir da fricção gerada entre os componentes internos.
Nos testes citados pelo pesquisador, o conjunto alcançou índice de amortecimento efetivo próximo de 14%, resultado considerado promissor para um sistema totalmente passivo.
A vantagem está menos na peça isolada e mais no que ela dispensa
A engenharia já usa amortecedores em prédios, pontes e estruturas industriais há décadas. Existem modelos viscosos, metálicos, viscoelásticos e por atrito, cada um com custo, aplicação e exigência de manutenção diferentes.
A diferença do modelo com esferas de aço está na simplicidade do conjunto. A patente descreve um sistema sem fonte externa de energia, com poucas partes principais e possibilidade de substituição de componentes individuais em caso de dano.
Isso pode reduzir custos de manutenção em locais onde inspeção, troca de peças e acesso técnico são difíceis. Em uma ponte movimentada, por exemplo, cada intervenção exige bloqueios, equipes especializadas e janela operacional curta.
Outro ponto é a instalação em estruturas já construídas. O comunicado da universidade afirma que o dispositivo pode ser adaptado a obras existentes, desde que o projeto de engenharia indique os pontos corretos de fixação e a capacidade de carga envolvida.
Ainda assim, há uma limitação clara. O equipamento precisa passar por validações em escala real, normas locais, estudos de fadiga e avaliação caso a caso antes de ser usado em obras públicas ou edifícios ocupados.
Pontes, prédios altos e equipamentos sensíveis aparecem como alvos da tecnologia
A patente cita aplicações em estruturas e equipamentos submetidos a vibrações causadas por atividade sísmica, vento e forças produzidas pelo uso humano, como máquinas, tráfego pesado ou instalações técnicas. O documento também menciona edifícios, instalações elétricas, sistemas de comunicação, veículos, aeronaves, navios e equipamentos científicos ou militares.
Em prédios altos, o interesse está na redução de oscilações laterais provocadas por vento ou tremores. Em pontes, o alvo são movimentos repetitivos causados por tráfego, rajadas e variações dinâmicas que acumulam esforço ao longo do tempo.
Em ambientes industriais, o uso pode ser ainda mais específico. Máquinas, geradores, bancadas de medição, laboratórios e equipamentos sensíveis perdem precisão quando recebem vibração constante do piso ou da estrutura.
Por que funcionar sem eletricidade pesa tanto em uma emergência
Sistemas ativos de controle estrutural podem depender de sensores, atuadores, computadores e alimentação elétrica. Eles são capazes de responder em tempo real, mas exigem infraestrutura de suporte e manutenção mais complexa.
O amortecedor de esferas segue outro caminho. Ele responde mecanicamente ao movimento da própria estrutura, sem esperar comando externo. A vibração entra no conjunto, move o eixo, pressiona as esferas e gera atrito.
Essa autonomia é relevante em terremotos, tempestades severas, falhas de rede e apagões. Se a energia cai, o sistema continua operando porque não depende de motor, software ou bateria para produzir resistência mecânica.
O preço dessa simplicidade é que o dispositivo não “pensa” nem se ajusta sozinho durante o evento. O desempenho depende do dimensionamento feito antes da instalação, incluindo tamanho do cilindro, quantidade de esferas, diâmetro das peças, número de hastes e posição na estrutura.
A patente mostra potencial, mas a engenharia ainda precisa provar o uso em campo
O registro nos Estados Unidos fortalece a propriedade intelectual da Universidade de Sharjah, mas patente não significa produto pronto para instalação em massa. Ela confirma a proteção técnica da invenção, não a aprovação automática para uso em qualquer prédio, ponte ou obra pública.
Para chegar ao mercado, o dispositivo ainda precisa enfrentar etapas típicas da engenharia civil: ensaios em escala maior, comparação com amortecedores existentes, análise de vida útil, custo por unidade, comportamento após milhares de ciclos e compatibilidade com normas de cada país.
Mesmo assim, a proposta chama atenção porque troca complexidade eletrônica por uma solução mecânica de baixo número de peças. Em cidades com obras antigas, pontes sobrecarregadas e estruturas expostas a vibrações diárias, esse tipo de tecnologia pode abrir caminho para reforços mais simples e acessíveis.
Você usaria uma solução mecânica como essa em pontes e prédios antigos, ou acha que a tecnologia ainda precisa de muitos testes antes de sair dos laboratórios? Deixe sua opinião nos comentários e diga onde esse tipo de amortecedor faria mais sentido no Brasil.
