Auditoria da CGE no Rio identificou servidores fantasmas em toda a administração estadual, derrubou cargos comissionados em série e já projeta economia anual de R$ 355 milhões aos cofres públicos.
Uma auditoria da Controladoria Geral do Estado do Rio de Janeiro encontrou funcionários fantasmas em todos os 77 órgãos da administração estadual e desencadeou uma ofensiva que já levou à exoneração de mais de 4 mil pessoas. O pente-fino atingiu cargos comissionados considerados de “alta criticidade” depois que os cruzamentos mostraram ausência de registro de ponto, de login em computador e de acesso ao Sistema Eletrônico de Informações, usado para a tramitação de documentos oficiais.
O levantamento virou uma das maiores devassas recentes na máquina pública fluminense. Em algumas secretarias, a proporção de comissionados afastados ou sem atuação identificada chegou a 80%, segundo o material da auditoria. O resultado foi uma reação em cadeia dentro do governo, com cortes de estruturas, extinção de subsecretarias e uma estimativa de economia milionária para os cofres estaduais.
As informações foram publicadas pelo diariodorio.com, com base no trabalho da CGE e nas medidas adotadas pela gestão estadual após a apuração.
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Auditoria escancara 80% de servidores fantasmas em secretarias no governo do Rio, exonera mais de 4 mil comissionados e corte economiza R$ 16,7 milhões por mês aos cofres públicos do estado
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Ele perdeu o emprego numa fábrica de calçados no início dos anos 1990, vendeu ferramenta na porta de banco e padaria em Franca para sustentar a família e fundou a Loja do Mecânico, que hoje tem 19 lojas, projeta faturamento de R$ 1,2 bilhão e acaba de abrir a primeira unidade na capital paulista
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O pai fundou a Arezzo numa garagem de Belo Horizonte em 1972 e amargou dois anos de prejuízo, o filho criou a própria marca de sapatos aos 18 e, como CEO, levou o negócio à fusão que criou a gigante “Azzas 2154”, com mais de 30 marcas, 2 mil lojas e um IPO que levantou R$ 565 milhões
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Aos 21 anos, ele pegou um aporte de R$ 200 mil do pai e do tio e fundou uma papelaria “fofa” no Paraná, hoje a BRW fatura R$ 242 milhões, chega a 20 mil pontos de venda e patenteou 11 invenções como o marca-texto com gloss labial para conquistar as adolescentes
Pente-fino mostrou falhas em toda a estrutura estadual
De acordo com o levantamento, os indícios de irregularidade apareceram em todas as 77 estruturas analisadas. A CGE classificou os servidores comissionados em uma lista de “alta criticidade” depois de encontrar um padrão repetido: ausência de passagem pelas catracas físicas, falta de login em computadores e nenhum acesso ao SEI.
Na prática, o cruzamento de dados apontou pessoas oficialmente nomeadas, mas sem sinais de presença no dia a dia do serviço público. O quadro se espalhou por diferentes áreas do governo e mostrou que o problema não estava restrito a uma secretaria ou a um grupo específico.
Mais de 4 mil exonerações e corte de cargos em série
Diante do resultado da auditoria, o governador em exercício, Ricardo Couto, iniciou uma onda de desligamentos. Desde o começo do processo, mais de 4.283 comissionados já foram exonerados, segundo o material disponível.
O impacto mais pesado apareceu nas pastas com maior redução de cargos. A Secretaria de Trabalho teve corte de 78,6% nos comissionados. Em seguida vieram a Secretaria de Esporte e Lazer, com 75,6%, e a Secretaria de Turismo, com 73,3%. A Secretaria de Cultura, Tecnologia e Inovação também passou por encolhimento forte, com redução de 65,6%.
Além das exonerações, o governo também avançou sobre estruturas consideradas desnecessárias. Subsecretarias inteiras foram extintas, principalmente na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade e na Casa Civil.
Economia anual pode chegar a R$ 355 milhões
Até agora, 60 dos 77 órgãos estaduais concluíram a auditoria. Com isso, a projeção do governo é de uma economia anual de R$ 355 milhões, já considerando décimo terceiro salário e férias.
Somente as saídas registradas entre março e maio representam um corte de quase R$ 15 milhões por mês. O efeito financeiro ajuda a dimensionar o tamanho do pente-fino e mostra por que a revisão das folhas de pagamento ganhou peso dentro do Palácio Guanabara.
Para o governo, o desafio agora é concluir a limpeza nas demais estruturas e evitar que nomes excluídos retornem ao sistema por vias administrativas.
Casos emblemáticos expuseram ligações políticas e parentesco
A auditoria também encontrou situações que reforçaram a suspeita de indicações políticas e estruturas de favorecimento. Em depoimento aos auditores, alguns comissionados afirmaram que faziam “trabalho externo”, mas acabaram entrando em contradição.
Um dos casos citados foi o de Marcelo Cabral D’Almeida, lotado na extinta Subsecretaria de Manutenção de Áreas Verdes Urbanas, com salário de R$ 10.903,66. Ele disse fazer vistorias de campo na Zona Oeste do Rio, mas admitiu não lembrar nem o nome do próprio chefe quando foi questionado.
Outro episódio envolveu Marcus Wilson Von Seehausen e o filho, João Antonius Von Seehausen, que constavam na lista e foram exonerados. Também chamou atenção a Subsecretaria de Conscientização Ambiental, comandada por Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel.
Entre os nomes mencionados no levantamento aparece ainda a influenciadora Bruna Castello Branco Costa Motta, que foi lotada na Seas como adjunto I e exonerada sob a classificação de “alta criticidade”. Segundo o material, ela acumulou mais de R$ 9,6 mil em férias indenizadas sem histórico de acesso aos sistemas do Estado.
Estado endurece regras para impedir retorno aos cargos
Depois das exonerações, o governo passou a adotar restrições para bloquear o retorno dos suspeitos aos mesmos órgãos. Os secretários da Casa Civil, Flávio Willeman, e de Governo, Roberto Leão, encaminharam relatórios individualizados a cada pasta.
Os comissionados demitidos sob suspeita de fraude entraram em uma lista especial de restrição e ficaram proibidos, por decreto, de voltar ao órgão de origem. Os gestores das secretarias que ainda não concluíram a auditoria têm prazo para apresentar listas complementares e efetivar os desligamentos imediatos.
O pente-fino abriu uma frente nova dentro do governo fluminense e ainda deve render mais baixas nas próximas semanas. Se você acompanha os bastidores da administração pública no Rio, vale ficar de olho no avanço das próximas auditorias e nas novas exonerações.
