Com edital previsto para este mês e leilão em outubro, a EF-118 reúne grupos nacionais e estrangeiros em uma disputa que pode mudar a logística ferroviária do Sudeste e abrir nova rota para milhões de toneladas de cargas.
A EF-118, ferrovia que vai ligar Espírito Santo e Rio de Janeiro, entra de vez no radar do mercado com leilão previsto para outubro e a promessa de inaugurar uma nova fase para o transporte de cargas no país. O projeto já atraiu ao menos quatro grupos interessados, entre eles nomes de peso como a espanhola Acciona e a chinesa Power China.
O edital deve ser publicado ainda neste mês, e a disputa envolve uma obra bilionária que foge do modelo mais comum das concessões ferroviárias no Brasil. A ferrovia, chamada oficialmente de Anel Ferroviário do Sudeste, é a primeira concessão greenfield do país, com malha construída do zero.
Segundo folhavitoria.com.br, a concessão deve marcar também a estreia da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, criada pelo governo federal em novembro.
-
Auditoria no governo do Rio de Janeiro encontra funcionários fantasmas em todos os 77 órgãos estaduais, aponta até 80% de comissionados sem trabalhar em algumas secretarias e leva à exoneração de mais de 4 mil pessoas com economia milionária
-
Auditoria escancara 80% de servidores fantasmas em secretarias no governo do Rio, exonera mais de 4 mil comissionados e corte economiza R$ 16,7 milhões por mês aos cofres públicos do estado
-
Ele perdeu o emprego numa fábrica de calçados no início dos anos 1990, vendeu ferramenta na porta de banco e padaria em Franca para sustentar a família e fundou a Loja do Mecânico, que hoje tem 19 lojas, projeta faturamento de R$ 1,2 bilhão e acaba de abrir a primeira unidade na capital paulista
-
O pai fundou a Arezzo numa garagem de Belo Horizonte em 1972 e amargou dois anos de prejuízo, o filho criou a própria marca de sapatos aos 18 e, como CEO, levou o negócio à fusão que criou a gigante “Azzas 2154”, com mais de 30 marcas, 2 mil lojas e um IPO que levantou R$ 565 milhões
Quatro grupos já apareceram na disputa pela concessão

Até agora, ao menos quatro empresas ou consórcios mostraram interesse no projeto, de acordo com a apuração citada pela reportagem. Entre os nomes já ventilados estão a Acciona, a Power China e um consórcio formado pelas gestoras 4UM e Opportunity.
A presença de companhias estrangeiras ao lado de grupos brasileiros reforça a leitura de que a ferrovia tem potencial para atrair capital pesado. Também indica que o mercado enxerga valor em um ativo que demorou a sair do papel e pode ganhar escala em uma região estratégica para a logística nacional.
Obra de R$ 6,6 bilhões terá forte peso de recursos públicos
O desenho financeiro da EF-118 chama atenção porque a ferrovia não deve se sustentar apenas com a receita da operação. Dos R$ 6,6 bilhões previstos para a fase de implantação, cerca de R$ 4 bilhões virão de recursos públicos, segundo a modelagem aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT.
Esses recursos não saem diretamente do Tesouro. A estrutura prevê que o dinheiro venha do pagamento de outorga de outras concessões ferroviárias, o que ajuda a viabilizar uma obra considerada decisiva para ampliar a malha no Sudeste.
Traçado conecta portos, malha existente e pode alcançar até 24 milhões de toneladas por ano
O traçado obrigatório vai de Santa Leopoldina, no Espírito Santo, a São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, somando cerca de 246 quilômetros. Há ainda possibilidade de expansão até Nova Iguaçu, também no Rio.
Na ponta capixaba, a ferrovia se conecta à malha Vitória-Minas. O projeto também abre caminho para integração com o Porto do Açu e com terminais como o Porto de Ubu, em Anchieta, e o Porto Central, em Presidente Kennedy.
Na prática, a nova ligação pode criar um eixo ferroviário mais forte no Sudeste e ampliar as rotas de escoamento de cargas para os portos da região. A capacidade projetada é de até 24 milhões de toneladas por ano, incluindo carga geral, granéis líquidos, granéis sólidos agrícolas e minérios.
Leilão em outubro pode destravar a primeira de oito concessões planejadas
Com edital previsto para este mês e leilão em outubro, a EF-118 deve ser a primeira das oito concessões ferroviárias que o governo quer levar a mercado a partir de 2026. Isso faz do projeto um teste importante para o novo modelo e para o apetite de investidores em ativos de infraestrutura pesada.
Se o cronograma for mantido, a disputa pela ferrovia deve ganhar força nas próximas semanas. E, pela combinação de porte, localização e desenho financeiro, a obra já desponta como uma das mais observadas do setor.
A movimentação em torno da EF-118 mostra que a ferrovia vai muito além de um traçado no mapa: ela pode redesenhar a logística de cargas entre Espírito Santo e Rio e abrir uma nova corrida por ativos ferroviários no país. Quer acompanhar outras disputas bilionárias de infraestrutura? Compartilhe a matéria e deixe sua opinião.
