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Existe no universo distante uma galáxia com o formato de uma água-viva gigante, e seus tentáculos brilhantes não são enfeite: são gás sendo arrancado dela à força, dando à luz estrelas enquanto a galáxia foge por um mar de gás escaldante

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 09/07/2026 às 10:18 Atualizado em 09/07/2026 às 10:20
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James Webb revela a galáxia água-viva mais distante já detectada, com tentáculos de gás, estrelas jovens e pistas sobre a evolução das galáxias.

O Telescópio Espacial James Webb revelou uma das imagens mais incomuns já registradas de uma galáxia distante: COSMOS2020-635829, uma estrutura com longos rastros de gás que lembram os tentáculos de uma água-viva. Segundo o estudo publicado no The Astrophysical Journal, o objeto aparece em redshift z = 1,156, o que significa que está sendo observado como era há cerca de 8,5 bilhões de anos.

A descoberta foi liderada por Ian D. Roberts, da University of Waterloo, e ganhou destaque por registrar a galáxia água-viva mais distante já identificada até agora. As observações indicam que esse tipo de transformação galáctica já ocorria quando o Universo era muito mais jovem do que os modelos tradicionais costumavam sugerir.

O que é uma galáxia água-viva e por que ela chama tanta atenção

Galáxias água-viva recebem esse nome por causa dos longos fluxos de gás que se estendem para trás, formando estruturas parecidas com tentáculos.

No caso de COSMOS2020-635829, o estudo descreve um disco galáctico relativamente simétrico acompanhado por uma cauda unilateral com fontes extraplanares em formação estelar.

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Esses objetos são importantes porque mostram uma galáxia sendo transformada em tempo cósmico real. Em vez de apenas revelar a forma final de uma galáxia já alterada, elas expõem o processo de remoção de gás que muda sua estrutura e afeta sua capacidade de continuar formando estrelas.

Pressão dinâmica é o vento cósmico que arranca o gás da galáxia

O mecanismo por trás dos tentáculos é chamado de ram-pressure stripping, ou arrancamento por pressão dinâmica. Segundo a equipe da University of Waterloo, a galáxia se move rapidamente por um ambiente de aglomerado quente e denso, e esse meio atua como um vento forte que empurra o gás para trás.

Esse processo não significa que a galáxia esteja explodindo. O que acontece é uma remoção progressiva do gás por interação com o meio ao redor, deixando um rastro visível e alterando profundamente a evolução futura da galáxia.

Tentáculos de gás também viraram berçários de estrelas jovens

Um dos pontos mais importantes da descoberta é que os tentáculos não contêm apenas gás disperso. O estudo relata a presença de nós azuis em formação estelar embutidos nessa cauda, indicando que novas estrelas estão nascendo fora do disco principal da galáxia.

James Webb revela a galáxia água-viva mais distante já detectada, com tentáculos de gás, estrelas jovens e pistas sobre a evolução das galáxias.
Existe no universo distante uma galáxia com o formato de uma água-viva gigante

Segundo o artigo científico, essas fontes extraplanares abrigam populações estelares extremamente jovens, com idades de até 100 milhões de anos, além de massas estelares em torno de 10⁸ massas solares e taxas de formação estelar entre 0,1 e 1 massa solar por ano.

Isso reforça a interpretação de que o gás arrancado não foi apenas perdido, mas também comprimido e convertido em novas estrelas.

Descoberta desafia a visão antiga sobre os aglomerados do Universo jovem

A equipe afirma que a descoberta tem peso especial porque, nessa época do Universo, muitos cientistas esperavam aglomerados ainda em formação e menos eficientes em produzir esse tipo de arrancamento de gás.

A presença de uma galáxia água-viva tão distante indica que esses ambientes já eram severos o suficiente para alterar galáxias de forma intensa bem antes do previsto.

No comunicado da University of Waterloo, Ian Roberts destacou que os ambientes de aglomerado já eram duros o bastante para remover gás das galáxias e que isso sugere uma influência ambiental forte mais cedo do que se imaginava. A equipe também aponta que esse tipo de processo pode ter ajudado a construir a grande população de galáxias “mortas” vista em aglomerados no Universo atual.

James Webb tornou possível enxergar a galáxia água-viva a 8,5 bilhões de anos no passado

A identificação de COSMOS2020-635829 só foi possível com a resolução e a sensibilidade do James Webb em observações profundas do campo COSMOS, uma das regiões do céu mais estudadas para investigar galáxias distantes.

O trabalho combinou imagens do JWST com dados espectroscópicos do Gemini GMOS IFU, permitindo ligar a cauda ionizada ao disco da galáxia.

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O artigo publicado no The Astrophysical Journal classifica o objeto como uma galáxia água-viva candidata, e não como um caso encerrado sem margem para refinamento.

Ainda assim, os autores afirmam que, se a interpretação for mantida, trata-se do exemplo de maior redshift já observado com cauda ionizada produzida por pressão dinâmica.

COSMOS2020-635829 virou uma janela rara para a evolução das galáxias

Mais do que uma imagem impressionante, a descoberta oferece uma janela para entender como galáxias eram moldadas durante uma fase crucial da história cósmica.

Ela sugere que a interação entre galáxias e o ambiente ao redor já influenciava fortemente a formação estelar e a perda de gás quando o Universo ainda estava longe da idade atual.

Ao revelar uma estrutura tão distante com detalhes de seus tentáculos e de seus berçários estelares, o James Webb ampliou o alcance da astronomia observacional em um dos temas mais importantes da cosmologia moderna: como galáxias deixam de formar estrelas e como o ambiente acelera essa transformação.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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