Líderes dos caminhoneiros decidiram em assembleia no Sindicam, na Baixada Santista, descartar greve nacional e abrir sete dias de negociação com o governo. Boulos recebe a categoria em 25 de março. Nova assembleia ocorre em 26. MP 1.343/2026 reforça a tabela do frete e amplia fiscalização da ANTT para 100%
Os caminhoneiros decidiram não partir para uma greve nacional, mesmo com a insatisfação com o diesel, e colocaram a negociação no centro da estratégia para os próximos dias. A categoria recuou da paralisação, mas não recuou da pressão.
O recado foi dado com calendário e condicionantes: sete dias para negociar pontos com o governo, reunião com Guilherme Boulos na próxima semana e uma nova assembleia marcada para 26 de março para reavaliar o cenário. O desfecho depende do que mudar no texto e do que aparecer na prática.
A decisão que segurou a greve e o “alerta” que continua ligado
A decisão de não fazer greve nacional foi tomada em assembleia no Sindicam, sindicato dos caminhoneiros da Baixada Santista.
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Segundo a apuração citada, essa assembleia é vista como “soberana”, e as deliberações costumam ser seguidas por caminhoneiros de outros estados.
O presidente do Sindicam, Luciano Santos, resumiu a linha adotada: “não é o momento de greve”.
No argumento, há uma diferença central: para ele, a greve seria o último recurso, e a categoria prefere negociar enquanto existe interlocução aberta com o governo.
Boulos entra no roteiro e a categoria cria uma janela de sete dias
Os caminhoneiros vão se reunir com Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, em 25 de março, segundo confirmação atribuída à CNTTL.
O encontro virou o principal marco político do curto prazo, porque coloca a negociação em nível ministerial.
Ao mesmo tempo, os caminhoneiros estabeleceram um prazo de sete dias para discutir ajustes ligados à medida provisória.
O recuo da greve veio acompanhado de um ultimato indireto: a próxima avaliação está datada, com assembleia marcada para 26 de março.
A MP 1.343/2026 e o que muda com fiscalização total dos fretes
A MP 1.343/2026 foi publicada em edição extra do Diário Oficial e prevê punições para empresas que não pagarem o preço mínimo de frete aos motoristas.
A fiscalização será conduzida pela ANTT, com aumento para 100% dos fretes, segundo o material citado.
Para lideranças dos caminhoneiros, a MP é um avanço, mas não fecha o pacote. Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, disse que a categoria pretende trabalhar por emendas para proteger pontos específicos, como seguros, GR e identificação do peso dos caminhões, entre outros ajustes que ele considera necessários.
Diesel como gatilho e o pano de fundo que acelerou a tensão
A ameaça de paralisação ganhou força depois que o diesel acumulou alta de 18,86% desde o fim de fevereiro, ainda segundo o relato.
Esse tipo de variação, em pouco tempo, bate direto no custo do frete e na margem do caminhoneiro.
O aumento ocorreu em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou o mercado global de petróleo.
A cotação do brent, referência internacional, subiu 42,7% no período citado, de US$ 72,48 para US$ 103,42. O efeito é imediato: pressão no preço e disputa sobre quem absorve a conta.
O que o governo já fez e por que a negociação ainda está aberta
O governo atua para segurar o preço do diesel com medidas tributárias e articulação com estados. Primeiro, o Planalto zerou PIS e Cofins sobre o diesel para reduzir o impacto das oscilações do petróleo na economia brasileira.
Depois, a equipe econômica iniciou uma ofensiva para que governos estaduais reduzam o ICMS sobre o diesel importado.
Em paralelo, a ANP anunciou ampliação de fiscalização para identificar e punir cobranças abusivas em postos, e a Polícia Federal abriu inquérito para investigar suspeitas de preços abusivos e crimes contra consumidores no mercado de combustíveis.
Os caminhoneiros descartaram a greve nacional por agora, mas mantêm o “estado de alerta” e amarraram o debate em três pontos: a reunião com Boulos em 25 de março, a janela de sete dias para negociar a MP 1.343/2026 e a assembleia de 26 de março para reavaliar se a negociação entregou resultado real.
O diesel foi o estopim, mas o núcleo é previsibilidade de renda e cumprimento do frete mínimo.
Na sua leitura, os caminhoneiros acertaram em recuar da greve para negociar ou isso só empurra a crise para frente? E a fiscalização de 100% dos fretes resolve o problema ou abre outro tipo de conflito?

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