Pesquisa mostra que o café brasileiro, símbolo cultural e hábito diário de milhões de pessoas, enfrenta alta histórica de preços que altera escolhas e força consumidores a buscar alternativas mais baratas
O café brasileiro, tradicional na mesa de quase todas as famílias, está mais caro do que nunca. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Axxus com 4.200 pessoas em setembro de 2025 revela que 24% dos brasileiros reduziram o consumo da bebida neste ano e 39% passaram a trocar marcas tradicionais por opções mais baratas, numa clara adaptação à alta dos preços.
Segundo especialistas, o movimento reflete não apenas o encarecimento do produto no mercado interno, mas também os impactos de fatores globais e climáticos. Ainda assim, o consumo diário segue elevado, mostrando que a paixão pelo café resiste às dificuldades econômicas.
Preço alto pressiona consumo do café brasileiro
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) apontam que os custos dispararam por causa de tarifas internacionais, estoques reduzidos e perdas na produção.
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O preço médio do quilo do café atingiu R$ 62,83 em agosto de 2025, quase o dobro do registrado dois anos antes.
Além das tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, problemas climáticos reduziram a produção, em especial da variedade arábica.
Geadas no Cerrado Mineiro resultaram em prejuízos de aproximadamente 25 mil toneladas.
Essa combinação elevou os custos da indústria e encareceu o produto para o consumidor final.
Mudança nos hábitos de compra
A pesquisa do Instituto Axxus mostra que, enquanto antes os consumidores buscavam manter suas marcas preferidas e apenas comparar preços, agora a prioridade é economizar.
Quase 40% dos entrevistados já escolhem a marca mais barata da prateleira, contra apenas 7% em 2019.
Segundo o pesquisador Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o dado revela uma mudança significativa de comportamento:
O café continua indispensável, mas o critério de escolha passou a ser puramente financeiro.
Consumo diário ainda resiste
Mesmo com a escalada dos preços, 96% dos brasileiros afirmam consumir café todos os dias. Entre eles, 44% bebem de três a cinco xícaras de 50 ml diariamente.
Esse dado confirma que, embora o bolso pese, a bebida continua sendo parte essencial da rotina.
O desafio é manter esse hábito diante de aumentos sucessivos.
A própria Abic projeta que os preços podem subir até 15% nas próximas semanas, acompanhando o encarecimento da produção.
Perspectivas e impactos no mercado interno e externo
Além do consumo doméstico, o café brasileiro enfrenta dificuldades no comércio internacional.
As exportações para os Estados Unidos, especialmente de cafés especiais e solúveis, já registram queda significativa.
A combinação de tarifas, custos de produção elevados e problemas logísticos pressiona produtores e ameaça a competitividade do Brasil no setor.
Especialistas alertam que o café brasileiro deve permanecer caro no curto prazo, o que pode consolidar o movimento de migração para marcas mais baratas e reduzir o consumo em parte da população.
O café brasileiro continua presente na rotina nacional, mas o aumento expressivo dos preços está transformando hábitos e exigindo ajustes.
A troca por marcas mais baratas e a redução no consumo de parte da população mostram que a bebida, antes acessível, tornou-se um peso no orçamento de muitas famílias.
E você, já mudou a forma de consumir café por causa do preço? Deixou de comprar sua marca preferida ou diminuiu as xícaras do dia? Compartilhe sua experiência nos comentários e participe dessa discussão.
