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BYD com os dias contados? Warren Buffett vende todas ações da BYD após 17 anos e acende alerta global em meio à guerra de preços que ameaça líderes do mercado elétrico na China

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 27/12/2025 às 17:05
Berkshire de Warren Buffett zera participação na BYD após 17 anos, em meio à guerra de preços que pressiona o mercado de carros elétricos.
Berkshire de Warren Buffett zera participação na BYD após 17 anos, em meio à guerra de preços que pressiona o mercado de carros elétricos.
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Saída histórica de investidor de longo prazo ocorre em meio à intensificação da concorrência no mercado chinês de veículos elétricos, pressionando ações da BYD e reacendendo debates sobre margens, liderança global e estratégias de expansão internacional.

A Berkshire Hathaway, holding por meio da qual Warren Buffett administra seus investimentos, zerou sua participação acionária na BYD, maior montadora da China e uma das principais fabricantes globais de veículos elétricos e híbridos.

Segundo reportagem publicada pela revista Forbes publicada nesta terça-feira (23), a informação foi confirmada a partir de um documento corporativo que indicou valor zerado da posição em 31 de março de 2025, encerrando um investimento iniciado em 2008.

A movimentação teve reflexo imediato no mercado.

As ações da BYD recuaram entre 3% e 3,6% no pregão em que a saída ganhou repercussão na Bolsa de Hong Kong, figurando entre os piores desempenhos do dia, de acordo com a apuração da Forbes.

Ao longo da sessão, porém, o papel reduziu parte das perdas e fechou longe da mínima.

A venda total ocorre em um momento de maior atenção dos investidores ao setor de veículos elétricos na China, marcado por forte concorrência e cortes de preços.

Analistas de mercado têm apontado que esse ambiente pressiona margens de lucro e aumenta a sensibilidade das ações a notícias envolvendo grandes acionistas.

Documento oficial confirmou posição zerada da Berkshire

A indicação de que a Berkshire não mantinha mais ações da BYD apareceu em relatório da Berkshire Hathaway Energy, unidade do grupo que detinha os papéis.

Segundo a Forbes, o documento listou a participação com valor zero na data de referência.

Em seguida, veículos de imprensa internacionais relataram que representantes da holding confirmaram o encerramento da posição.

Desde 2022, a Berkshire vinha reduzindo gradualmente sua fatia na montadora chinesa, movimento que já vinha sendo acompanhado de perto pelo mercado.

Ainda assim, o fechamento completo da posição, após mais de 15 anos, chamou atenção por ocorrer enquanto a BYD segue líder em volume no mercado chinês de veículos eletrificados e amplia sua presença internacional.

Outro fator que contribuiu para a surpresa foi o nível de divulgação.

Em 2024, a participação da Berkshire caiu abaixo de 5% das ações negociadas em Hong Kong, limite que encerra a obrigação de comunicar novas vendas de forma recorrente à bolsa local.

Com isso, parte das operações posteriores deixou de ser divulgada em tempo real.

Aposta iniciada em 2008 e retorno expressivo ao longo dos anos

A entrada da Berkshire no capital da BYD ocorreu em setembro de 2008, quando a holding adquiriu 225 milhões de ações, equivalentes a cerca de 9,9% da companhia à época.

O aporte inicial foi estimado em aproximadamente US$ 230 milhões, conforme levantamento citado pela Forbes.

Ao longo dos anos seguintes, a BYD passou por uma transformação operacional.

A empresa ampliou sua atuação no setor automotivo, consolidou uma cadeia integrada de produção de baterias e veículos e se tornou referência no mercado chinês de elétricos e híbridos.

Levantamentos de mercado indicam que o investimento da Berkshire se multiplicou diversas vezes no período, embora os números exatos variem conforme a metodologia utilizada.

A decisão de investir na companhia chinesa foi defendida publicamente, ao longo dos anos, por Charlie Munger, então vice-presidente da Berkshire.

Em diferentes ocasiões, ele destacou a capacidade de execução e a escala industrial da BYD.

Reação da BYD à saída e posicionamento oficial

Após a divulgação da venda total, a BYD se manifestou por meio de um comunicado publicado na rede social Weibo.

Li Yunfei, diretor-geral de branding e relações públicas da companhia, afirmou que operações de compra e venda fazem parte da dinâmica normal do mercado acionário.

“Nos investimentos em ações, comprar e vender é uma prática normal. Somos gratos a Munger e Buffett pelo reconhecimento da BYD e por seus 17 anos de investimento, apoio e parceria”.

A declaração buscou contextualizar a saída como uma decisão financeira da Berkshire, sem associá-la diretamente à avaliação operacional da montadora.

Ainda assim, analistas observam que movimentos envolvendo investidores de grande porte costumam ser acompanhados com atenção, especialmente em setores sob pressão competitiva.

Guerra de preços pressiona margens no setor de elétricos

O setor de veículos elétricos na China atravessa uma fase de concorrência intensa, com sucessivos cortes de preços para manutenção de volume de vendas.

Fabricantes locais disputam espaço em um mercado que cresce em ritmo mais moderado do que nos anos anteriores.

Esse cenário tem impacto direto sobre a rentabilidade das empresas.

Nesse contexto, a BYD divulgou queda de 29,9% no lucro líquido no segundo trimestre de 2025, para 6,4 bilhões de yuans, segundo dados reportados pela própria companhia e repercutidos pela Forbes.

Foi o primeiro recuo trimestral após mais de três anos de crescimento.

De acordo com análises publicadas por veículos especializados, a retração refletiu ajustes de preços, custos operacionais e mudanças no ritmo de expansão, em um ambiente de competição mais acirrada.

Expansão internacional segue no radar estratégico

Paralelamente aos desafios no mercado doméstico, a BYD mantém planos de expansão fora da China.

A empresa realizou uma captação bilionária em Hong Kong para financiar projetos internacionais e fortalecer sua atuação global, conforme destacou a Forbes em reportagens recentes.

O Brasil está entre os mercados acompanhados de perto.

A montadora avança com o projeto de instalação de uma fábrica em Camaçari, na Bahia, embora o cronograma tenha passado por revisões.

Informações divulgadas por autoridades e pela própria companhia indicam que a produção deve começar de forma gradual, com ampliação prevista para os anos seguintes.

Mesmo com o foco externo, analistas destacam que o desempenho da BYD continuará fortemente ligado às condições do mercado chinês.

O país segue responsável pela maior parte das vendas e dos resultados financeiros da empresa.

Com a saída definitiva da Berkshire Hathaway do quadro acionário, investidores e analistas acompanham como a BYD pretende sustentar a liderança em um ambiente de concorrência elevada e margens pressionadas, equilibrando crescimento, rentabilidade e expansão global.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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