Protótipo criado no Piauí reaproveita bateria automotiva da BYD para abastecer residência, carregar veículo e operar de forma off-grid, utilizando energia de 24 placas solares.
Um morador do Piauí reaproveitou a bateria de um carro elétrico da BYD que seria descartada após um acidente e transformou o componente em um sistema doméstico de energia solar.
A iniciativa, segundo reportagem publicada pelo TecMundo, permite armazenar eletricidade gerada por 24 placas solares, alimentar a casa, recarregar o veículo e operar de forma independente da rede da concessionária, de acordo com informações apresentadas pelo próprio desenvolvedor.
Sistema off-grid com bateria de carro elétrico
No vídeo enviado ao TecMundo e publicado nas redes sociais, o autor do projeto se identifica como responsável pelo desenvolvimento do equipamento que converte a bateria automotiva para uso estacionário.
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Ele explica que o conjunto foi projetado para funcionar fora da rede elétrica, com capacidade de armazenar energia solar e distribuí-la conforme a demanda.
Segundo Frota, a bateria retirada de um veículo acidentado ainda apresentava cerca de 99% de saúde das células, dado também destacado pelo TecMundo ao repercutir o caso.

Ele afirma que, no ambiente doméstico, o desgaste tende a ser menor do que no uso automotivo.
Nos vídeos, ele diz que a bateria consegue manter a residência abastecida por até 14 horas sem sol, utilizando aproximadamente 30% da carga total.
Módulo de comunicação e gerenciamento da bateria
Para adaptar a bateria ao uso residencial, o desenvolvedor criou um módulo eletrônico que se comunica diretamente com o componente.
No vídeo, ele afirma que esse módulo faz a bateria “interpretar” que está conectada ao sistema original do carro da BYD.
Essa estratégia contorna a limitação de segurança do gerenciamento interno, que só libera energia quando detecta condições adequadas.
Segundo Frota, o software da própria bateria monitora temperatura, tensão e outros parâmetros, interrompendo o funcionamento se houver qualquer irregularidade.
Fluxo de energia entre placas, inversor, casa e veículo
O sistema mostrado utiliza 24 placas solares que enviam energia a um inversor.
Esse equipamento converte a corrente contínua das placas em corrente alternada, compatível com a casa.
Frota mostra o dispositivo e explica que ele distribui a energia para a bateria, para a residência e para o veículo elétrico conectado.
Ele afirma ainda que há possibilidade técnica de envio do excedente para a rede da concessionária.

O desenvolvedor indica que sua instalação atual opera exclusivamente no modo off-grid.
Em uma das telas exibidas no vídeo, ele aponta o monitoramento que sinaliza independência da rede pública.
Quedas de energia motivaram criação do protótipo
Em seu relato, o morador afirma viver em uma região com fornecimento instável, marcada por variações de tensão e interrupções frequentes.
Ele explica que, durante o dia, a tensão chegava a valores superiores ao padrão da região devido à geração solar distribuída.
À noite, caía a níveis considerados insuficientes para carregar o carro.
Frota também menciona casos de longos períodos sem energia em razão de condições climáticas e de corrosão causada pela maresia.
De acordo com o TecMundo, essa instabilidade recorrente foi um dos principais motivadores para o desenvolvimento do sistema off-grid.
Do V2L ao uso de bateria automotiva fixa
Antes da adaptação da bateria reaproveitada, o morador já utilizava a função V2L presente em modelos da BYD, que permite usar o carro como fonte de energia para equipamentos externos.

Com base nesse recurso, ele criou uma caixa chamada Power Box, apresentada como alternativa emergencial.
Posteriormente, o projeto evoluiu para a versão atual, que utiliza a bateria automotiva instalada na parede e ligada de forma permanente ao sistema fotovoltaico.
Frota descreve essa etapa como uma ampliação da solução inicial.
Segurança térmica e comportamento da bateria
Uma das dúvidas mais frequentes nos comentários do vídeo é sobre o risco de aquecimento.
Frota afirma que, no uso residencial, a demanda é menor do que a exigida em um veículo em movimento.
Ele diz ainda que o sistema de gerenciamento interno permanece ativo e controla temperatura e tensão.
Nos vídeos, o desenvolvedor relata que, mesmo em condições de calor no Nordeste, a bateria se mantém em temperatura ambiente durante a operação.
Essa avaliação é baseada em medições feitas por ele no próprio protótipo.
Reportagens que divulgaram o caso, incluindo a publicação original do TecMundo, também citam a autonomia aproximada de 14 horas utilizando apenas parte da capacidade da bateria.
Protótipo e intenção de industrialização
O equipamento mostrado é apresentado como um protótipo, instalado na residência do próprio criador.
Frota afirma que o sistema está em funcionamento e diz que negocia com uma empresa de São Paulo o desenvolvimento de uma versão industrializada do módulo de comunicação.
A proposta incluiria instalação especializada.
Ele também comenta que a reutilização de baterias de carros acidentados pode amenizar o descarte de componentes ainda funcionais, ponto mencionado por especialistas em economia circular ao tratar da chamada “segunda vida” de baterias automotivas.
O desenvolvedor afirma que o objetivo é oferecer uma alternativa para regiões com fornecimento instável e para imóveis que dependem de equipamentos essenciais, como estabelecimentos rurais ou residências com pacientes que utilizam aparelhos elétricos.


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