A história da Cutrale, empresa familiar que virou maior mundo na laranja, lidera o suco de laranja, é hoje maior produtor de suco de laranja e pesa no mercado mundial de suco de laranja.
A trajetória de um imigrante italiano que começou comprando caixas de fruta no cais e vendendo no Mercado Municipal de São Paulo acabou criando o que hoje é considerado o maior mundo na laranja. A cada três copos de suco consumidos no planeta, um sai das fábricas da Cutrale, empresa que exporta para cerca de 90 países e sustenta mais de 15 mil empregos diretos ligados à cadeia do suco.
O que nasceu de um negócio familiar, focado na laranja in natura, atravessou guerra, geada e crises globais até se consolidar como o maior mundo na laranja, disputando um mercado concentrado em poucas empresas. Da chegada de Giusepe Cutrale ao Brasil na década de 1930 ao comando atual de José Luiz Cutrale, a história mistura visão de oportunidade, trabalho pesado no campo e um estilo de gestão discreto, voltado mais para as laranjas do que para os holofotes.
Das colheitas na Sicília ao sonho de virar o maior mundo na laranja
Giusepe Cutrale não caiu por acaso no mundo das laranjas. Antes de atravessar o oceano, ele já trabalhava em laranjais na Sicília, na Itália.
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Quando veio ao Brasil na década de 1930, na mesma leva de milhares de imigrantes que buscavam trabalho e estabilidade para a família, trouxe na bagagem a experiência com a fruta e a disposição para recomeçar do zero.
Aqui, passou a comprar laranjas no Rio de Janeiro, na época um dos principais polos produtores, e revendê-las no Mercado Municipal de São Paulo.
Não demorou para perceber que havia espaço para ir além da venda local. Usando os contatos que mantinha na Europa, começou a exportar laranjas brasileiras para Alemanha, Holanda e Canadá, ampliando o alcance da fruta muito antes da empresa assumir o posto de maior mundo na laranja.
A Segunda Guerra interrompeu esse avanço. Entre o fim da década de 1930 e o começo da de 1940, o conflito na Europa praticamente paralisou o comércio com o continente e obrigou Giusepe, já conhecido como José Cutrale, a recuar.
Mesmo assim, a base estava plantada: conhecimento da fruta, contatos e uma família que crescia junto com o negócio.
A virada de José Cutrale Júnior e o salto para o suco
Em 1947, quem assume a frente dos negócios é o caçula dos 11 filhos, José Cutrale Júnior. Com apenas o primeiro grau completo, ele abandona os estudos, entra de vez na empresa da família e leva adiante os planos do pai com uma mistura de intuição e ousadia.
Naquele momento, um fator externo começava a mudar o jogo. Problemas climáticos repetidos na Flórida, então maior produtora mundial de laranjas, iam afetando a oferta e abrindo espaço para novos players.
Enquanto os pomares americanos sofriam com geadas, José Cutrale Júnior investia em mais fruta e ampliava a estrutura no interior paulista.
Na década de 1950, ele compra uma pequena pack house em Bebedouro, empresa voltada a embalar laranja para exportação. Até ali, o foco continuava sendo a fruta in natura.
A grande guinada viria em 1967, quando a família decide entrar no mercado de suco de laranja ao adquirir a Suconasa, em Araraquara, uma fábrica falida que parecia mais problema do que oportunidade.
Na prática, era o passo que faltava para a empresa construir o caminho que a levaria a se tornar o maior mundo na laranja.
Para reerguer a planta e recuperar a confiança dos clientes, José Cutrale Júnior partiu pessoalmente em busca de cada comprador, renegociando entregas, prazos e contratos.
Enquanto colocava a casa em ordem por aqui, o destino colaborava lá fora: uma nova forte geada devastava pomares na Flórida, elevando os preços da laranja no mercado internacional e valorizando o produto brasileiro.
Com a laranja em alta, a recém criada Sucocítrico Cutrale consegue fechar bons contratos de suco concentrado, paga rapidamente praticamente todo o valor investido na compra da Suconasa e se posiciona como uma fornecedora relevante em um mercado que buscava alternativas à Flórida.
O estilo Cutrale: dono no campo, controle na beira da estrada

Uma das marcas da trajetória de José Cutrale Júnior foi a forma de gerir o negócio. Ele não era um executivo que passava o dia atrás de uma mesa.
Viajava milhares de quilômetros para vistoriar pomares, checar operações, acompanhar a colheita e ver de perto a qualidade da fruta. Se fosse preciso recolher caixas esquecidas ou laranjas jogadas no chão, fazia ele mesmo, como qualquer trabalhador do campo.
Em 1945, ele se casa, e dessa relação nasce José Luiz Cutrale, que assumiria o comando do grupo mais tarde. Desde a adolescência, o filho é lançado para perto da operação.
A pedido do pai, vai para a beira da estrada fiscalizar a velocidade dos caminhões da empresa, aprendendo na prática que o cuidado com a logística é tão importante quanto o cuidado com o pomar.
José Luiz não ficou só no empirismo. Além de seguir no rastro do pai, estudou línguas, oratória e desenvolveu habilidades de negociação que, somadas ao legado da família, ajudariam a consolidar a Cutrale como o maior mundo na laranja, mesmo em um mercado cada vez mais competitivo e concentrado.
Discrição, generosidade interna e o condomínio em forma de coração
Outra característica que atravessa as gerações é a combinação de discrição pública com generosidade dentro da empresa.
Tanto o pai quanto o filho evitam exposição em entrevistas e colunas sociais. Mesmo com fortuna bilionária e posição de destaque, preferem manter distância dos holofotes e viver perto da família e de amigos mais próximos.
Por dentro da companhia, porém, o cuidado com quem trabalha na operação se destaca. Um exemplo é a decisão de transferir o centro administrativo de São Paulo para Araraquara em 1986.
No mesmo movimento, a empresa construiu um condomínio próximo à fábrica, com casas confortáveis cercadas por uma muralha em formato de coração.
Ali viviam, além da família de José Luiz, outros diretores e executivos considerados fundamentais na construção do grupo.
Enquanto o público em geral quase não vê fotos ou falas do dono do maior mundo na laranja, quem está dentro da empresa sente o peso dessa cultura de proximidade e reconhecimento.
Números de quem virou o maior mundo na laranja

Se a origem foi um pequeno comércio de laranjas entre Rio e São Paulo, a escala atual é de outro mundo.
De acordo com os dados apresentados, José Luiz Cutrale apareceu em 2021 como a 22ª pessoa mais rica do Brasil, com fortuna estimada em 2,5 bilhões de dólares, algo na casa dos mais de 10 bilhões de reais.
A empresa se tornou uma das três gigantes que operam no Brasil e controlam cerca de 80% do mercado mundial de suco de laranja.
A cada três copos de suco consumidos no planeta, um sai das fábricas da Cutrale, o que justifica o rótulo de maior mundo na laranja.
A estrutura industrial é espalhada por várias cidades do interior paulista. Há fábricas em Araraquara, Colina, Coxilha Rica, Itápolis e operação em dois terminais portuários no litoral, em Santos e Guarujá.
Em plena safra, a empresa chega a empregar cerca de 18 mil pessoas nas unidades agrícolas, industriais e no centro administrativo, mantendo mais de 15 mil empregos diretos associados à sua cadeia de produção e exportação.
Além de atender o mercado interno, a Cutrale exporta suco de laranja para cerca de 90 países, espalhando a fruta brasileira pela Europa, América do Norte e outras regiões.
O que começou com Giusepe levando caixas para o Mercado Municipal, hoje é um sistema integrado de pomares, fábricas, terminal portuário e contratos globais, consolidando de vez a imagem da empresa como o maior mundo na laranja.
Legado, impacto econômico e a força de uma história que começou pequena
Quando José Cutrale Júnior morreu, em 29 de dezembro de 2004, aos 78 anos, o grupo já tinha dominado o mercado nacional e internacional de suco de laranja.
O que ele havia herdado do pai, multiplicou. O que o filho herdou dele, ampliou ainda mais, mantendo a lógica de trabalho no campo, disciplina na gestão e baixa exposição na vida pública.
O impacto não fica apenas nas fronteiras da empresa. A cadeia da laranja movimentada pelo maior mundo na laranja ajuda a girar economias locais, gera empregos diretos e indiretos, demanda serviços, transporte, insumos agrícolas e tecnologia, além de contribuir para a balança comercial brasileira com exportações constantes.
Por trás de cada copo de suco que sai de uma fábrica da Cutrale há décadas de aprendizado, risco assumido em momentos de crise e decisões que poderiam ter dado errado.
A diferença é que, neste caso, o olhar de um imigrante sobre a laranja brasileira, a visão de oportunidade do filho diante das geadas na Flórida e a persistência da família em manter o controle do negócio ao longo das gerações transformaram um comércio simples em um império.
Em um mundo em que tanta gente sonha em “começar do zero” e construir algo grande, a história do maior mundo na laranja serve de exemplo concreto de como um produto aparentemente comum pode se tornar a base de uma das maiores empresas do agronegócio global.
Créditos do relato e das imagens originais para o canal Fatos Rurais, no YouTube.
E você, se tivesse a chance de escolher, preferiria apostar em um negócio simples e focado como o da laranja, tentando crescer nele até virar referência, ou buscaria diversificar desde o início em vários setores diferentes?


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