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Enquanto o Brasil mantém o escudo antiaéreo mais frágil do G20 e empurra com a barriga a compra do A-Darter, os Estados Unidos queimaram 25% de todo o estoque do escudo antimíssil THAAD em algumas semanas na guerra do Irã e levantam fábrica de US$ 9 bilhões no Alabama para reconstruir

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 25/05/2026 às 10:23
Atualizado em 25/05/2026 às 10:25
Interceptador antimíssil THAAD do Exército dos Estados Unidos em lançamento durante teste real
Lançamento real de interceptador THAAD durante teste do Exército americano.
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Em 21 de maio, a Lockheed Martin abriu o canteiro do Building 47 em Troy, no Alabama, parte de uma estratégia de US$ 9 bilhões em expansão de produção de munição até 2030, depois que os Estados Unidos queimaram em poucas semanas de guerra com o Irã quase 25% de todo o estoque de mísseis interceptadores THAAD que o país tinha em prontidão.

O Building 47 vai ganhar 87 mil pés quadrados de nova área produtiva, em torno de 8 mil metros quadrados.

É quase o dobro da área de produção atual do complexo da Lockheed no estado.

Do total de US$ 9 bilhões previstos para a expansão, a companhia já investiu mais de US$ 1 bilhão.

O acordo-quadro com o Department of War americano prevê quadruplicar a produção anual do THAAD, dos atuais 96 para 400 interceptadores por ano.

Cada míssil THAAD custa em torno de US$ 15 milhões em FY 2026.

Significa que a fábrica vai entregar até US$ 6 bilhões em mísseis ao ano quando estiver na capacidade total.

Quem viu o sumiço do estoque em tempo real entende a urgência.

A guerra entre Irã, Israel e os aliados americanos no Golfo, que escalou no fim do ano passado, consumiu mais THAAD em poucas semanas do que os Estados Unidos haviam disparado em três décadas inteiras de programa.

Foram cerca de 150 interceptadores THAAD disparados em combate real durante o conflito, segundo o think tank britânico Royal United Services Institute em relatório publicado em março.

O número equivale a aproximadamente um quarto do estoque que os Estados Unidos mantinham em prontidão para defender as bases aliadas no Oriente Médio.

É algo em torno de US$ 2,25 bilhões em mísseis caros, queimados em pouquíssimo tempo.

Por que o estoque foi a primeira vítima da guerra

A guerra começou com o Irã despachando salvas pesadas contra alvos americanos no Golfo Pérsico e bases israelenses.

Foram mais de 550 mísseis balísticos e de cruzeiro, além de 2.200 drones, segundo dados consolidados do Ministério da Defesa americano em maio.

O Iron Dome israelense cuidou da maioria dos drones e dos mísseis de curto alcance.

Mas balísticos de longo alcance, parecidos com o ICBM russo Sarmat, exigem o THAAD, que faz interceptação no estágio terminal de alta altitude.

Cada interceptação consome de um a dois interceptadores, dependendo da margem de segurança que o operador adota.

O estoque americano em prontidão derreteu rápido.

Marinha do Brasil dispara um míssil Exocet durante o Lançamento de Armas em 2021

O alerta veio do RUSI, em Londres, com diagnóstico curto: reposição leva anos, não meses.

A linha de produção do THAAD depende de minerais críticos, sistemas eletrônicos específicos, testes de voo no Wake Island e validação de software complexo.

Não é como repor munição de fuzil.

O que o Brasil tem (e o que falta)

O Brasil entrou na guerra Irã-Israel apenas como espectador, e foi o que dava pra esperar.

O país mantém o escudo antiaéreo mais frágil entre as economias do G20.

O sistema oficial de defesa antiaérea brasileira depende, em boa parte, de canhões antiaéreos com décadas de operação e de mísseis ar-ar instalados em caças Gripen e F-5M.

O mais moderno em operação é o MAA-1B Piranha, míssil ar-ar de curto alcance da Mectron.

O A-Darter, desenvolvido em parceria com a Denel sul-africana, está pronto há mais de uma década mas a Força Aérea Brasileira ainda não fechou o lote de produção em série.

O ASTROS II MK6 da Avibras, com míssil de cruzeiro MTC-300 de 300 km de alcance, é a única plataforma brasileira com alcance estratégico, e ainda está em fase de validação.

O escudo antibalístico brasileiro propriamente dito não existe.

Não há nenhum interceptador, nenhum radar de alerta precoce, nenhum sistema integrado contra mísseis balísticos de longo alcance.

O país depende de cooperação externa em qualquer cenário hipotético que envolva interceptação de míssil balístico.

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A indústria americana entrou em modo remilitarização

O Building 47 é peça de um quebra-cabeça bem maior.

A Lockheed Martin já anunciou mais de 20 expansões em fábricas espalhadas pelos Estados Unidos, todas voltadas para acelerar a produção de munição estratégica.

O Pentágono cravou o número: quer multiplicar por quatro a produção do THAAD até 2030.

A nova unidade no Alabama vai abrigar também o programa Next Generation Interceptor, que vai substituir parte do escudo balístico atual nos anos 2030.

Michael Duffey, subsecretário de Guerra para Aquisição e Sustentação, classificou a parceria como “crítica para acelerar a capacidade de munição”.

Jim Taiclet, CEO da Lockheed Martin, foi direto no anúncio: “Estamos prontos agora para atender à demanda urgente”.

A planta de Troy vai engordar a base de empregos da Lockheed no Alabama, que já passa dos 4 mil funcionários.

Confesso que assusta o tamanho do orçamento e o que ele revela sobre como os arsenais ocidentais estão à beira do colapso de prontidão.

Não é exagero dizer que a guerra Irã-Israel virou estresse-teste industrial do escudo antimíssil global.

O Brasil segue de fora desse jogo, mas a conta do ambiente internacional vai chegar por outras vias: tecnologia mais cara, parceria mais difícil, dependência mais profunda em fornecedor estrangeiro.

E você, o Brasil deveria começar agora a construir um escudo antimíssil próprio ou continuar dependendo só de cooperação externa? Conta aí.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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