Enquanto a Marinha dos EUA enfileira 122 navios na Frota Dourada, a Rússia está disparando o Sarmat ICBM de 35 metros e 208 toneladas que carrega 10 ogivas e alcança 35 mil quilômetros
Vladimir Putin anunciou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o teste do Sarmat ICBM, realizado um dia antes em 12 de maio.
O lançamento partiu de um silo subterrâneo no campo de provas russo. Segundo a Al Jazeera, Putin classificou o artefato como “o míssil mais poderoso do mundo”.
O sistema carrega designação NATO Satan II. Mede 35,3 metros de comprimento. Pesa 208,1 toneladas com combustível embarcado.
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Conforme o anúncio, o míssil leva 10 toneladas de carga útil. Comporta até 10 ogivas independentes por veículo.

Segundo o Kremlin, o teste valida a entrada operacional do míssil ainda em 2026. Putin disse que o sistema substitui aproximadamente 40 mísseis Voyevoda, conhecidos no Ocidente como SS-18 Satan.
Em outras palavras, a Rússia troca o backbone do braço terrestre da tríade nuclear pela primeira vez em três décadas.
Os números físicos do Sarmat ICBM: 35,3 metros, 208,1 toneladas, 10 ogivas
O foguete cabe inteiro num silo enterrado abaixo da neve siberiana. Mesmo assim, sua carga útil supera 10 toneladas, segundo dados oficiais.
Conforme Putin, o alcance ultrapassa 35 mil quilômetros. Analistas ocidentais ouvidos pela Al Jazeera estimam número mais conservador.
De acordo com esses analistas, a faixa realista seria de cerca de 18 mil quilômetros. Ainda assim, isso cobre qualquer ponto do hemisfério Norte ou Sul a partir do território russo.
Por isso, o Pentágono trata o sistema como categoria intercontinental “de longuíssimo alcance”.
De acordo com o Ministério da Defesa russo, o número de ogivas independentes manobráveis (MIRVs) chega a 10 por míssil. Cada ogiva ataca um alvo distinto após a fase balística.
Em termos práticos, um único míssil carrega potência de fogo equivalente a um esquadrão inteiro de bombardeiros da Guerra Fria.
- Comprimento: 35,3 metros — equivalente a um prédio de 12 andares deitado
- Peso bruto: 208,1 toneladas — quase 3x um Boeing 737 vazio
- Carga útil: 10 toneladas de ogivas e contramedidas
- Ogivas independentes: até 10 MIRVs por míssil
- Alcance declarado: mais de 35 mil km (Putin) ou ~18 mil km (analistas)
- Substitui: ~40 mísseis Voyevoda SS-18 da era soviética
Putin chama o sistema de “the most powerful missile in the world”
“This is the most powerful missile in the world”, disse Putin em pronunciamento no Kremlin, segundo a Al Jazeera.
A frase ecoa declarações similares feitas em 2018, quando o programa foi apresentado pela primeira vez ao público russo.
No entanto, há diferença entre 2018 e agora. Em 2018 o míssil era apenas projeto avançado.

Em maio de 2026, segundo o Kremlin, ele acabou de cruzar a barreira do teste integrado a partir de silo operacional.
Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, citado pela Al Jazeera, o teste cobriu todas as fases. Houve ignição em silo, separação dos estágios e reentrada simulada em zona de impacto definida no extremo leste russo.
Além disso, Peskov afirmou que o sistema “penetra qualquer defesa antimíssil existente ou planejada”.
Por isso, o comentário reabriu preocupações sobre os sistemas Aegis e GMD norte-americanos diante de MIRVs em quantidade.
Sarmat ICBM substitui 40 Voyevoda SS-18 herdados da União Soviética
O Voyevoda, na nomenclatura russa, ou SS-18 Satan na OTAN, entrou em serviço em 1988.
Foi o ICBM mais pesado já operado por qualquer país. Levava 10 ogivas de 750 quilotons e alcance de 16 mil km.
Contudo, o sistema chegou ao limite de vida útil. As últimas unidades foram fabricadas no antigo complexo Yuzhmash, na Ucrânia, hoje fora do controle russo.
Dessa forma, a Rússia precisou nacionalizar a produção do substituto. O novo míssil é fabricado integralmente no Krasnoyarsk Machine-Building Plant.
A substituição de 40 Voyevoda reduz numericamente a frota, mas multiplica a carga útil total por unidade.

Conforme análise publicada pelo The Guardian, o programa começou em 2011.
Por isso, o desenvolvimento levou 15 anos do papel ao silo operacional. Sanções e falhas em testes anteriores adiaram a entrada em serviço prevista para 2018.
Por que o sistema preocupa as defesas antimíssil dos EUA
O Ground-based Midcourse Defense (GMD) dos Estados Unidos opera 44 interceptadores no Alasca e na Califórnia.
Foi projetado para cenários de ataque limitado, do tipo norte-coreano. Não para uma salva russa em escala.
Segundo a Al Jazeera, o míssil leva contramedidas eletrônicas, iscas infláveis e veículos de reentrada hipersônicos.
Em outras palavras, mesmo com 10 ogivas reais, o radar do GMD enxergaria múltiplas dezenas de pontos. A capacidade de interceptação cairia proporcionalmente.
Por outro lado, analistas independentes alertam para o gap entre retórica e capacidade real.
Ainda assim, o anúncio tem peso político imediato. Em 13 de maio, Moscou sinaliza ao Ocidente que a modernização da tríade segue no cronograma.
Trajetória orbital parcial e o ângulo Sul que pega o radar de surpresa
Uma das características destacadas pelo Kremlin é a Fractional Orbital Bombardment System (FOBS).
Conforme essa doutrina, o míssil pode entrar em órbita parcial antes de descer sobre o alvo.

De acordo com analistas citados pela Al Jazeera, a abordagem pelo polo Sul é uma das possibilidades. Ela contorna os radares ocidentais concentrados no eixo Ártico.
Conforme estimativas técnicas, o tempo de aviso para um lançamento Ártico fica em 25-30 minutos. Numa trajetória orbital parcial pelo Sul, a janela cai drasticamente.
Por isso, reabrem-se debates sobre a arquitetura de alerta espacial dos EUA, hoje em SBIRS e Next Gen OPIR.
Tríade nuclear russa e a corrida estratégica de 2026
A tríade nuclear russa repousa sobre três pernas: ICBMs em silos, submarinos Borei com Bulava e bombardeiros Tu-160M.
O novo míssil moderniza a perna terrestre, que concentra a maior parte das ogivas prontas.
Além disso, a frota nuclear naval russa também recebeu investimentos pesados. A Rússia opera quebra-gelos nucleares de 150 MW para abrir a Rota do Mar do Norte até 2030.
Do lado norte-americano, a resposta vem em duas frentes. Primeiro, a renovação da frota submarina, com vetores como o USS Idaho da classe Virginia entregue à Marinha.
Segundo, a expansão dos sistemas de comando nuclear (NC3) sob a Air Force.
De acordo com o Pentágono, o programa Sentinel — sucessor do Minuteman III — só começa a ser desplegado em 2030.
Em outras palavras, há descompasso temporal. A Rússia entra com o sistema operacional em 2026; o substituto americano só chega ao silo no fim da década.
E o Brasil? Como isso se conecta ao Atlântico Sul
O Brasil não está, em nenhuma hipótese realista, na lista de alvos. Contudo, a entrada do míssil em serviço afeta indiretamente o Atlântico Sul.
Primeiramente, qualquer escalada nuclear OTAN-Rússia eleva o custo de seguros marítimos, derivados e fretes globais.
O Brasil exporta minério, soja e petróleo bruto por rotas que cruzam zonas potencialmente impactadas.
Em segundo lugar, a doutrina FOBS abre rotas de aproximação pelo Sul. Isso aumenta a relevância dos radares brasileiros e do espaço aéreo nacional.
Conforme já noticiado pela mídia especializada, há discussões internas no Ministério da Defesa sobre integração de dados com aliados em cenários hipotéticos. Nada está formalizado.
Ressalvas técnicas e o que ainda falta provar
Vale lembrar que tudo o que sabemos vem de fontes russas ou de inteligência ocidental publicada parcialmente.
Primeiramente, o alcance de 35 mil km declarado por Putin é considerado otimista por praticamente todos os analistas independentes.
A Federation of American Scientists trabalha com cerca de 18 mil km como teto operacional verossímil.
Além disso, a configuração “10 MIRVs independentes” depende da massa unitária das ogivas e do nível de penetration aids.
Por outro lado, o histórico do programa registra adiamentos e ao menos uma falha pública em campanha anterior.
Em outras palavras, um teste em silo, ainda que importante, não fecha a campanha completa de aceitação.
Por fim, há a dimensão política. Anunciar o sistema operacional em pleno ciclo do sucessor do tratado New START também é jogada de barganha.
Contudo, mesmo descontando o ruído retórico, resta a pergunta. Até quando Washington consegue sustentar o vazio entre o Sentinel previsto para 2030 e a tríade russa modernizada hoje?

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