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Enquanto a Marinha dos EUA enfileira 122 navios na Frota Dourada, a Rússia está disparando o Sarmat ICBM de 35 metros e 208 toneladas que carrega 10 ogivas e alcança 35 mil quilômetros

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 16/05/2026 às 19:00
Atualizado em 16/05/2026 às 19:02
Sarmat ICBM russo decolando de silo subterrâneo durante teste em 12 de maio
Decolagem do míssil intercontinental russo a partir de silo no campo de provas. Representação editorial.
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Enquanto a Marinha dos EUA enfileira 122 navios na Frota Dourada, a Rússia está disparando o Sarmat ICBM de 35 metros e 208 toneladas que carrega 10 ogivas e alcança 35 mil quilômetros

Vladimir Putin anunciou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o teste do Sarmat ICBM, realizado um dia antes em 12 de maio.

O lançamento partiu de um silo subterrâneo no campo de provas russo. Segundo a Al Jazeera, Putin classificou o artefato como “o míssil mais poderoso do mundo”.

O sistema carrega designação NATO Satan II. Mede 35,3 metros de comprimento. Pesa 208,1 toneladas com combustível embarcado.

Conforme o anúncio, o míssil leva 10 toneladas de carga útil. Comporta até 10 ogivas independentes por veículo.

Sarmat ICBM russo decolando de silo subterrâneo durante teste em 12 de maio
Decolagem do míssil intercontinental russo a partir de silo no campo de provas. Representação editorial.

Segundo o Kremlin, o teste valida a entrada operacional do míssil ainda em 2026. Putin disse que o sistema substitui aproximadamente 40 mísseis Voyevoda, conhecidos no Ocidente como SS-18 Satan.

Em outras palavras, a Rússia troca o backbone do braço terrestre da tríade nuclear pela primeira vez em três décadas.

Os números físicos do Sarmat ICBM: 35,3 metros, 208,1 toneladas, 10 ogivas

O foguete cabe inteiro num silo enterrado abaixo da neve siberiana. Mesmo assim, sua carga útil supera 10 toneladas, segundo dados oficiais.

Conforme Putin, o alcance ultrapassa 35 mil quilômetros. Analistas ocidentais ouvidos pela Al Jazeera estimam número mais conservador.

De acordo com esses analistas, a faixa realista seria de cerca de 18 mil quilômetros. Ainda assim, isso cobre qualquer ponto do hemisfério Norte ou Sul a partir do território russo.

Por isso, o Pentágono trata o sistema como categoria intercontinental “de longuíssimo alcance”.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, o número de ogivas independentes manobráveis (MIRVs) chega a 10 por míssil. Cada ogiva ataca um alvo distinto após a fase balística.

Em termos práticos, um único míssil carrega potência de fogo equivalente a um esquadrão inteiro de bombardeiros da Guerra Fria.

  • Comprimento: 35,3 metros — equivalente a um prédio de 12 andares deitado
  • Peso bruto: 208,1 toneladas — quase 3x um Boeing 737 vazio
  • Carga útil: 10 toneladas de ogivas e contramedidas
  • Ogivas independentes: até 10 MIRVs por míssil
  • Alcance declarado: mais de 35 mil km (Putin) ou ~18 mil km (analistas)
  • Substitui: ~40 mísseis Voyevoda SS-18 da era soviética

Putin chama o sistema de “the most powerful missile in the world”

“This is the most powerful missile in the world”, disse Putin em pronunciamento no Kremlin, segundo a Al Jazeera.

A frase ecoa declarações similares feitas em 2018, quando o programa foi apresentado pela primeira vez ao público russo.

No entanto, há diferença entre 2018 e agora. Em 2018 o míssil era apenas projeto avançado.

Tampa de silo de míssil intercontinental Sarmat ICBM aberta no campo de provas russo
Tampa de silo de míssil intercontinental aberta em campo de provas russo. Imagem editorial.

Em maio de 2026, segundo o Kremlin, ele acabou de cruzar a barreira do teste integrado a partir de silo operacional.

Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, citado pela Al Jazeera, o teste cobriu todas as fases. Houve ignição em silo, separação dos estágios e reentrada simulada em zona de impacto definida no extremo leste russo.

Além disso, Peskov afirmou que o sistema “penetra qualquer defesa antimíssil existente ou planejada”.

Por isso, o comentário reabriu preocupações sobre os sistemas Aegis e GMD norte-americanos diante de MIRVs em quantidade.

Sarmat ICBM substitui 40 Voyevoda SS-18 herdados da União Soviética

O Voyevoda, na nomenclatura russa, ou SS-18 Satan na OTAN, entrou em serviço em 1988.

Foi o ICBM mais pesado já operado por qualquer país. Levava 10 ogivas de 750 quilotons e alcance de 16 mil km.

Contudo, o sistema chegou ao limite de vida útil. As últimas unidades foram fabricadas no antigo complexo Yuzhmash, na Ucrânia, hoje fora do controle russo.

Dessa forma, a Rússia precisou nacionalizar a produção do substituto. O novo míssil é fabricado integralmente no Krasnoyarsk Machine-Building Plant.

A substituição de 40 Voyevoda reduz numericamente a frota, mas multiplica a carga útil total por unidade.

Antigo míssil Voyevoda SS-18 Satan soviético em hangar, comparação com Sarmat ICBM
Antigo Voyevoda (SS-18 Satan) da era soviética armazenado em hangar. Substituição em curso.

Conforme análise publicada pelo The Guardian, o programa começou em 2011.

Por isso, o desenvolvimento levou 15 anos do papel ao silo operacional. Sanções e falhas em testes anteriores adiaram a entrada em serviço prevista para 2018.

Por que o sistema preocupa as defesas antimíssil dos EUA

O Ground-based Midcourse Defense (GMD) dos Estados Unidos opera 44 interceptadores no Alasca e na Califórnia.

Foi projetado para cenários de ataque limitado, do tipo norte-coreano. Não para uma salva russa em escala.

Segundo a Al Jazeera, o míssil leva contramedidas eletrônicas, iscas infláveis e veículos de reentrada hipersônicos.

Em outras palavras, mesmo com 10 ogivas reais, o radar do GMD enxergaria múltiplas dezenas de pontos. A capacidade de interceptação cairia proporcionalmente.

Por outro lado, analistas independentes alertam para o gap entre retórica e capacidade real.

Ainda assim, o anúncio tem peso político imediato. Em 13 de maio, Moscou sinaliza ao Ocidente que a modernização da tríade segue no cronograma.

Trajetória orbital parcial e o ângulo Sul que pega o radar de surpresa

Uma das características destacadas pelo Kremlin é a Fractional Orbital Bombardment System (FOBS).

Conforme essa doutrina, o míssil pode entrar em órbita parcial antes de descer sobre o alvo.

Trajetória de míssil intercontinental cruzando o céu polar em longa exposição editorial
Trajetória editorial de um míssil intercontinental cruzando o céu polar. Representação artística.

De acordo com analistas citados pela Al Jazeera, a abordagem pelo polo Sul é uma das possibilidades. Ela contorna os radares ocidentais concentrados no eixo Ártico.

Conforme estimativas técnicas, o tempo de aviso para um lançamento Ártico fica em 25-30 minutos. Numa trajetória orbital parcial pelo Sul, a janela cai drasticamente.

Por isso, reabrem-se debates sobre a arquitetura de alerta espacial dos EUA, hoje em SBIRS e Next Gen OPIR.

Tríade nuclear russa e a corrida estratégica de 2026

A tríade nuclear russa repousa sobre três pernas: ICBMs em silos, submarinos Borei com Bulava e bombardeiros Tu-160M.

O novo míssil moderniza a perna terrestre, que concentra a maior parte das ogivas prontas.

Além disso, a frota nuclear naval russa também recebeu investimentos pesados. A Rússia opera quebra-gelos nucleares de 150 MW para abrir a Rota do Mar do Norte até 2030.

Do lado norte-americano, a resposta vem em duas frentes. Primeiro, a renovação da frota submarina, com vetores como o USS Idaho da classe Virginia entregue à Marinha.

Segundo, a expansão dos sistemas de comando nuclear (NC3) sob a Air Force.

De acordo com o Pentágono, o programa Sentinel — sucessor do Minuteman III — só começa a ser desplegado em 2030.

Em outras palavras, há descompasso temporal. A Rússia entra com o sistema operacional em 2026; o substituto americano só chega ao silo no fim da década.

E o Brasil? Como isso se conecta ao Atlântico Sul

O Brasil não está, em nenhuma hipótese realista, na lista de alvos. Contudo, a entrada do míssil em serviço afeta indiretamente o Atlântico Sul.

Primeiramente, qualquer escalada nuclear OTAN-Rússia eleva o custo de seguros marítimos, derivados e fretes globais.

O Brasil exporta minério, soja e petróleo bruto por rotas que cruzam zonas potencialmente impactadas.

Em segundo lugar, a doutrina FOBS abre rotas de aproximação pelo Sul. Isso aumenta a relevância dos radares brasileiros e do espaço aéreo nacional.

Conforme já noticiado pela mídia especializada, há discussões internas no Ministério da Defesa sobre integração de dados com aliados em cenários hipotéticos. Nada está formalizado.

Ressalvas técnicas e o que ainda falta provar

Vale lembrar que tudo o que sabemos vem de fontes russas ou de inteligência ocidental publicada parcialmente.

Primeiramente, o alcance de 35 mil km declarado por Putin é considerado otimista por praticamente todos os analistas independentes.

A Federation of American Scientists trabalha com cerca de 18 mil km como teto operacional verossímil.

Além disso, a configuração “10 MIRVs independentes” depende da massa unitária das ogivas e do nível de penetration aids.

Por outro lado, o histórico do programa registra adiamentos e ao menos uma falha pública em campanha anterior.

Em outras palavras, um teste em silo, ainda que importante, não fecha a campanha completa de aceitação.

Por fim, há a dimensão política. Anunciar o sistema operacional em pleno ciclo do sucessor do tratado New START também é jogada de barganha.

Contudo, mesmo descontando o ruído retórico, resta a pergunta. Até quando Washington consegue sustentar o vazio entre o Sentinel previsto para 2030 e a tríade russa modernizada hoje?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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