Banco de Brasília aposta em Capitalização imobiliária com imóveis da Terracap e apoio do Fundo Garantidor de Créditos.
O Banco de Brasília anunciou uma estratégia de Capitalização imobiliária para reforçar sua estrutura financeira após os desdobramentos envolvendo o Banco Master.
A proposta foi enviada pelo Governo do Distrito Federal à Câmara Legislativa na última sexta-feira, em Brasília, e prevê o uso de imóveis da Terracap como garantia para operação junto ao Fundo Garantidor de Créditos.
A votação está prevista para terça-feira e, segundo o presidente da instituição, a medida busca recompor capital, preservar a capacidade de crédito e fortalecer a confiança no banco.
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“Estamos concentrados em fortalecer as bases do banco”, afirmou.
A iniciativa surge após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025.
Desde então, o Banco de Brasília estruturou um plano de reforço patrimonial, apresentado à autoridade monetária há duas semanas.
Agora, o projeto de lei é apontado como passo decisivo para viabilizar as medidas propostas.
Capitalização imobiliária no Banco de Brasília: como funciona a estratégia
A chamada Capitalização imobiliária não significa simplesmente vender imóveis.
Na prática, os ativos poderão ser transformados em instrumentos financeiros, como títulos negociáveis no mercado, ou utilizados na criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII).
Além disso, os imóveis da Terracap também poderão servir como garantia em operações estruturadas, inclusive com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo o presidente do Banco de Brasília, há confiança na atratividade desses ativos.
“Os imóveis estão em áreas valorizadas de Brasília e região, logo acreditamos que teremos forte demanda”, declarou.
Portanto, a ideia central é monetizar os imóveis, ou seja, transformá-los em recursos financeiros capazes de fortalecer o capital do banco.
Fundo de Investimento Imobiliário é prioridade na Capitalização imobiliária
Entre as alternativas avaliadas, a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário é considerada o caminho mais adequado.
De acordo com o presidente, a estruturação de um FII com adesão do sindicato de bancos não ampliaria o endividamento do setor público.
Essa modelagem permite que investidores adquiram cotas do fundo, lastreadas nos imóveis.
Assim, o Banco de Brasília obtém recursos sem assumir novas dívidas tradicionais, o que preserva indicadores fiscais e prudenciais.
Por outro lado, o desempenho da operação dependerá do apetite do mercado.
Questionado sobre eventual deságio na venda dos ativos, o executivo afirmou que isso será definido pela demanda.
Ainda assim, ressaltou que o portfólio ofertado tem qualidade e procura.
Critérios técnicos e avaliação independente dos imóveis da Terracap
A escolha dos imóveis que poderão integrar a operação seguiu critérios rigorosos.
Foram considerados fatores como qualidade do ativo, regularidade jurídica, ausência de impedimentos e aderência às exigências técnicas para aceitação como garantia.
Além disso, a avaliação será feita por profissionais independentes e habilitados.
Os laudos técnicos seguirão metodologias reconhecidas pelo mercado, garantindo transparência e segurança regulatória.
Impacto da Capitalização imobiliária na expansão do crédito
O principal objetivo da Capitalização imobiliária é reforçar os indicadores financeiros do Banco de Brasília.
Com capital mais robusto e funding recomposto — termo que se refere às fontes de recursos para emprestar —, o banco amplia sua capacidade de conceder crédito.
“O reforço patrimonial e a recomposição de funding melhoram a percepção de solvência do BRB e fortalecem a nossa capacidade de crescer com prudência”, explicou o presidente.
Na prática, isso pode significar mais financiamento para empresas, apoio a projetos de infraestrutura e manutenção de linhas de crédito para setores estratégicos do Distrito Federal.
Assim, o banco preserva seu papel de agente de desenvolvimento regional.
Segurança jurídica e depósitos judiciais seguem garantidos
Em meio ao processo de reestruturação, surgiram questionamentos sobre depósitos judiciais.
O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, solicitou esclarecimentos a cinco Tribunais de Justiça sobre valores depositados no banco.
Sobre o tema, o presidente foi categórico: “Sim, o BRB segue cumprindo rigorosamente todas as suas obrigações contratuais e regulatórias, sem qualquer impacto na execução dos contratos de depósitos judiciais ou no funcionamento do Pix judicial.”
Dessa forma, o banco reforça que a Capitalização imobiliária não compromete a segurança dos recursos sob sua gestão.
Reconstrução de imagem e novo momento para o Banco de Brasília
Após o episódio envolvendo o Banco Master, a instituição também trabalha para recuperar sua imagem.
“Com ações e não apenas discursos: governança forte, controles reforçados, transparência, cooperação com autoridades, responsabilização quando cabível, e foco no cliente e na solidez.
A confiança se reconstrói com consistência e entrega contínua.”
Além disso, o executivo projeta um futuro de crescimento sustentável.
“O horizonte que enxergo para o BRB é o de uma instituição sólida, sustentável e preparada para crescer com responsabilidade.”
A expectativa é que a apresentação do balanço, marcada para 31 de março, simbolize um divisor de águas.
Assim, a meta é demonstrar transparência, reforço de controles e encaminhamento estruturado do plano de fortalecimento patrimonial.
Enquanto isso, a Capitalização imobiliária com apoio da Terracap, do Fundo de Investimento Imobiliário e do Fundo Garantidor de Créditos desponta como a principal aposta para garantir estabilidade, ampliar crédito e reafirmar o papel estratégico do Banco de Brasília na economia do DF.
Veja mais em: ‘Teremos forte demanda pelos imóveis’, diz presidente do BRB

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