Atual divisão em cinco regiões do Brasil só foi oficializada em 1969, após décadas de mudanças, disputas e propostas que redesenharam o mapa do Brasil, e outras ainda podem surgir
Tem certeza de que conhece as regiões do Brasil? A divisão entre Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul parece imutável, mas acredite: ela é fruto de uma longa, turbulenta e até surpreendente jornada de reorganizações territoriais que moldaram o país como o conhecemos hoje.
Do geógrafo que propôs a primeira divisão para ensinar geografia escolar até as articulações do IBGE, o caminho até as cinco regiões oficiais foi recheado de polêmicas, critérios geográficos improváveis e decisões políticas estratégicas. E o mais impressionante? O mapa ainda pode mudar!
Primeiras tentativas: divisão por clima e relevo
Tudo começou em 1913, quando o geógrafo Delgado de Carvalho decidiu dividir as regiões do Brasil em grandes blocos geográficos com base em clima, vegetação e relevo, critérios considerados “mais permanentes”.
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Surgiram então cinco grandes divisões: Brasil Setentrional (Amazonas, Pará e Acre), Brasil Norte Oriental (Maranhão ao Alagoas), Brasil Central (Mato Grosso e Goiás), Brasil Oriental (Bahia até o Rio de Janeiro) e Brasil Meridional (São Paulo ao Rio Grande do Sul). Uma divisão feita para facilitar o ensino, não para governar.
Da escola para o governo: IBGE entra em cena
Na década de 1930, o Brasil começou a levar essa divisão mais a sério. Com a criação do IBGE, em 1938, a divisão territorial passou a ter caráter oficial, ainda que provisório. O governo adotou as regiões como critério para organizar dados estatísticos, econômicos e populacionais. Foi então que o Brasil ganhou oficialmente regiões como Norte, Nordeste, Centro, Oeste e Sul, mas com composições bem diferentes das atuais.
A era das reconfigurações
Na década de 1940, o Brasil deu início a uma verdadeira dança das cadeiras regionais. Estados mudaram de lugar, territórios surgiram, nomes foram alterados e regiões como Nordeste Ocidental e Leste Meridional apareceram.
Em 1960, com a criação de Brasília, o Distrito Federal passou para o Centro-Oeste. Em 1962, o Acre virou estado. E em 1969, finalmente, o IBGE consolidou o modelo atual com cinco grandes regiões do Brasil, uma decisão baseada em fatores econômicos, sociais e de identidade regional.
A Constituição de 1988 e os estados que mudaram tudo
A última grande transformação veio com a Constituição de 1988. Tocantins foi criado a partir do norte de Goiás, os territórios de Roraima, Rondônia e Amapá viraram estados, e a região Norte ganhou ainda mais protagonismo. A partir dali, o mapa ficou do jeito que você conhece hoje: cinco regiões do Brasil, 26 estados e o Distrito Federal. Mas por quanto tempo?
Novas propostas à vista: o mapa pode mudar de novo?
Com o crescimento demográfico e econômico acelerado no centro-norte do país, já existem propostas para uma nova divisão. Uma ideia prevê a criação de uma Região Noroeste, que incluiria Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, enquanto uma nova Região Norte abarcaria Pará, Tocantins, Maranhão e Amapá. O objetivo? Redefinir blocos com base na economia contemporânea e nos desafios atuais. Mas até agora, nada foi oficialmente alterado.
As regiões do Brasil foram definidas por necessidade prática, ajustes políticos e conveniência estratégica, e continuam sujeitas a mudanças. Mesmo com décadas de estabilidade, novas propostas ganham força e mostram que o país ainda pode ser redesenhado.
A pergunta que fica é: estamos preparados para rever o mapa e reorganizar nossa identidade territorial?


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