Árvore chamada Wattieza viveu há cerca de 385 milhões de anos, atingia até 10 metros, não tinha folhas nem sementes e só teve sua forma completa reconstruída após o enigma iniciado em 1870
A árvore mais antiga conhecida pela ciência tem nome, idade e um visual que quebra qualquer expectativa moderna. Ela se chama Wattieza, viveu no período Devoniano há cerca de 385 milhões de anos, atingia até 10 metros de altura e não possuía folhas nem sementes.
O que transformou essa árvore em um dos maiores enigmas da paleobotânica foi um detalhe simples: por mais de um século, os cientistas tinham apenas parte do quebra-cabeça. Os tocos fósseis de Gilboa, em Nova York, eram inconfundíveis, mas a copa e os ramos que explicariam a planta inteira tinham desaparecido, até que um achado decisivo levou à solução publicada em 2007.
O enigma começa em 1870 com os tocos fósseis de Gilboa
Tudo começou em 1870, quando trabalhadores que consertavam estradas em Gilboa, no estado de Nova York, detonaram rochas e encontraram tocos de árvores fósseis incrustados no solo. Os troncos estavam em posição de crescimento e agrupados, como se ainda fizessem parte de uma floresta viva.
-
Aos 54 anos, artesã foi demitida, juntou crochê com tecidos que iriam para o lixo e hoje fatura mais de R$ 30 mil por mês vendendo bolsas feitas com upcycling, após transformar sobras têxteis em marca própria de bolsas artesanais no Rio de Janeiro
-
Com 32 garrafas PET em cada mala de bordo, brasileiro chegou a vender R$ 250 mil por mês em bagagens sustentáveis, negócio nasceu em Guarulhos, ganhou vitrine com o Time Brasil e passou a mirar o mercado internacional
-
China viu uma casa comum virar pirâmide de 10 andares depois que morador desafiou autoridades, recusou deixar vila demolida e gastou 8 anos empilhando madeira, escadas e varandas improvisadas até transformar o imóvel em atração turística antes de ver tudo ser derrubado em poucas horas
-
Sem dinheiro para morar no campus e pressionada pelo custo da faculdade, estudante comprou uma minivan usada pelo Facebook, arrancou os bancos, montou uma cama com almofadas e viveu quase dois anos no carro para se formar sem dívidas
O problema é que a parte superior de cada árvore não estava ali. Restaram os tocos, a prova de uma floresta primitiva, mas sem a estrutura completa que permitiria identificar a espécie com segurança.
Por isso, por mais de 130 anos, Gilboa permaneceu como um mistério: sabia-se que eram as árvores mais antigas conhecidas, mas ninguém conseguia reconstituir a forma total.
A pista que faltava aparece em 2005 a poucos quilômetros dali

A virada aconteceu em 2005, quando pesquisadores encontraram em uma pedreira a cerca de 16 quilômetros de Gilboa um fóssil completo de tronco com aproximadamente 8 metros, com ramos preservados.
Foi o tipo de achado que muda o jogo porque não traz apenas madeira fossilizada, mas também a arquitetura da planta.
A paleobotânica Linda VanAller Hernick, do Museu do Estado de Nova York, e o professor Christopher Berry, da Universidade de Cardiff, perceberam que as estrias na base do novo fóssil coincidiam perfeitamente com os tocos de Gilboa.
Era a conexão física que faltava para unir uma parte conhecida e outra que ninguém conseguia provar.
O que foi revelado em 2007 e por que isso encerrou o mistério
Com a comparação entre as estrias e a confirmação do encaixe, a história ganhou uma conclusão formal: em abril de 2007, a publicação dos resultados associou a parte superior desconhecida dos tocos de Gilboa à Wattieza, um gênero que até então era conhecido apenas por ramos caídos, sem que se soubesse a qual planta eles pertenciam.
Antes dessa solução, os tocos chegaram a ser chamados por outro nome, Eospermatopteris. Depois do trabalho de reconstrução, ficou claro que a “coroa” que faltava pertencia à Wattieza. A árvore mais antiga do planeta finalmente ganhou um corpo completo.
Como era a árvore Wattieza e por que ela parece uma palmeira, mas não é
A Wattieza pertence ao grupo das Cladoxylopsidas, parentes extintos das modernas samambaias e cavalinhas, e não das palmeiras. A semelhança visual existe, mas é apenas aparência.
Essa árvore tinha tronco fino e liso, sem casca grossa, e podia chegar a 8 a 10 metros de altura, com cerca de 0,5 metro de diâmetro na base. No topo, carregava um tufo de frondes, estruturas semelhantes às de samambaia moderna, que caíam periodicamente ao chão.
Por que ela não tinha folhas nem sementes
O que torna essa árvore tão diferente das atuais é o modo como ela fazia fotossíntese e se reproduzia. Ela não possuía folhas verdadeiras e não produzia sementes.
A fotossíntese ocorria principalmente pelos galhos e pelas frondes do topo, não por folhas planas. Já a reprodução era feita por esporos, como acontece com samambaias e cavalinhas. É uma lógica de planta muito antiga, de uma época em que o “modelo” de árvore ainda estava sendo inventado pela evolução.
Onde essa árvore viveu e como eram as primeiras florestas do planeta
A Wattieza viveu no Devoniano Médio, entre 397 e 382 milhões de anos atrás, em pântanos lamacentos às margens de um mar interior que cobria o que hoje é o nordeste dos Estados Unidos. As florestas que ela formava eram densas, com troncos espaçados de forma regular, quase como árvores em uma plantação moderna.
Esse cenário ajuda a entender o impacto do surgimento das primeiras florestas. Não era apenas um novo tipo de planta, era uma nova forma de paisagem, com cobertura vegetal em escala inédita para a Terra.
A árvore que ajudou a mudar o clima do planeta
As florestas primitivas de Wattieza tiveram efeitos que ultrapassaram a botânica. A expansão dessas formações vegetais extraiu enormes quantidades de CO₂ da atmosfera, ajudou a resfriar o clima global e acelerou o intemperismo das rochas, liberando nutrientes nos oceanos.
Esse processo é associado à possibilidade de ter contribuído para a extinção em massa do Devoniano Tardio, um dos cinco maiores eventos de extinção da história da vida. A árvore mais antiga do planeta teria ajudado a transformar o mundo a ponto de alterar as condições do próprio ambiente.
A Wattieza deixou descendentes entre as árvores atuais
Mesmo sendo a árvore mais antiga conhecida, a Wattieza não representa uma linhagem com descendentes diretos entre as árvores que existem hoje. Ela é tratada como um ramo evolutivo extinto.
Ela também superou a Archaeopteris, uma árvore com folhas reais e mais parecida com as modernas, por uma margem estimada entre 15 e 25 milhões de anos. Isso reforça o quanto a Wattieza pertence a uma fase inicial e experimental da evolução das florestas.
E você, se pudesse ver essa árvore de 10 metros sem folhas nem sementes ao vivo, acha que reconheceria como “árvore” ou pareceria uma planta completamente alienígena?
