1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Arqueólogos encontram uma tumba de 5.000 anos escondida sob uma colina, revelam câmaras de pedra erguidas antes das pirâmides e desenterram tesouros antigos, restos humanos e armas que reescrevem o passado
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Arqueólogos encontram uma tumba de 5.000 anos escondida sob uma colina, revelam câmaras de pedra erguidas antes das pirâmides e desenterram tesouros antigos, restos humanos e armas que reescrevem o passado

Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/03/2026 às 10:25
Atualizado em 14/03/2026 às 10:26
Assista o vídeoArqueólogos descobrem em Málaga uma tumba de 5.000 anos com marfim, âmbar e vestígios que ampliam estudos da pré-história. (Imagem: Ilustração)
Arqueólogos descobrem em Málaga uma tumba de 5.000 anos com marfim, âmbar e vestígios que ampliam estudos da pré-história. (Imagem: Ilustração)
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Descoberta no interior de Málaga expõe uma estrutura megalítica rara, com objetos de prestígio e vestígios funerários que ajudam a ampliar o entendimento sobre redes de troca, rituais coletivos e a ocupação pré-histórica no sul da Espanha.

Uma equipe da Universidade de Cádiz revelou em Teba, no interior da província de Málaga, uma tumba megalítica com mais de 5.000 anos considerada um dos achados arqueológicos recentes de maior relevância na Andaluzia.

O monumento, identificado como Dolmen I da necrópole de La Lentejuela, tem 13 metros de comprimento, preserva uma organização interna complexa e guardava ossários e objetos produzidos com matérias-primas como marfim, âmbar, sílex e conchas marinhas.

A descoberta foi divulgada em 22 de setembro de 2025, após quatro campanhas de escavação.

Descoberta arqueológica em Málaga e o que o achado indica

Segundo os pesquisadores, a importância do dolmen está no conjunto formado pela estrutura e pelos materiais encontrados, e não apenas na antiguidade do monumento.

A equipe descreve a construção como uma das estruturas funerárias mais monumentais e mais bem preservadas da região, o que amplia as possibilidades de estudo sobre práticas funerárias e aspectos da organização social no sul da Península Ibérica durante o III milênio a.C.

No local, os arqueólogos identificaram vários ossários e um conjunto de peças associadas ao sepultamento, entre elas pontas de flecha, grandes lâminas de sílex e uma alabarda destacada pela equipe de pesquisa.

Também foram encontrados objetos feitos com matérias-primas incomuns para um sítio do interior, como marfim, âmbar e conchas marinhas.

Para os especialistas envolvidos no projeto, esses elementos reforçam a relevância do conjunto para os estudos sobre circulação de bens e contatos entre comunidades pré-históricas.

A descoberta foi conduzida pelos pesquisadores Eduardo Vijande e Serafín Becerra, integrantes do grupo Thalassa, da Universidade de Cádiz, no âmbito de um projeto autorizado pela Junta da Andaluzia.

Ao apresentar os resultados, Becerra afirmou que o achado pode ser “um dos dólmenes mais monumentais e completos de toda a Andaluzia”.

Como era a estrutura funerária descoberta em Teba

Dolmens são construções megalíticas erguidas com grandes blocos de pedra e, em muitos casos, associadas a usos funerários coletivos.

Em La Lentejuela, o monumento chama atenção pela escala e pela compartimentação interna.

A tumba mede 13 metros e apresenta divisões construídas com grandes lajes, o que indica uma arquitetura mais elaborada do que a forma mais simples normalmente associada a esse tipo de sítio pré-histórico.

Além da dimensão, o estado de conservação foi apontado pela equipe como um dos principais fatores para a relevância do achado.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

As campanhas de escavação permitiram registrar a monumentalidade do espaço e a permanência de elementos internos que ajudam a compreender como a estrutura foi organizada e utilizada ao longo do tempo.

Em vez de apontar para um enterramento isolado, o material documentado indica um espaço funerário coletivo, com diferentes depósitos humanos e objetos associados.

Esse quadro, segundo os pesquisadores, amplia o potencial analítico do sítio e favorece comparações com outros contextos megalíticos da região.

Marfim, âmbar e conchas no dolmen pré-histórico

Entre os materiais recuperados, a presença de matérias-primas exóticas aparece como um dos pontos centrais da pesquisa.

Marfim, âmbar e conchas marinhas integram os ajuares funerários identificados no local e ajudam a situar essa comunidade dentro de circuitos mais amplos de circulação de objetos, de acordo com a equipe da Universidade de Cádiz.

A própria universidade destacou que esses elementos fornecem informação relevante sobre redes de intercâmbio no sul peninsular durante o III milênio a.C.

Juan Jesús Cantillo, também ligado ao projeto, afirmou que a presença de conchas marinhas em um território interior sugere a importância simbólica do mar e a existência de trocas a longa distância.

Com isso, o dolmen passa a ser analisado não apenas como uma tumba antiga com objetos raros, mas como um contexto arqueológico capaz de fornecer evidências sobre conexões de maior alcance entre comunidades pré-históricas.

Para os pesquisadores, a incorporação desses materiais às práticas funerárias ajuda a entender relações sociais e econômicas que não se limitavam ao entorno imediato de Teba.

Por que o dolmen de La Lentejuela ganhou destaque na Andaluzia

O sítio foi apresentado pela equipe como um dos exemplos mais completos da Andaluzia, avaliação associada à dimensão do monumento e ao nível de preservação observado nas escavações.

A relevância do conjunto, segundo os pesquisadores, aumenta porque o local permite examinar, em um mesmo contexto, arquitetura, deposições humanas e objetos associados ao ritual funerário.

Essa combinação é tratada pelos especialistas como um elemento importante para compreender como essas comunidades organizavam a morte, a memória e o uso de bens valorizados em contextos funerários.

Nesse sentido, o sítio oferece uma base de análise que vai além do registro arquitetônico e inclui também a distribuição dos materiais e a forma como eles foram depositados.

O projeto ainda prevê uma etapa de aprofundamento científico.

A Universidade de Cádiz informou que os trabalhos contam com apoio institucional e com análises arqueométricas em colaboração com a Fundação Palarq, o que indica que a interpretação do material deve avançar a partir de exames especializados.

Eduardo Vijande afirmou que o principal potencial da estrutura está no estado de conservação, capaz de fornecer informações detalhadas sobre modos de vida e crenças dessas comunidades.

Ao ser incorporado à necrópole megalítica de La Lentejuela, o dolmen amplia a importância arqueológica de Teba no contexto andaluz.

Para a equipe responsável, o monumento recém-divulgado deve contribuir para o estudo do megalitismo europeu a partir do sul da Espanha, reunindo evidências sobre práticas funerárias e circulação de materiais em um período anterior às grandes civilizações da Antiguidade.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x