Pesquisa conduzida por especialistas ligados à Universitat Politècnica de València analisa três casos reais de obras abaixo do nível do lençol freático na cidade de Valência e apresenta estratégias técnicas para identificar, prevenir e controlar vazamentos inesperados em escavações subterrâneas que podem comprometer a estabilidade estrutural, elevar custos de bombeamento e causar atrasos na construção
Um estudo envolvendo pesquisadores da Espanha apresentou soluções para controlar vazamentos inesperados em escavações subterrâneas realizadas abaixo do nível do lençol freático. A pesquisa analisou três obras reais em Valência onde infiltrações comprometeram escavações profundas.
O trabalho foi desenvolvido com participação do Instituto IIAMA da Universitat Politècnica de València (UPV).
A pesquisa foi conduzida por Alejandro Ferrer, da Ferrer Dewatering, S.L., Eduardo Cassiraga, do grupo de Hidrogeologia do IIAMA-UPV, e Jesús Carrera, do IDAEA-CSIC.
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Os pesquisadores concentraram a análise no controle da água subterrânea durante obras em ambientes urbanos. Esse tipo de situação representa um desafio técnico importante, especialmente quando se busca reduzir os impactos ambientais e os custos associados ao bombeamento contínuo de água.
Vazamentos inesperados em escavações subterrâneas analisados em três obras reais
O estudo analisou três casos reais ocorridos na cidade espanhola de Valência. Nessas situações, escavações subterrâneas realizadas abaixo do nível freático sofreram entradas de água não previstas durante a execução das obras.
Segundo os pesquisadores, essas infiltrações ocorreram por falhas construtivas, presença de poços ou perfurações antigas não seladas e também por aquíferos confinados que não haviam sido identificados durante a fase de projeto.
Esses vazamentos podem comprometer diretamente a estabilidade das escavações subterrâneas. Além disso, podem gerar custos adicionais significativos e impactos ambientais associados ao aumento do bombeamento necessário para manter as áreas de trabalho secas.
Eduardo Cassiraga explica que situações desse tipo exigem protocolos de ação rápidos e eficazes. A ausência de medidas corretivas adequadas pode provocar atrasos nas obras e aumentar os riscos estruturais durante a construção.
Principais causas de infiltrações em escavações subterrâneas
Entre as causas mais frequentes identificadas pelo estudo estão poços antigos ou perfurações geotécnicas que não foram devidamente seladas após sua utilização. Essas estruturas podem criar caminhos diretos para a entrada de água nas escavações subterrâneas.
Outra origem comum são defeitos em paredes diafragma, estruturas usadas para conter o solo e a água durante escavações profundas. Falhas nesse tipo de estrutura podem permitir infiltrações significativas durante a execução da obra.
O estudo também identificou problemas causados pela compartimentação do subsolo por fundações internas. Esse tipo de configuração pode alterar o fluxo natural da água subterrânea e limitar a eficiência dos poços de bombeamento instalados na área.
Soluções propostas para controlar vazamentos durante obras
Para cada um dos três casos analisados, os pesquisadores apresentaram estratégias técnicas que podem ser aplicadas diretamente no local da obra.
As soluções incluem intervenções capazes de restaurar a estabilidade hidráulica e mecânica das escavações subterrâneas.
Entre as medidas sugeridas estão o selamento in situ de perfurações utilizando tubulações e injeção de cimento. Essa técnica permite bloquear caminhos de infiltração e reduzir a entrada de água nas áreas escavadas.
Outra alternativa apresentada é a instalação de camadas de drenagem com alta permeabilidade. Esse sistema ajuda a conduzir a água até pontos de extração sem comprometer a estabilidade do terreno durante as escavações subterrâneas.
O estudo também propõe a utilização de resinas expansivas injetadas no solo para vedar vazamentos. Essa solução permite interromper infiltrações localizadas sem a necessidade de aumentar o volume de bombeamento de água.
Monitoramento contínuo como estratégia de prevenção
Os autores do estudo destacam que a prevenção é a estratégia mais eficiente para evitar problemas em escavações subterrâneas. A implementação de sistemas de monitoramento contínuo pode identificar falhas antes que elas afetem o andamento da obra.
Entre as medidas recomendadas está o acompanhamento permanente das vazões bombeadas durante a execução das escavações. Esse controle permite detectar alterações no comportamento da água subterrânea em tempo real.
Outra ferramenta essencial é o monitoramento dos níveis piezométricos por meio de redes de sensores. Esse tipo de sistema fornece dados sobre a pressão da água no subsolo e ajuda a antecipar possíveis infiltrações.
Os pesquisadores também recomendam a integração entre os projetos geotécnicos e os sistemas de drenagem. Essa coordenação permite compreender melhor o comportamento hidrogeológico do terreno antes do início das escavações subterrâneas.
Custos de prevenção são menores que impactos de infiltrações
O estudo ressalta ainda a importância de selar imediatamente perfurações geotécnicas e piezômetros após sua utilização. Esse procedimento é especialmente relevante em áreas onde existem aquíferos confinados ou semi-confinados.
Em casos onde fundações internas compartimentam o subsolo, os autores sugerem soluções como bombeamento setorizado. Outra alternativa é a instalação de camadas de brita drenante que permitem manter a área de trabalho seca.
Segundo os pesquisadores, o custo inicial de sistemas de monitoramento é significativamente menor que o impacto financeiro causado por infiltrações inesperadas. Vazamentos podem provocar atrasos na construção e até afetar edificações vizinhas.
Os autores concluem que compreender o comportamento hidrogeológico do solo é essencial para projetar sistemas de drenagem mais seguros e eficientes. Esse conhecimento contribui para tornar as escavações subterrâneas mais sustentáveis e controladas durante obras urbanas.

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