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Aposentados chineses passam dos 60 anos e seguem no trabalho braçal porque pensão rural de 163 yuans por mês não paga nem o básico

Publicado em 20/04/2026 às 21:41
Atualizado em 20/04/2026 às 21:44
Idosos, Chineses, Aposentados
Imagem: Ilustração artística
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A pensão rural de 163 yuans por mês mantém idosos chineses aposentados no trabalho braçal, ampliando a diferença entre o campo pobre e as cidades com benefícios muito superiores hoje

Idosos chineses com mais de 60 anos, aposentados, seguem arando, plantando e colhendo para vender hortaliças e frutas porque a pensão rural paga 163 yuans por mês, valor insuficiente para a sobrevivência.

Trabalho continua após a aposentadoria

Nos campos chineses, muitos aposentados continuam no trabalho braçal depois dos 60 anos. Eles plantam e colhem frutas e hortaliças para vender em centros metropolitanos a horas de distância de propriedades.

Sem essa renda extra, a maioria não consegue fechar o mês. A situação atinge idosos, mas ainda obrigados a manter rotina pesada no campo para garantir dinheiro básico.

Diferença entre cidade e campo

A pensão básica para aposentados sem emprego formal, grupo que inclui quase todos os agricultores, é de 163 yuans, cerca de 119 reais por mês.

Nas cidades, aposentados de empresas urbanas recebem em média 3.500 yuans, ou R$ 2.563.

Entre ex-funcionários públicos, a pensão fica em quase 7.000 yuans, equivalentes a R$ 5.124. A diferença mostra um contraste entre os benefícios pagos a trabalhadores urbanos e os destinados ao campo.

As pensões dos fazendeiros funcionam como apoio fiscal definido e regulado exclusivamente pelo Estado.

Já os pagamentos de aposentados com cargos urbanos dependem também de contribuições individuais e impostos sobre salários.

Trabalhadores rurais pagavam um imposto adicional até 2006. Esse tributo foi abolido, mas sem compensação nos benefícios recebidos depois da aposentadoria, mantendo a desigualdade entre quem viveu no campo e quem atuou nas cidades.

Pensão rural e vida precária no interior

O efeito dessa diferença aparece nos padrões de vida. Enquanto a China afirma ter erradicado a pobreza extrema em 2020, definida como viver com menos de US$ 2,10 por dia, a proteção social segue baixa no campo.

Apuração da revista britânica The Economist indica que mais de 80% dos residentes rurais chineses aptos para o trabalho, entre 60 e 80 anos, ainda exercem esforço físico nos campos, mesmo estando em idade avançada.

Parte da explicação está na resistência do governo à criação de um sistema universal de bem-estar social. Dobrar o valor pago aos fazendeiros aposentados consumiria 3% do orçamento nacional, segundo a The Economist.

Esse gasto afetaria projetos de infraestrutura valorizados pela China dentro e fora de seu território, incluindo a Iniciativa Cinturão e Rota, tratada como prioridade pelo Estado.

Pressão política cresce no Parlamento

Defensores de mudanças dizem que o tema envolve justiça e reparação histórica. Milhões de moradores rurais passaram a juventude como trabalhadores migrantes, ajudando a construir parte da infraestrutura da China moderna.

Outros veem um interior mais rico como forma de estimular o mercado interno ao ampliar o consumo rural, ponto central no plano quinquenal chinês.

O debate ganhou força no Parlamento no mês passado. Pelo menos 34 representantes apresentaram propostas separadas, que resultaram em aumento de 20 yuans, cerca de 14 reais, por mês.

Mesmo com o reajuste, o tema segue sensível. Acadêmicos chineses que escrevem ensaios sobre as dificuldads rurais e defendem condições melhores continuam sendo ridicularizados e altamente criticados.

Com informações de Exame.

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Romário Pereira de Carvalho

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