Duas ilhas remotas das Aleutas foram ocupadas por tropas japonesas em 1942, levando os Estados Unidos a reforçarem a defesa do Pacífico Norte.
Um dos episódios mais incomuns da Segunda Guerra Mundial aconteceu longe dos grandes centros de combate.
Em junho de 1942, tropas japonesas ocuparam as ilhas de Attu e Kiska, no arquipélago das Aleutas, área ligada ao Alasca.
A ofensiva marcou a única vez, durante a guerra, em que forças inimigas controlaram parte do território norte-americano.
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Na época, o Alasca ainda não era um estado dos Estados Unidos. O território havia sido comprado da Rússia em 1867 e seguia sob administração federal.
Apesar da localização remota, a região tinha enorme valor estratégico. As Aleutas formam uma cadeia com mais de 300 ilhas entre o Alasca e a Rússia.
Arquipélago virou ponto-chave no Pacífico Norte
As Ilhas Aleutas se estendem por aproximadamente 1.900 quilômetros, entre o Alasca e a Península de Kamchatka.
Elas separam o Oceano Pacífico do Mar de Bering e funcionam como uma ponte natural entre América do Norte e Ásia.
A maior parte do arquipélago pertence aos Estados Unidos. Já as ilhas mais ocidentais, incluindo as Ilhas Comandante, seguem sob soberania russa.
Segundo registros do National Park Service e do U.S. Naval History and Heritage Command, a posição das Aleutas tornou a região essencial para a defesa do Pacífico Norte.
Ataque japonês começou com bombardeios
A ofensiva japonesa teve início com bombardeios contra Dutch Harbor, na ilha de Unalaska, em 3 de junho de 1942.
Poucos dias depois, tropas japonesas ocuparam Kiska e Attu, ampliando a pressão militar sobre o extremo norte americano.
A presença japonesa nas Aleutas durou pouco mais de um ano. Durante esse período, os Estados Unidos passaram a tratar o Alasca como uma área prioritária de defesa.
A ocupação também colocava em risco uma rota usada por Estados Unidos e Canadá para enviar suprimentos à União Soviética.
Attu foi retomada em batalha sangrenta
Em maio de 1943, tropas americanas retomaram Attu após uma batalha extremamente violenta.
O confronto ficou marcado pelas condições brutais do terreno, pelo frio intenso e pela resistência japonesa.
Em agosto de 1943, os aliados lançaram a Operação Cottage para recuperar Kiska.
No desembarque, as tropas descobriram que os japoneses já haviam evacuado secretamente a ilha.
A retirada foi favorecida pela neblina intensa, característica comum naquela região do Pacífico Norte.
Clima extremo dificultou toda a campanha
Além dos combates, soldados, navios e aviões enfrentaram tempestades, ventos violentos, frio severo e neblina constante.
As condições naturais tornaram a comunicação um grande desafio militar.
As dificuldades da campanha incentivaram o uso de sistemas baseados em micro-ondas, tecnologia que depois teria aplicações militares e civis.
Mesmo assim, a região seguiu sendo considerada vital para impedir novos avanços japoneses.
Povos indígenas também foram impactados
Durante a guerra, o Alasca tinha cerca de 72 mil habitantes.
Entre eles, estavam aproximadamente cinco mil Unangax, também conhecidos como aleutas.
Esse povo indígena vive no arquipélago há milhares de anos. Ainda hoje, poucas ilhas das Aleutas mantêm comunidades permanentes.
O episódio permanece como uma parte pouco lembrada da Segunda Guerra Mundial, mas mostra como o Alasca se tornou peça estratégica na defesa dos Estados Unidos.
Fontes consultadas: National Park Service, U.S. Naval History and Heritage Command, Encyclopaedia Britannica e History.
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