O foguete de 98 metros da NASA, conhecido como SLS, retornou à plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy depois que engenheiros corrigiram uma falha no sistema de hélio que forçou o adiamento da missão Artemis II, programada para levar quatro astronautas ao redor da Lua já no início de abril de 2026.
O foguete de 98 metros da NASA voltou a percorrer os seis quilômetros que separam o Edifício de Montagem de Veículos da plataforma 39B no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Conhecido oficialmente como Sistema de Lançamento Espacial (SLS), o veículo carrega no topo a espaçonave Orion e representa a peça central da missão Artemis II, que pretende enviar quatro astronautas ao redor da Lua pela primeira vez em mais de meio século. A movimentação aconteceu na madrugada, com o conjunto de quase 5.000 toneladas sendo transportado a pouco mais de 1,6 km/h pelo lendário Crawler-Transporter-2, o mesmo veículo de esteiras construído em 1965 para carregar os foguetes Saturno V do programa Apollo.
A volta à plataforma de lançamento acontece depois de semanas de tensão. Em março, uma falha no sistema de hélio do estágio superior obrigou a NASA a recolher o foguete de volta ao prédio de montagem, adiando o que seria o primeiro voo tripulado do programa Artemis. Agora, com os componentes substituídos e os testes internos concluídos, os engenheiros afirmam que o foguete de 98 metros da NASA está pronto para a última rodada de verificações antes de uma janela de lançamento prevista para o início de abril.
O que aconteceu com o sistema de hélio e por que o lançamento foi adiado

Durante um teste de abastecimento realizado ainda em março, os controladores detectaram uma interrupção no fluxo de hélio para o estágio superior do SLS. O hélio é usado para pressurizar os tanques de propelente, e qualquer falha nesse sistema pode comprometer o desempenho do motor ou o esvaziamento seguro do combustível.
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A anomalia foi considerada grave o suficiente para que os gestores da NASA decidissem não prosseguir com a tentativa de lançamento e optassem por devolver o foguete de 98 metros da NASA ao Edifício de Montagem de Veículos, onde os engenheiros teriam acesso total à área afetada.
Dentro do VAB, plataformas de trabalho foram erguidas ao redor do estágio superior para que os especialistas pudessem alcançar as válvulas e tubulações do circuito de hélio.
Os engenheiros substituíram os componentes suspeitos, trocaram baterias em sistemas críticos e repetiram os testes até confirmar que a falha havia sido solucionada. A decisão de recuar em vez de tentar o reparo na própria plataforma de lançamento reflete a cautela extrema que marca o programa Artemis, especialmente por se tratar de uma missão tripulada.
Como funciona a lenta viagem de 12 horas até a plataforma de lançamento

A logística de mover o foguete de 98 metros da NASA até a plataforma de lançamento é, por si só, um espetáculo de engenharia. O Crawler-Transporter-2, construído há seis décadas, é um veículo de esteiras que pesa cerca de 2.700 toneladas sozinho e carrega o foguete mais a torre de lançamento a uma velocidade máxima de 1,6 km/h.
Nas curvas e na rampa que leva à plataforma 39B, a velocidade cai ainda mais, de modo que o percurso de pouco mais de seis quilômetros pode levar até 12 horas para ser concluído.
O ritmo extremamente lento é intencional. A movimentação suave reduz o estresse estrutural sobre o foguete e a torre de lançamento, que juntos representam bilhões de dólares em investimento.
A baixa velocidade também oferece às equipes de voo a melhor chance de detectar qualquer movimento indesejado do que é, na prática, um arranha-céu sobre rodas. Toda a operação é monitorada em tempo real por dezenas de engenheiros que acompanham sensores de vibração e acelerômetros instalados em pontos estratégicos da estrutura.
Os testes finais que vão decidir se a missão Artemis II decola em abril
Com o foguete já posicionado na plataforma 39B, os engenheiros passarão vários dias verificando se os reparos realizados no VAB funcionaram conforme o esperado e se nada se deslocou durante o transporte. A torre de lançamento será reconectada ao veículo e novos testes de pressão no sistema de hélio serão conduzidos para garantir que o problema anterior foi definitivamente eliminado.
Os controladores também ensaiarão partes da contagem regressiva, enviando comandos pelos mesmos computadores e redes que serão usados no dia do lançamento.
Quando todos os testes forem concluídos, a equipe de gerenciamento da missão Artemis II se reunirá alguns dias antes da primeira oportunidade de lançamento para analisar os dados e decidir se o projeto deve prosseguir.
A primeira janela de lançamento está marcada para 1º de abril, às 18h24 no horário de verão do leste dos EUA. Caso essa tentativa seja adiada, há janelas disponíveis nos dias 2, 3, 4, 5 e 6 de abril, com uma última oportunidade no dia 30 do mesmo mês.
Quem são os quatro astronautas que vão contornar a Lua na Artemis II
A tripulação da missão Artemis II é formada por quatro astronautas: Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch (especialista de missão) e Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadense.
Esta será a primeira vez em mais de 50 anos que seres humanos viajarão além da órbita terrestre, e a primeira vez que uma mulher e uma pessoa negra participam de uma missão lunar.
Os quatro tripulantes já entraram em quarentena pré-voo e devem viajar para a Flórida nos dias que antecedem o lançamento.
Na fase final de preparação, eles participarão de ensaios que incluem vestir os trajes espaciais de lançamento e reentrada e se deslocar até a plataforma de lançamento para simular o embarque na espaçonave Orion. A missão de dez dias prevê uma volta completa ao redor do lado oculto da Lua antes do retorno à Terra, com pouso no Oceano Pacífico.
O que a Artemis II representa para o futuro da exploração lunar
Se o foguete de 98 metros da NASA decolar conforme o planejado, a Artemis II se tornará a primeira missão tripulada do programa e abrirá caminho para os voos seguintes.
A Artemis III, programada para 2027, será um voo de teste tripulado em órbita da Terra, enquanto a Artemis IV, planejada para 2028, tem como objetivo finalmente levar astronautas de volta à superfície lunar. Cada etapa depende do sucesso da anterior, o que torna o lançamento de abril um marco decisivo para toda a agenda espacial americana.
Mais de meio século depois que a última tripulação do programa Apollo deixou a superfície da Lua, o retorno de seres humanos às proximidades lunares carrega um peso simbólico e estratégico imenso.
O sucesso da Artemis II validará não apenas o SLS e a Orion, mas toda a arquitetura de missões que a NASA pretende usar para estabelecer uma presença sustentável na Lua e, eventualmente, preparar o terreno para expedições a Marte. O que está em jogo nas próximas semanas vai muito além de um lançamento: é o primeiro passo concreto de uma nova era de exploração espacial tripulada.
Você acredita que a Artemis II vai finalmente decolar em abril ou acha que novos adiamentos ainda podem acontecer? E o que significa para você ver humanos voltando à Lua depois de tanto tempo? Deixe seu comentário.

