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Casal arrematou num leilão às cegas um banheiro público abandonado e fedido à beira-mar por 33 mil libras, passou uma década reformando com as próprias mãos e hoje a casa de praia vale 295 mil libras

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 24/06/2026 às 11:10 Atualizado em 24/06/2026 às 11:18
De leilão às cegas a casa à beira-mar: banheiro público transformado em casa após reforma de imóvel de uma década vira imóvel inusitado em Barmouth.
De leilão às cegas a casa à beira-mar: banheiro público transformado em casa após reforma de imóvel de uma década vira imóvel inusitado em Barmouth.
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Em Barmouth, no País de Gales, Elaine e Alan Taylor compraram um banheiro público transformado em casa depois de arrematar a estrutura abandonada num leilão às cegas por 33 mil libras, encararam uma década de reforma de imóvel e criaram uma casa à beira-mar avaliada em mais de 295 mil libras.

Quem passa pela orla de Barmouth, cidadezinha de praia no oeste do País de Gales, hoje vê uma charmosa casa de um quarto de frente para o mar da Irlanda. O que quase ninguém imagina é que aquele endereço já foi um banheiro público fechado e fedendo a abandono havia quase duas décadas. A virada é obra de Elaine e Alan Taylor, o casal que apostou num banheiro público transformado em casa quando todo mundo só via um problema na esquina.

A história foi contada pelo North Wales Live no início de 2025, quando o imóvel foi posto à venda por mais de 295 mil libras. O que torna o caso irresistível não é só o antes e depois. É o tamanho da teimosia: dez anos de obra, gasto que passou de 260 mil libras e uma compra feita às cegas, sem nem poder entrar no lugar antes de dar o lance. Não foi sorte. Foi suor, e muito.

Um lance às cegas por 33 mil libras

De leilão às cegas a casa à beira-mar: banheiro público transformado em casa após reforma de imóvel de uma década vira imóvel inusitado em Barmouth.
A descoberta foi por acaso.

O casal estava de férias em Barmouth quando viu uma placa de “vende-se” pregada num velho bloco de banheiros públicos na Marine Parade, a poucos metros da areia. O imóvel ia a leilão às cegas, o tipo de venda em que o comprador dá o lance sem poder visitar o interior. Eles arriscaram 33 mil libras, por volta de R$ 230 mil na cotação de 2026, e o lance foi aceito em julho de 2015.

Comprar num leilão às cegas é apostar no escuro, e Elaine sabia disso. “Quando estava à venda, a gente não podia entrar no imóvel, então foi um lance às cegas, e a gente só presumiu que teria luz, porque tinha sido um banheiro público, e água também”, contou Elaine Taylor ao North Wales Live. Era um chute baseado em lógica: se foi banheiro, em tese tem encanamento e energia. O resto era incógnita.

Esse é o detalhe que prende qualquer um que já sonhou em comprar barato para reformar. Um leilão às cegas pode ser a porta para um imóvel inusitado a preço de banana, ou para uma dor de cabeça sem fim. No caso dos Taylor, foi um pouco das duas coisas. O preço de entrada foi camarada, mas o que veio depois custou caro e testou a paciência do casal ano após ano.

Dezenove anos de abandono e cheiro de mato

Para entender o tamanho do desafio, vale olhar o estado da estrutura. Os banheiros públicos da Marine Parade tinham sido fechados em 1997 e ficaram largados por quase 19 anos, segundo o registro de planejamento do Conselho de Gwynedd, que aprovou a conversão do prédio em residência. Quase duas décadas de abandono num prédio de beira de praia deixam marca: umidade, mofo, ferrugem e aquele cheiro que não sai fácil.

O Conselho de Gwynedd vendeu o bloco em 2015, e a permissão para transformar o banheiro público em moradia saiu no fim de 2016, com a obra começando para valer no verão europeu de 2017. Foi quando o casal descobriu que tinha comprado bem mais trabalho do que imaginava. A ideia de um banheiro público transformado em casa parecia simples no papel. Na prática, virou quase uma reconstrução do zero.

Os Taylor sempre defenderam que não estavam tirando moradia de ninguém do mercado. Pelo contrário: estavam recuperando um prédio morto e melhorando a esquina. Transformar um imóvel inusitado e degradado em algo habitável é, no fim das contas, devolver vida a um pedaço esquecido da cidade. Esse argumento ajudou inclusive na aprovação do projeto.

Uma década de obra e quase 290 mil libras

De leilão às cegas a casa à beira-mar: banheiro público transformado em casa após reforma de imóvel de uma década vira imóvel inusitado em Barmouth.
Aqui mora a parte que separa o sonho da realidade.

reforma de imóvel não levou meses, levou uma década. Dez anos transformando o banheiro abandonado em casa, lidando com estrutura velha, normas de construção e os perrengues que todo mundo que já reformou conhece, multiplicados pela esquisitice de partir de um bloco de latrinas.

E saiu caro. O casal estimou ter gasto cerca de 260 mil libras só na obra, e, somando tudo, o projeto chegou perto de 290 mil libras, algo na casa dos R$ 2 milhões na conversão de 2026. Ou seja, à parte das 33 mil libras pagas no leilão às cegas, foram quase dez vezes esse valor enterrados na reforma de imóvel ao longo de dez anos. Não é o tipo de obra que se faz num fim de semana com tinta e boa vontade.

É justamente esse contraste que dá peso à história. Transformar um banheiro público em casa não foi um atalho para enriquecer, foi um projeto de paciência e teimosia. Quem olha só os números redondos, 33 mil na entrada e 295 mil no fim, pensa em lucro fácil. Quem lê as entrelinhas vê uma década de dinheiro e nervo investidos numa reforma de imóvel que poucos teriam coragem de encarar.

Como ficou a casa à beira-mar

O resultado calou os céticos. O banheiro público transformado em casa virou uma residência de um quarto, com sala e cozinha integradas num ambiente só, e um quarto com banheiro suíte. Nada lembra a função original. No lugar do mau cheiro e do azulejo encardido, entrou acabamento caprichado e luz natural.

Os toques de charme são o que mais impressionam numa casa à beira-mar desse tamanho. O quarto ganhou uma claraboia para o casal observar as estrelas deitado na cama, e uma janela de canto com peitoril de granito emoldura a paisagem. A localização faz o resto: a casa à beira-mar fica de frente para a praia de Barmouth e para o mar da Irlanda, com a água praticamente do outro lado da rua.

Foi essa combinação de história curiosa e vista de cartão-postal que colocou a casa à beira-mar no preço de mais de 295 mil libras quando foi anunciada. O imóvel deixou de ser uma piada sobre banheiro abandonado para virar o tipo de casa à beira-mar que muita gente sonha em ter, com a vantagem de ter uma das histórias de origem mais inusitadas do litoral galês.

A conta que não fecha como negócio, mas fecha como sonho

Vale ser honesto sobre os números, porque eles contam uma verdade que o título não cabe. Os Taylor gastaram mais para criar a casa do que ela vale à venda. Somando as 33 mil libras da compra com as quase 290 mil da obra, o casal colocou perto de 320 mil libras no projeto, e o preço de anúncio ficou em mais de 295 mil. Em planilha fria, não foi um bom negócio.

Mas nem tudo cabe em planilha. Durante dez anos, eles tiveram um projeto de vida, uma casa à beira-mar feita do jeito deles, com cada detalhe pensado. O motivo da venda também é prosaico: a rotina de trabalho de Elaine deixou de ser no País de Gales, e manter o imóvel inusitado parado deixou de fazer sentido. Foi a vida seguindo, não arrependimento.

A lição que fica para quem se anima com reforma de imóvel de leilão é dupla. O preço baixo da entrada engana, porque o custo real aparece na obra, não na compra. E o valor de um banheiro público transformado em casa nem sempre está no que ele rende na revenda, mas no que ele significou enquanto se construía. Para os Taylor, o saldo foi de experiência, não de lucro.

Por que esse tipo de imóvel inusitado encanta tanta gente

Histórias de imóvel inusitado viram febre porque mexem com um desejo coletivo: o de transformar o impossível em lar. Já vimos ônibus, contêineres e até caixas d’água virarem casa, mas um banheiro público de orla é de uma audácia diferente. Pega a coisa mais prosaica e malcheirosa que existe e a converte em refúgio com vista para o mar.

Tem também o fascínio do antes e depois extremo. Quanto mais degradado e improvável o ponto de partida, mais impressionante fica o resultado. Um imóvel inusitado como esse prova que estrutura velha e função vexatória não são sentença de morte para um prédio. Com projeto, dinheiro e teimosia, quase tudo se reinventa, mesmo um bloco de latrinas fechado por 19 anos.

E há o lado aspiracional do bolso. Num momento em que comprar casa à beira-mar parece coisa de rico, ver um casal entrar por uma porta dos fundos, via leilão às cegas e muita reforma de imóvel, alimenta a fantasia de que talvez exista um caminho alternativo. A ressalva honesta é que esse caminho é longo, caro e arriscado. Mas que é inspirador, isso é.

O que essa esquina de Barmouth ensina

No fim, o banheiro público transformado em casa de Barmouth é menos uma dica de investimento e mais uma história sobre enxergar potencial onde os outros torcem o nariz. Elaine e Alan Taylor olharam para um prédio que a cidade tinha desistido e viram um lar. Levaram dez anos e quase 290 mil libras para provar que estavam certos.

Talvez o maior valor desse imóvel inusitado não esteja nas 295 mil libras do anúncio, e sim na ideia que ele planta na cabeça de quem lê: a de que lugar nenhum é definitivamente perdido. Um banheiro fedido à beira-mar virou uma das casas mais charmosas da orla, e isso, convenhamos, é o tipo de virada que gruda na memória.

E você, teria coragem de dar um lance num leilão às cegas por um imóvel que nem pode visitar antes, sabendo que a reforma de imóvel pode custar dez vezes o preço da compra? Ou acha que transformar um banheiro público abandonado numa casa à beira-mar é loucura que só dá certo no fim da história? Conta pra gente nos comentários o imóvel mais inusitado que você já viu virar lar.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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