Empresário voltou a criticar a redução da jornada, projetou aumento de custos e inflação, e afirmou que avalia oportunidades no Paraguai enquanto a Havan planeja expansão no Brasil em meio ao avanço da proposta no Congresso.
Luciano Hang, dono da Havan e apoiador público de Jair Bolsonaro nas últimas disputas nacionais, criticou a proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem perda salarial.
Em entrevista à Folha, o empresário afirmou que a mudança elevaria custos, pressionaria preços e poderia provocar uma “quebradeira” entre pequenas e médias empresas do varejo brasileiro.
A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (27), em dois turnos, e seguiu para análise do Senado, etapa necessária para que a alteração constitucional possa avançar no Congresso.
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A proposta estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e amplia o descanso semanal, tema que tem mobilizado centrais sindicais, parlamentares, empresários e entidades ligadas ao comércio.
Hang reagiu à aprovação da medida ao defender a adoção de uma escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso, modelo que, segundo ele, aceleraria os efeitos econômicos atribuídos à redução da jornada.
“O Congresso deveria aprovar a 4×3 e implantá-la já em junho para que a gente visse quanto tempo o Brasil iria aguentar. Coisa ruim tem que ser o mais rápido possível, não adianta você ficar sofrendo por muito tempo”, afirmou o empresário.
Na mesma entrevista, Hang relacionou o debate sobre jornada ao cenário político e econômico do país, em uma declaração apresentada por ele como crítica ao rumo das decisões em discussão no Congresso.
“Acho que para acertar este país é só com uma desgraça. Então, que a desgraça seja instalada o mais rápido possível”, disse à Folha.
Fim da escala 6×1 e impacto nos custos da Havan
Na avaliação de Hang, o fim da escala 6×1 aumentaria os custos da Havan entre 15% e 20%, percentual que, segundo ele, afetaria diretamente a operação da rede e de outras empresas do setor.

O empresário sustenta que esse impacto não ficaria restrito às companhias, pois parte das despesas adicionais seria repassada aos consumidores por meio de preços mais altos no varejo, na indústria e nos serviços.
“Do couro sai a correia. Esses custos que vão ser colocados para a indústria, comércio e serviços serão repassados nos preços”, declarou Hang ao comentar os efeitos econômicos que atribui à mudança.
Para o dono da Havan, a alta de despesas trabalhistas poderia reduzir parte do ganho esperado pelos trabalhadores com a redução da jornada, caso os preços ao consumidor subam na proporção projetada por ele.
Hang também afirmou que a inflação resultante desse movimento diminuiria o poder de compra dos salários, o que, em sua avaliação, poderia levar trabalhadores a buscar uma segunda ocupação para complementar a renda familiar.
Defensores da PEC afirmam que a redução da jornada busca atualizar as relações de trabalho e ampliar o tempo de descanso dos empregados, sem necessariamente comprometer a produtividade das empresas.
A proposta, porém, segue em debate no Congresso e ainda depende de análise no Senado, onde parlamentares devem discutir impactos sociais, econômicos e operacionais antes de eventual votação.
Folgas aos domingos e divergência no comércio
As críticas de Hang também alcançaram regras previstas na legislação trabalhista, entre elas o artigo 386 da CLT, que garante às mulheres uma folga dominical a cada 15 dias em atividades que funcionam aos domingos.
A regra existe desde 1943 e foi reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, após questionamentos sobre sua aplicação e descumprimentos registrados especialmente depois da reforma trabalhista de 2017.
O dispositivo tem como finalidade assegurar descanso periódico em um dia de maior convívio familiar e social, mas sua aplicação é alvo de críticas de parte do empresariado por causa da organização das escalas.
“A Havan tem três turnos. Há um tempo, inventaram que mulheres não podem trabalhar dois domingos em seguida. O que tu consegues com isso? Tu vais ter que contratar mais homens”, afirmou Hang.
O empresário disse ainda que regras desse tipo podem prejudicar o público que buscam proteger, argumento usado por ele para criticar a forma como parte da legislação trabalhista é construída no país.
“Cada lei que não tem lógica, quem sofre é a própria pessoa para que foi feita a lei”, declarou Hang, ao comentar os efeitos que atribui à norma sobre folgas dominicais.
A FecomercioSP apresentou avaliação diferente sobre o tema à Folha e afirmou que a dificuldade está menos ligada ao gênero e mais à complexidade de organizar escalas em ambientes com diversos modelos de negociação coletiva.
Entre os regimes citados pela entidade estão formatos como 1×1, 2×1 e 2×2 para folgas aos domingos, que podem variar conforme acordos e convenções firmados entre empresas e trabalhadores.
Ricardo Patah, presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, também discorda da ideia de que a regra possa reduzir a contratação feminina no comércio.
Segundo ele, mulheres seguem ocupando funções centrais em supermercados, atendimento e vendas, inclusive em setores nos quais a presença feminina é considerada relevante para a relação com consumidoras.
Havan mira expansão internacional no Paraguai
Ao passo que critica o avanço da PEC no Congresso, Hang prepara uma agenda no Paraguai para avaliar oportunidades de internacionalização da Havan e conhecer condições oferecidas a empresas brasileiras no país vizinho.
O empresário disse que deve visitar o país entre 29 de junho e 1º de julho, com previsão de encontro com o presidente Santiago Peña, segundo declaração dada por ele à Folha.
A viagem ocorre em meio ao interesse de empresas brasileiras pelo regime de maquila paraguaio, modelo que oferece incentivos fiscais e custos trabalhistas menores para companhias que produzem no país.
Nos últimos anos, grupos ligados ao setor têxtil e ao varejo passaram a avaliar ou ampliar operações no Paraguai, movimento associado por empresários a custos de produção e regras tributárias mais favoráveis.
“O presidente Peña me ligou, o ministro dele me ligou, e acertei de visitar o Paraguai entre os dias 29 de junho e 1º de julho”, afirmou Hang ao comentar a agenda.
De acordo com o empresário, fornecedores e pessoas próximas do setor produtivo já transferiram parte de suas operações para o país, o que motivou a decisão de conhecer pessoalmente as condições locais.
“Eu não posso ser o último empresário a apagar a luz. Meus fornecedores já estão lá, meus amigos já estão morando lá”, disse Hang, ao explicar o interesse em avaliar oportunidades fora do Brasil.
O empresário também declarou que pretende entender por que o Paraguai teria atraído mais de 250 empresas brasileiras, número citado por ele ao defender a viagem ao país vizinho.
Com sede administrativa em Brusque, em Santa Catarina, a Havan está entre as redes de departamentos de maior presença nacional, com lojas em diferentes regiões do Brasil e operação concentrada no varejo físico.
A empresa ganhou projeção nacional também pelo apoio público de Hang a Jair Bolsonaro antes da eleição presidencial de 2018, quando o empresário passou a aparecer com frequência em atos e campanhas políticas.
A rede informou ter 191 lojas e mais de 25 mil funcionários, além de inauguração prevista da 192ª unidade em Taquara, no Rio Grande do Sul.
Em 2025, a companhia registrou R$ 13,7 bilhões em receita líquida e lucro líquido de R$ 3,5 bilhões, conforme dados atribuídos à empresa na entrevista.
A expectativa informada pela Havan é encerrar o ano com mais de 200 lojas e faturamento bruto próximo de R$ 22 bilhões, após receita bruta de R$ 18,5 bilhões em 2025.
Luciano Hang e o envolvimento político nas eleições
Apesar da proximidade com nomes da direita, Hang afirmou que não pretende repetir o nível de envolvimento político registrado em campanhas anteriores, quando atuou publicamente em defesa de Jair Bolsonaro.
O empresário disse manter amizade com possíveis presidenciáveis, como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mas declarou que pretende adotar postura mais reservada no processo eleitoral.
“Eu, agora com 63 anos, não tenho mais a disposição que eu tive quando eu tinha 55 anos para fazer tudo aquilo que fiz pelo Bolsonaro”, afirmou Hang.
Na entrevista, ele disse estar mais dedicado à administração das lojas e à responsabilidade com os funcionários da Havan, argumento usado para justificar a intenção de reduzir a exposição política.
O empresário e a Havan foram condenados em 2024 pela Justiça do Trabalho ao pagamento de R$ 85 milhões em ação movida pelo Ministério Público do Trabalho.
A acusação envolvia coação de empregados a votar em Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018, quando Fernando Haddad disputava o segundo turno pelo PT.
Hang rejeita a ideia de entrar novamente “de cabeça” em uma campanha eleitoral e afirma que, por não exercer cargo político, pretende limitar sua atuação pública neste ano.
Segundo o empresário, a prioridade será manter foco na administração da Havan e nos temas ligados ao ambiente empresarial, especialmente em discussões sobre custo de operação, jornada de trabalho e expansão da rede.


O escravocrata esquece que o país está indo na contra mão do crescimento populacional. Ali na frente, ele não vai ter nem empregados e nem clientes.
Que vá para o Paraguai e leve até às quecas
esse governo atual deve ser adorado pelo Paraguai rsrs
centenas de empresas tradicionais nacionais se mudaram para la nesse mandato…
E centenas de empresas abrindo aqui no Brasil.
Nenhuma empresa foi pra lá, abriram filiais. Continuam no Brasil firmes e fortes pra sua ****