Redução no horário de funcionamento aparece como alternativa para supermercados e atacarejos reorganizarem equipes, absorverem impactos de uma possível jornada 5×2 e evitarem pressão adicional sobre os preços pagos pelos consumidores.
Supermercados e atacarejos podem reduzir o horário de funcionamento durante a semana e aos domingos para se adaptar a uma eventual troca da escala 6×1 pela jornada 5×2, sem repassar integralmente aos preços o aumento de custos com pessoal.
Defendida pela Associação Catarinense de Supermercados (Acats), a proposta foi discutida durante a ExpoSuper, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, e busca reorganizar equipes caso a jornada semanal passe de 44 para 40 horas.
Hoje, grande parte das lojas de atacarejo funciona das 7h às 22h nos dias úteis e das 8h às 21h aos domingos, modelo que exige equipes distribuídas em longos períodos de atendimento.
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Pela alternativa apresentada, o atendimento passaria para 7h30 às 21h30 durante a semana e para 8h às 19h aos domingos, reduzindo a necessidade de reforço nas escalas e diminuindo a pressão sobre a folha de pagamento.
Mantidos os horários atuais, a migração para a escala 5×2 elevaria o custo com pessoal entre 9% e 10%, afirma a Acats, cenário que poderia pressionar os preços cobrados dos consumidores.
Escala 5×2 pode mudar rotina de supermercados e atacarejos
Para José Koch, vice-presidente da Acats, a diminuição do expediente permitiria absorver parte dos impactos da nova jornada sem comprometer o atendimento ao público, desde que a mudança seja planejada de forma coordenada pelo setor.
Na avaliação do dirigente, a adoção ampla da medida ajudaria a evitar desequilíbrio concorrencial entre redes, já que empresas com horários muito diferentes poderiam enfrentar custos distintos para manter a operação.
“Qual é a pergunta de R$ 1 milhão para não absorver todos esses custos e ter que repassar aos preços? Temos que ser inteligentes”, disse o vice-presidente da Acats.
Segundo Koch, pequenos ajustes no funcionamento das lojas podem melhorar a organização das escalas e a qualidade de vida dos trabalhadores, sem provocar mudanças bruscas na experiência dos clientes que frequentam supermercados e atacarejos.
A proposta parte da ideia de que a redução de meia hora no início e no fim do expediente durante a semana teria impacto limitado para o consumidor, mas poderia gerar alívio operacional para as redes.
Aos domingos, a alteração seria mais significativa, com fechamento duas horas mais cedo em relação ao horário citado pela entidade, o que facilitaria a formação de equipes em um único turno de atendimento.
Domingo concentra parte do impacto nas escalas
A redução aos domingos aparece como um dos pontos centrais da proposta, porque o encurtamento do expediente permitiria operar com apenas um turno e facilitaria a distribuição das folgas semanais.
Com esse desenho, avalia a Acats, os funcionários poderiam trabalhar dois domingos e folgar outros dois ao longo do mês, sem ampliar de forma significativa a necessidade de novas contratações.
“Isso facilita porque um turno só será obrigatório com a nova lei. Então, isso resolve a questão da folga aos domingos porque os trabalhadores poderão folgar dois domingos e trabalhar dois”, afirmou Koch.
Embora o setor trate o tema como alternativa operacional, a proposta depende do avanço das discussões no Congresso Nacional, já que a mudança da escala 6×1 para 5×2 segue em debate.

Até o momento, a jornada 5×2 não é apresentada como regra já em vigor para supermercados, mas como possibilidade que mobiliza entidades empresariais diante do impacto previsto sobre custos e equipes.
A preocupação das redes é que uma redução da jornada, sem ajuste nos horários de funcionamento, obrigue a contratação de mais trabalhadores para cobrir os mesmos períodos de abertura das lojas.
Custo com pessoal preocupa redes do varejo alimentar
No setor supermercadista, a folha de pagamento tem peso relevante porque as lojas dependem de atendimento presencial, reposição constante de produtos, operação de caixas, recebimento de mercadorias e organização das áreas de venda.
Quando o expediente ao público se estende por muitas horas, a montagem das escalas exige sobreposição de equipes, substituições em folgas e cobertura de horários de maior movimento, especialmente no fim do dia e aos domingos.
Por esse motivo, a Acats avalia que a redução controlada dos horários poderia evitar que todo o impacto da jornada 5×2 fosse transferido para os preços das mercadorias vendidas ao consumidor.
A entidade também considera que uma mudança isolada, adotada por poucas redes, teria menor efeito prático, pois supermercados concorrentes poderiam manter expedientes mais longos e influenciar o comportamento dos clientes.
Nesse contexto, Koch defende que a discussão seja feita em âmbito nacional, para que a maioria das empresas do setor siga parâmetros semelhantes e reduza o risco de competição baseada apenas em horário de abertura.
Trabalho por hora entra no debate do setor
Outra alternativa discutida pelo setor supermercadista é a criação de um modelo de contratação por hora no Brasil, defendido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) como complemento à eventual adoção da escala 5×2.
Esse formato também tem apoio da Acats, que vê no trabalho por hora uma forma de preencher escalas em períodos de maior movimento, especialmente em fins de semana, feriados e horários de pico.
Para as entidades, a contratação por hora poderia ampliar a flexibilidade das lojas em momentos de demanda concentrada, sem obrigar a abertura de vagas integrais para cobrir apenas faixas específicas do expediente.
Sem mecanismos adicionais de flexibilização, avaliam representantes do setor, a redução da jornada pode ampliar a dificuldade para contratar trabalhadores, afetando grandes redes e pequenos supermercados com equipes mais enxutas.
A falta de mão de obra disponível preocupa especialmente lojas que precisam manter operação contínua, porque qualquer mudança na jornada exige reorganização de turnos, folgas, substituições e funções internas.
Setor cita combinação de pressões sobre a operação
Koch afirma que o setor enfrenta uma combinação de pressões, entre elas aumento de custos, inflação, mudanças de consumo, reforma tributária e novas tecnologias.
Nesse cenário, a escala de trabalho passou a ser um dos temas mais sensíveis para a operação das lojas, principalmente porque qualquer elevação de custo tende a afetar uma atividade de margens apertadas.
A discussão sobre horários também ocorre em um momento em que supermercados tentam equilibrar atendimento ao consumidor, controle de despesas, disponibilidade de trabalhadores e adaptação a mudanças regulatórias em debate.
Caso seja aprovada pelo Congresso, a eventual mudança alcançaria a economia de forma ampla, e não apenas supermercados, atacarejos ou empresas ligadas ao varejo alimentar.
Por isso, entidades do setor defendem regras que permitam ajustar o funcionamento das lojas sem elevar automaticamente o custo final dos produtos vendidos aos consumidores.
