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Ele abriu uma academia de bairro em Santo Amaro em 1996 sem entender nada do setor, criou depois um modelo com mensalidade a cerca de 20% do preço das concorrentes e hoje a Smart Fit é a maior rede fitness da América Latina, com 5 milhões de alunos em 14 países e faturamento de R$ 5 bilhões

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 08/07/2026 às 18:37 Atualizado em 08/07/2026 às 18:42
Smart Fit: Edgard Corona abriu uma academia de bairro em 1996 e criou a maior rede fitness da América Latina, com 5 milhões de alunos e R$ 5 bilhões.
Smart Fit: Edgard Corona abriu uma academia de bairro em 1996 e criou a maior rede fitness da América Latina, com 5 milhões de alunos e R$ 5 bilhões.
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Edgard Corona, engenheiro químico que começou a empreender aos 19 anos, fundou o Bio Ritmo, enxergou na academia “low cost” a chance de democratizar o treino no Brasil e levou o grupo ao primeiro IPO de academias da bolsa brasileira, em julho de 2021

Treinar em academia virou rotina de massa no Brasil, e boa parte dessa virada tem a digital de um engenheiro químico paulista. Segundo o Terra, Edgard Corona construiu na Smart Fit uma rede que fatura R$ 5 bilhões, resultado de uma tese simples: academia boa não precisa ser cara.

A escala não tem paralelo no continente: a rede lidera a América Latina, está presente em 14 países e alcançou a marca de 5 milhões de alunos ativos em junho de 2024, segundo a Suno. O detalhe mais curioso é que o império nasceu de uma academia de bairro aberta por alguém que, na época, não entendia nada do ramo.

O engenheiro que começou aos 19 e abriu academia sem conhecer o setor

A trajetória de Corona não seguiu linha reta. Formado em engenharia química pela FAAP em 1979, ele começou a empreender aos 19 anos, ainda no 2º ano da faculdade, e só em 1996 abriu a primeira unidade do Bio Ritmo, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, sem nenhum conhecimento do setor fitness, segundo a Suno. A academia deu certo, ganhou destaque e virou rede na capital paulista.

O Bio Ritmo era um negócio de padrão alto, mensalidade compatível e público restrito, o formato clássico do setor na época. Foi tocando essa operação por mais de uma década que Corona percebeu o teto do modelo: academia premium atende bem quem pode pagar, mas deixa de fora a imensa maioria dos brasileiros que gostariam de treinar.

A sacada do “low cost”: cobrar 20% e atender 10 vezes mais gente

Smart Fit: Edgard Corona abriu uma academia de bairro em 1996 e criou a maior rede fitness da América Latina, com 5 milhões de alunos e R$ 5 bilhões.
Esteiras alinhadas em academia, imagem ilustrativa. Foto: Cobragym1 (CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons).

A virada veio entre 2008 e 2009. Depois de consolidar o Bio Ritmo e estudar modelos em vários países, o grupo trouxe ao Brasil o conceito de baixo custo com alto valor, abrindo as primeiras unidades da Smart Fit com mensalidades equivalentes a cerca de 20% do preço das academias de alto padrão, segundo a Suno. A ideia central era democratizar o treino de qualidade, com equipamento bom e estrutura enxuta.

O modelo inverteu a matemática do setor: em vez de margem alta sobre poucos alunos, margem menor sobre uma multidão. Sem aula em excesso, sem serviços supérfluos e com processos padronizados, cada unidade atende milhares de alunos a um custo operacional que as academias tradicionais não conseguem imitar. O resultado foi um crescimento que engoliu o mercado.

O primeiro IPO de academias da bolsa brasileira

A consagração institucional veio na B3. Em julho de 2021, o grupo de Corona realizou o primeiro IPO de academias da bolsa brasileira, abrindo capital em plena retomada do setor e financiando a expansão que levaria a marca a 14 países, segundo a Suno. De academia de bairro a companhia listada, foram 25 anos.

A abertura de capital também mudou o patamar do jogo: com acesso ao mercado, a rede acelerou aberturas, comprou concorrentes regionais e diversificou marcas dentro do grupo, mantendo o Bio Ritmo no topo da pirâmide premium e a Smart Fit como locomotiva de volume. É a mesma empresa atendendo do executivo ao estudante, cada um na porta que cabe no bolso.

Os 5 milhões de alunos e a nova cultura fitness do brasileiro

Smart Fit: Edgard Corona abriu uma academia de bairro em 1996 e criou a maior rede fitness da América Latina, com 5 milhões de alunos e R$ 5 bilhões.
Treino de força em estúdio de musculação, imagem ilustrativa. Foto: Shixart1985 (CC BY 2.0, Wikimedia Commons).

O número que melhor mede o fenômeno não está no balanço, está no vestiário. Os 5 milhões de alunos ativos alcançados em junho de 2024, segundo a Suno, fazem da rede um dos maiores agregadores de hábito do país: gente que nunca tinha pisado numa academia passou a treinar porque a mensalidade coube no orçamento. O acesso barato criou o costume, e o costume criou um mercado gigante.

O efeito transborda para a economia inteira do setor: mais alunos significam mais professores de educação física empregados, mais equipamentos vendidos, mais suplementos, mais roupa de treino. A academia de baixo custo virou porta de entrada de uma cadeia bilionária, e a geração mais jovem, que troca bar por treino, só reforça a tendência.

Por que o modelo brasileiro virou exportação

A Smart Fit fez o caminho raro de levar um modelo de negócio brasileiro para fora. A rede se espalhou por 14 países, dominando mercados da América Latina onde a equação é parecida com a nossa: populações grandes, renda apertada e vontade de treinar, o cenário perfeito para o baixo custo de alto valor, segundo a Suno. O que funcionou em São Paulo funcionou no México, na Colômbia e além.

Para o setor, a lição é a mesma que outros segmentos aprenderam: no mercado de massa latino-americano, quem acerta o preço de entrada e mantém a qualidade percebida constrói barreiras que marca estrangeira nenhuma derruba facilmente. A rede chegou primeiro e em escala, e hoje colhe a liderança.

A lição do homem que apostou contra o próprio negócio

O movimento mais corajoso de Corona foi canibalizar o que já tinha. Dono de uma rede premium bem-sucedida, ele criou um modelo barato que competia com o próprio Bio Ritmo, apostando que era melhor ele mesmo ocupar o mercado de massa antes que outro ocupasse, e essa decisão desconfortável é a razão de a Smart Fit existir e faturar R$ 5 bilhões. Empresas que se recusam a se reinventar costumam ser reinventadas pela concorrência.

Do 2º ano da faculdade ao topo do fitness latino-americano, a história dele mostra que entender de gestão pode valer mais que entender do setor.

Conta pra gente nos comentários: foi a mensalidade barata que te levou pra academia, ou você ainda acha que treinar no Brasil custa caro demais?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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