Lançada em novembro de 2025 pelo Luizalabs em parceria com Meta e Google, a ferramenta concentra toda a compra dentro da conversa do WhatsApp, já somou mais de 16 milhões de conversas e tem nota de satisfação em torno de 85
Em 7 de julho de 2026, o Magazine Luiza divulgou o número que muda a conversa sobre venda por aplicativo no Brasil. O WhatsApp da Lu, canal de compras comandado por inteligência artificial, ultrapassou R$ 100 milhões em vendas em apenas oito meses de operação, segundo o Money Times, que revelou o dado com exclusividade.
A personagem que por anos foi só o rosto simpático das propagandas virou uma operação de vendas de verdade: pelo canal, o cliente conversa com a Lu no WhatsApp, pede o produto, negocia e fecha a compra sem sair da tela de mensagens. É o balcão da loja reconstruído dentro do aplicativo que o brasileiro mais abre todos os dias.
Como funciona a loja dentro da conversa

A mecânica é a simplicidade levada ao limite. Todo o processo de venda acontece dentro do WhatsApp, com a inteligência artificial conduzindo o diálogo: o consumidor descreve o que procura, a Lu sugere produtos, responde dúvidas, aplica condições e conclui o pedido na própria conversa, segundo o Money Times. Não tem aplicativo para baixar, cadastro novo nem carrinho para abandonar.
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A tecnologia foi desenvolvida pelo Luizalabs, o braço de tecnologia do Magalu, em parceria com Meta, dona do WhatsApp, e Google, de acordo com o Money Times. É uma aliança de peso: a varejista entra com o catálogo e a marca, a Meta com o canal onde o país inteiro já está, e o Google com a musculatura de IA.
Os números que impressionam o varejo
O desempenho em oito meses surpreendeu até quem acompanha o setor. Segundo o E-Commerce Brasil, o canal já foi utilizado por 7,7 milhões de usuários únicos, registrou conversão três vezes maior que os canais digitais já existentes da companhia e conquistou nota de satisfação (NPS) de 84,5. Em varejo digital, conversão 3 vezes maior não é melhoria, é outra categoria de resultado.
O engajamento também mostra que o cliente voltou a conversar com a loja, literalmente. Foram mais de 16 milhões de conversas e 7 milhões de interações registradas, com cerca de 20% dos consumidores voltando a comprar pelo canal, segundo o Money Times. A recompra é o dado que mais importa: mostra que a novidade não foi só curiosidade de primeira vez.
Por que a venda por conversa funciona tão bem no Brasil

O resultado tem uma explicação cultural que qualquer lojista de bairro conhece. O brasileiro sempre comprou conversando, pechinchando no balcão e pedindo indicação ao vendedor, e o WhatsApp da Lu simplesmente devolveu esse balcão para dentro do celular, com uma vendedora que responde na hora, a qualquer hora. O e-commerce tradicional, de busca e carrinho, sempre foi frio perto disso.
Tem ainda o fator alcance: o WhatsApp está instalado em praticamente todo smartphone do país, incluindo os aparelhos mais simples e as gerações que nunca se adaptaram a aplicativo de loja. Para milhões de brasileiros, comprar pelo mensageiro é mais natural do que navegar num site, e a fila do caixa virou uma bolha verde de mensagem.
A Lu, de garota-propaganda a máquina de vender
A personagem azul do Magalu já era um fenômeno de marketing, com milhões de seguidores e presença em campanha nacional. A diferença agora é que a Lu deixou de apenas apresentar produto e passou a vendê-lo de ponta a ponta, transformando anos de familiaridade do público com a personagem em confiança na hora de fechar a compra. O cliente não sente que fala com um robô desconhecido, sente que fala com a Lu.
Esse ativo é difícil de copiar. Concorrentes podem contratar a mesma tecnologia de IA, mas não têm uma personagem com décadas de construção de marca para colocar do outro lado da conversa. No xadrez do varejo digital brasileiro, o Magalu jogou uma peça que só ele tinha.
A guerra silenciosa pelo chat do brasileiro
O movimento do Magalu não acontece no vácuo, ele abre uma corrida. O varejo mundial já entendeu que a próxima disputa não é por quem tem o melhor aplicativo, é por quem ocupa a conversa do cliente, e no Brasil essa conversa tem um endereço só: o WhatsApp, presente em praticamente todos os celulares do país. Quem construir a operação de venda mais redonda dentro do mensageiro leva uma vantagem que site nenhum alcança.
Nesse tabuleiro, cada peça importa. A IA precisa entender português coloquial, gíria e áudio de cliente com pressa; o catálogo precisa responder em segundos; o pagamento precisa fechar sem sair da conversa. É engenharia pesada disfarçada de bate-papo, e é exatamente por isso que o projeto envolveu o Luizalabs e gigantes como Meta e Google, em vez de ser só um chatbot de prateleira.
O tamanho do salto para uma varejista em recuperação
O contexto da empresa torna o número ainda mais simbólico. O Magazine Luiza passou os últimos anos apertado pelo juro alto e pela concorrência das plataformas asiáticas, e encontrar um canal novo que converte 3 vezes mais que os existentes é o tipo de alavanca que pode mudar a trajetória de uma varejista inteira. R$ 100 milhões ainda são fração pequena da receita total da companhia, mas a velocidade da curva é o que o mercado observa.
Há também o efeito vitrine sobre a marca: a empresa que criou a personagem mais conhecida do varejo nacional agora mostra que sabe transformá-la em tecnologia de ponta. Para o investidor, é sinal de que a inovação da casa segue viva; para o consumidor, é a promessa de que comprar vai ficando cada vez menos burocrático.
O que os R$ 100 milhões dizem sobre o futuro das compras
A marca de R$ 100 milhões em oito meses é mais que um número de vitrine. Ela indica que a próxima fronteira do varejo brasileiro não é um aplicativo novo, é a conversa: a compra migrando para o mensageiro, guiada por IA, com a loja inteira comprimida num chat. Se a taxa de conversão segue 3 vezes maior, a tendência é o canal virar prioridade de investimento, e o movimento do Magalu força a concorrência a responder.
Para o consumidor, a disputa é boa notícia: mais canais brigando pela sua atenção significa mais conveniência e condição melhor.
Conta pra gente nos comentários: você já compraria uma TV ou uma geladeira conversando com uma atendente virtual no WhatsApp, ou ainda prefere ver o produto no site ou na loja?
